Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº698
Recife, 20 de fevereiro de 2026.
Caro leitor,
Nesta semana, a Revista Será? convida seus leitores a atravessar um território denso, inquietante e indispensável: o da reflexão crítica sobre instituições, democracia, poder, cultura e memória. Em tempos de desinformação, pressa e simplificações, oferecemos textos que apostam na complexidade, no rigor intelectual e na coragem de pensar — não como exercício estéril, mas como gesto público, necessário e transformador.
Abrimos a edição com o editorial “Quem mancha a imagem do STF?”, um exame severo das condutas e decisões que ameaçam a autoridade moral da Suprema Corte e, com ela, a própria confiança na democracia. Em “Segurança pública e o impasse brasileiro”, Hubert Alquéres mostra como o medo se tornou experiência estruturante da vida nacional, resultado do avanço do crime organizado, da crise prisional e da fragilidade das políticas públicas. Já Paulo Roberto de Almeida, em “As potências médias podem sustentar uma ordem global funcional?”, desloca o olhar da geopolítica tradicional para questionar se a defesa da ordem internacional poderá depender, cada vez mais, de países comprometidos com o Direito Internacional e a Carta da ONU.
A literatura e a filosofia atravessam a edição como chaves de interpretação do presente. Em “Sem saudade do século XX”, Helga Hoffmann relê O Americano Tranquilo, de Graham Greene, para revelar como os dilemas do imperialismo, da neutralidade e da violência seguem vivos. Johnny Jara Jaramillo, em “A rebelião permanente”, retorna a Ortega y Gasset para refletir sobre o “homem-massa” e a naturalização da autossuficiência intelectual em tempos de algoritmos e reações instantâneas. No campo da economia política, Sérgio C. Buarque, em “Jornada de trabalho e tempo livre”, analisa os limites e possibilidades da redução da jornada à luz da produtividade, do progresso técnico e das desigualdades brasileiras. E Paulo Gustavo, em “O Cinza das Horas e a Despedida do Carnaval”, transforma um ritual recifense em meditação poética sobre tempo, finitude e memória, fazendo do Carnaval metáfora da própria condição humana.
Os três últimos artigos da edição compõem um bloco especial em homenagem ao cientista político José Álvaro Moisés, cuja trajetória marcou profundamente o pensamento democrático brasileiro. Em “A Última Mensagem”, Cristiane Lucena oferece um relato comovente sobre a generosidade intelectual, a escuta atenta e a dimensão humana do pesquisador. Lourdes Sola, em “Moisés: a qualidade da democracia como compromisso e utopia”, reconstrói seu percurso intelectual e institucional, ressaltando sua obra sobre confiança política, cultura democrática e representação. E Maria Tereza Aina Sadek, em “Moisés: sempre vivo!”, celebra sua vida, seu rigor acadêmico e sua militância cívica, afirmando que ideias, valores e ensinamentos permanecem vivos naqueles que os incorporam.
Na Última Página, a charge de Elson fecha a edição com o traço crítico que, muitas vezes, diz em imagens o que as palavras custam a formular.
Boa leitura.
Os Editores
Índice
Quem mancha a imagem do STF? – Editorial
Segurança pública e o impasse brasileiro - Hubert Alquéres
As potências médias podem sustentar uma ordem global funcional? - Paulo Roberto de Almeida
Sem saudade do século XX - Helga Hoffmann
A rebelião permanente - Johnny Jara Jaramillo
Jornada de trabalho e tempo livre - Sérgio C. Buarque
O Cinza das Horas e a Despedida do Carnaval - Paulo Gustavo
A Última Mensagem - Cristiane Lucena
Moisés: a qualidade da democracia como compromisso e utopia. – Lourdes Sola
Moisés: sempre vivo! - Maria Tereza Aina Sadek
Última Página, a charge de Elson
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