Via Airton Dirceu Lemmertz:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/brasil-precisa-superar-armadilha-do.html
A análise de Paulo Hartung toca na ferida da produtividade por meio da gestão pública: a ideia de que o populismo
prioriza o consumo imediato e o ganho político de curto prazo em detrimento da eficiência sistêmica.
Para conectar o texto de Hartung ao seu ponto anterior sobre os US$ 21/hora, podemos destacar três pilares dessa
"armadilha":
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Juros como Barreira ao Investimento: Hartung menciona a Selic elevada (comparada a países em guerra). Para um
país ser produtivo, ele precisa de capital intensivo (máquinas, tecnologia, infraestrutura). Com juros altos para conter a
inflação gerada pelo desequilíbrio fiscal, o crédito fica proibitivo, e as empresas param de investir em modernização,
travando a produtividade. Relatórios do Banco Central frequentemente correlacionam o risco fiscal com a necessidade de
juros restritivos.
*
Qualidade do Gasto vs. Volume de Gasto: O texto aponta que o déficit de R$ 61,69 bilhões é pressionado por
despesas obrigatórias (Previdência e BPC). Na ótica da produtividade, o Estado brasileiro gasta muito com manutenção
da máquina e transferências, e pouco com investimento público (rodovias, portos, saneamento), que é o que
efetivamente reduz o "Custo Brasil".
*
Ambiente de Incerteza: A "desorganização das expectativas" citada pelo economista afasta o investidor de longo
prazo. Sem previsibilidade tributária e fiscal, o empresário foca em sobreviver ao próximo trimestre em vez de desenhar
processos produtivos inovadores que nos tirariam da rabeira do ranking da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Hartung sugere que a "farsa" é acreditar que o social sobrevive sem o fiscal. Sem produtividade, o ganho real de renda é
corroído pela inflação ou sustentado por dívida, o que ele chama de "ciclo artificial".
Fonte:
https://share.google/aimode/1qVHIejwx1LwiQs5I
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Os atuais déficits que o Brasil possui em saúde, educação e emprego geram ao país uma perda de 40% da renda
futura, segundo um novo relatório revelado pelo Banco Mundial. Esse prejuízo, que a instituição internacional
denomina como preço invisível; da desigualdade nessas três áreas, ocorre porque os economistas que
conduziram o estudo detectaram que os bairros moldam oportunidades que vão além da simples existência de
escolas e hospitais. Liderado pelos economistas do Banco Mundial Alaka Holla, Norbert Schady e Joana Silva, o
relatório analisou 129 países e detectou que, na média global, a perda de renda futura causada por déficits em
saúde, educação e emprego chega a 51%. Em relação ao quesito mercado de trabalho foi considerada não
apenas a quantidade de empregos, mas também a qualidade. O Brasil está em uma situação melhor do que a
média mundial e acima da América Latina, conforme aponta o relatório. Mas é citado inúmeras vezes ao longo do
estudo sob aspectos negativos, considerando a avaliação a partir do recém-criado Índice de Capital Humano
Plus (HCI+), lançado pelo Banco Mundial em conjunto com o estudo para medir o capital humano médio que uma
criança nascida hoje pode esperar acumular ao longo de sua vida produtiva. As análises contemplam os riscos à
saúde, à educação e ao emprego que prevalecem no país onde vive. No novo índice, o Brasil aparece em posição
intermediária, com 203 pontos, acima da média global de 186 pontos e da média de 194 pontos da América
Latina. Entre os principais vizinhos, o Paraguai foi classificado com 181 pontos, a Colômbia aparece com 198
pontos, a Argentina tem 200, enquanto o Uruguai surge à frente com 206, e o Chile, com 226. Por outro lado, está
consideravelmente distante da pontuação máxima do índice (325 pontos) e dos primeiros países do ranking - o
melhor colocado é o Japão, com 284 pontos, seguido por Singapura, com 282. Além do acesso a hospitais,
escolas e ao mercado de trabalho, os analistas do Banco Mundial também consideraram, por exemplo, a
exposição desde a primeira infância à poluição, à criminalidade ou a infraestrutura como elementos que afetam
diretamente a saúde, o aprendizado e a possibilidade de conseguir bons empregos. O estudo ainda sinalizou a
importância de prover serviços de qualidade na primeira infância para que as crianças possam se desenvolver
melhor e conseguir melhores rendimentos no futuro. Em média, um indivíduo na Índia adquire apenas metade do
capital humano por meio do trabalho do que se adquire no Brasil; e um indivíduo no Brasil adquire apenas
metade do capital humano do que se adquire nos Estados Unidos, destaca o relatório do Banco Mundial. O
ambiente familiar influencia a acumulação de capital humano desde o início da vida. Aos cinco anos de idade,
antes de ingressarem no sistema formal de ensino, crianças de zonas rurais do Peru cujas mães têm apenas o
ensino fundamental ou menos dominam aproximadamente metade do vocabulário de outras crianças cujas mães
concluíram pelo menos o ensino médio. Padrões semelhantes foram observados na Etiópia, na Índia e no Vietnã.
A desvantagem persiste durante toda a idade escolar e a adolescência, acrescenta o estudo. Especificamente no
Brasil, de acordo com a pesquisa do Banco Mundial, o maior problema está na área da educação, na qual o país
atingiu 115 pontos e ficou muito distante dos 188 pontos considerados como o nível ideal para o índice HCI+. Em
questão de saúde, o Brasil atingiu 44 pontos, enquanto o ideal apontado pelo Banco Mundial é 50 pontos. Em
relação a mercado de trabalho, no qual o índice analisa a qualidade dos empregos mais além apenas da
quantidade, o país chegou a 44 pontos, mais distante do ideal de 87 indicado pelo relatório. Uma das
consequências desses déficits, conforme analisa o Banco Mundial é que o capital humano acumulado por
trabalhadores brasileiros corresponde a pouco mais da metade daquele registrado entre trabalhadores norte-
americanos no mesmo período. Isso não significa necessariamente que todos os americanos produzem o dobro
do que todos os trabalhadores brasileiros, mas indica que, em termos gerais comparando as duas sociedades, a
produtividade nos Estados Unidos tende a ser duas vezes à do Brasil. Como resultado, segundo o estudo, a
perda de potencial pelo capital humano acumulado no Brasil compromete 40% da renda futura dos trabalhadores
brasileiros. A prosperidade dos países de renda baixa e média depende da sua capacidade de construir e
proteger o capital humano. Hoje, muitos enfrentam dificuldades para melhorar a nutrição, o aprendizado e ashabilidades de sua força de trabalho atual e futura, o que levanta preocupações sobre a produtividade e os tipos
de empregos que suas economias poderão sustentar, afirma Mamta Murthi, vice-presidente do Grupo Banco
Mundial. Gênero O estudo ainda identificou que dentro do Brasil os déficits em saúde, educação e empregos de
qualidade afetam mais as mulheres do que os homens. De acordo com o índice, isolando somente o gênero
masculino HCI+ alcança 210 pontos, enquanto o índice apenas entre as mulheres brasileiras fica em 196 pontos.
Como estratégias para reverter a perda da renda futura devido a esses problemas, o relatório do Banco Mundial
recomenda investimentos em maior acesso a creches, programas de desenvolvimento infantil e educação pré-
escolar que fortaleçam a aprendizagem e o ambiente de cuidado das crianças, além de maior atenção em
políticas públicas para bairros desprivilegiados e foco integrado à nutrição, ao aprendizado e ao
desenvolvimento de habilidades nos locais de trabalho. Também indica reformas no mercado de trabalho para
ampliar oportunidades de aprendizado prático. Políticas que consideram os diferentes motores do capital
humano em cada contexto podem gerar um ciclo virtuoso, no qual ganhos de produtividade levam a salários
mais altos e a maiores investimentos das famílias e comunidades na próxima geração, destaca no relatório
Norbert Schady, economista chefe do Grupo Banco Mundial.
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/estudo-do-banco-mundial-aponta-que.html
O relatório do Banco Mundial traz o dado que faltava para fechar o diagnóstico: a produtividade brasileira é baixa porque
o nosso capital humano é subutilizado e mal formado.
O conceito de "preço invisível da desigualdade" explica por que o Brasil produz apenas US$ 21/hora. Se perdemos 40%
da renda futura por déficits em saúde, educação e emprego, estamos tentando correr uma maratona com uma mochila
de pedras.
Abaixo, os pontos cruciais que conectam o relatório à nossa discussão:
*
O Abismo Educacional: O Brasil marcou apenas 115 pontos em educação, contra o ideal de 188. Isso valida o que
discutimos: o trabalhador não produz pouco por falta de esforço, mas porque o sistema de ensino não fornece as
ferramentas cognitivas necessárias para operar em uma economia de alto valor agregado.
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A "Metade" do Capital Humano: O dado de que um brasileiro adquire apenas metade do capital humano de um norte-
americano ao longo da vida explica a diferença de renda. A produtividade nos EUA é maior porque o ambiente (bairro,
escola, infraestrutura) potencializa o indivíduo desde o nascimento.
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Qualidade do Emprego: Com apenas 44 pontos (metade do ideal de 87), o mercado de trabalho brasileiro é o
"cemitério" do capital humano. Se o emprego é informal ou de baixa complexidade, o aprendizado prático cessa, e o
trabalhador estagna.
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O Fator Geográfico e Familiar: O estudo destaca que o bairro "molda oportunidades". No Brasil, o CEP de nascimento
ainda determina o teto de produtividade de um cidadão, criando um ciclo onde a pobreza gera baixa qualificação, que
gera baixa renda.
Para sair dessa armadilha, o Banco Mundial sugere que não basta "ajustar as contas" (como defende Hartung), mas sim
investir em políticas integradas de primeira infância e creches. Sem isso, o capital humano é "desperdiçado" antes
mesmo de chegar ao mercado.
Fonte:
https://share.google/aimode/arLZlvYqlMKtvubXV
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O presidente da Finlândia Alexander Stubb formulou – tanto em seu artigo na Foreign Affairs de janeiro-fevereiro
de 2026, “The West’s Last Chance: How to Build a New Global Order Before It’s Too Late”, quanto em seu livro
The Triangle of Power: Rebalancing the New World Order (2026) – algumas importantes propostas relativas à
reorganização das relações internacionais, entre elas a incorporação de novos atores no órgão supremo das
Nações Unidas, o CSNU, a supressão do direito de veto no mesmo órgão, assim como – e esta é a mais
importante delas – a suspensão da participação na organização de países, quaisquer que sejam eles, que tenham
violado princípios e disposições fundamentais da Carta da ONU, entre elas as que se referem ao seu CS.
Apresentei as propostas do presidente finlandês em artigo anterior na revista Será?: “A conformação do mundo
futuro: algumas coisas ainda não resolvidas” (n. 696, 13/02/2026), do qual este representa uma continuidade. Mas
também disse que Stubb havia cometido um equívoco fundamental, ao pretender ver num idealizado “Sul
Global” a “chave mágica” para uma nova conformação da ordem global, o que não me parece ser a resposta
adequada ao problema colocado – a violação da Carta da ONU –, uma vez que um dos supostos componentes de
sua tripartição “político-geográfica” do mundo, em Ocidente, Oriente e Sul Global, não possui o poder de ser
essa chave fundamental, nem os três blocos são conceitualmente equivalentes. A razão é simples: Stubb vê no
BRICS o representante de um “multilateralismo do Sul Global”, que na verdade não existe, pois que esse grupo
está a serviço de uma improvável, mas real, coalizão de grandes potências vinculadas ao mesmo problema que
Stubb pretende resolver: a ruptura com a ordem global existente, para usar as palavras do primeiro-ministro do
Canadá Mark Carney. A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia constitui o problema fundamental de
nossa época, e quanto a isso o alegado “Sul Global multilateral” não tem absolutamente nada a dizer, como não
teve nada a dizer em todas as suas declarações, ministeriais ou de cúpula, dos últimos meses. O improvável “Sul
Global” do BRICS não é parte da solução, pois que ele é parte do problema, como parece evidente aos que leem
suas declarações e observam as posturas dos membros a respeito desse conflito, ao tão simplesmente
refletirem as posições da parte agressora e violadora da Carta da ONU, desde o seu início. Não está provado, em
qualquer configuração do atual “sistema” internacional, que essa entidade supostamente existente, o “Sul
Global”, tenha existência efetiva, ou que o BRICS seria seu suposto representante, no método diplomáticoidentificado ao multilateralismo. Ele não é nem uma coisa nem outra, pela simples razão de que as violações ao
“sistema” da ONU, ao Direito Internacional não derivam do Sul Global, sim de duas superpotências. A verdade é
que a Ucrânia está lutando, quase que solitariamente, contra uma coalizão de três grandes potências – a Rússia,
a China e os Estados Unidos –, contando apenas e tão somente com uma “meia-grande-potência”, que é a União
Europeia, e um reduzido número de outras médias e pequenas “potências”, aparentemente dispostas a manter
princípios e valores embutidos na mesma Carta da ONU que está sendo violada, conjuntamente, na sua letra e no
seu espírito pelas três superpotências. Esta é a realidade embutida nos dizeres do primeiro-ministro canadense,
que me parece ser mais realista do que o presidente da Finlândia no que concerne o conflito definidor de nossa
época, a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, sendo que a potência agressora é, direta ou
indiretamente, secundada pelas duas outras superpotências. A outra verdade é que não existe uma conformação
mundial consistindo apenas de um “Ocidente”, de um “Oriente” e de um pretenso “Sul Global”. O que existe são
nações respeitadoras do Direito Internacional e da Carta da ONU, por um lado, e de nações, por outro lado, que
não as respeitam, ou que são indiferentes às regras e normas penosamente construídas ao longo dos últimos
cem anos, ou seja, desde a fracassada Liga das Nações, passando pela própria ONU e, secundariamente, pela
organização de segurança e cooperação na Europa, evocada pelo presidente da Finlândia como a pretensa
chave – Helsinque, não Yalta, junto com um inexistente “multilateralismo do Sul Global” – para a solução desse
problema crucial de nossa época. O peso da Europa, vale dizer, ou de suas instituições, não é o mesmo que ela
exibiu nos quatro ou cinco séculos precedentes, uma constatação que vem, aliás, de Paris, 1919. A esse
respeito, o primeiro-ministro canadense é mais realista, ao ver nas potências médias uma das possíveis chaves
para a manutenção de um fiapo mínimo de esperança na eventual conformação de uma nova ordem global. Mas,
essas potências médias não possuem uma geografia determinada, como aquela que pretensamente existiu
desde a última grande guerra, um “Ocidente” e um “Oriente”, que são rótulos puramente geográficos que não
denotam a realidade política implícita que se esconde atrás de palavras como Macht, Power, Puissance, para
repetir conceitos explicitamente aronianos, para ficarmos com um filósofo da História bem mais realista e sóbrio.
O que esteve em causa em 1939-1945 não foi um Ocidente e um Oriente, e sim o confronto entre Estados
agressores e agredidos. Tampouco isso existiu durante a primeira Guerra Fria, a despeito dos rótulos
geográficos: o confronto era da mesma natureza. Como reinterpretar, portanto, os fatos de nossa época segundo
as lentes de Raymond Aron? Cabe reconhecer, contudo, que tanto as propostas do presidente finlandês quanto
o diagnóstico do primeiro-ministro canadense constituem reações ou respostas a problemas colocados
frontalmente aos “aliados” europeus e norte-americanos pelo unilateralismo original de dois transgressores do
Direito Internacional, em 2025 de forma mais imediata pelos presidente americano, e alguns anos antes pelo
presidente da Rússia, país objeto de sanções ditas “unilaterais” – pela diplomacia brasileira, mas inteiramente
em conformidade com o espírito e a letra da Carta da ONU, ainda que sem a aprovação de seu CS, pelo uso
abusivo e moralmente indevido do direito de veto do Estado agressor –, embora ajudado, este segundo país,
pela terceira grande potência, contando ainda com a indiferença, quando não com a complacência, de diversos
outros membros da ONU, entre eles diversos do assim chamado Sul Global. O problema de fundo, tanto em
2014-2022, por iniciativa da Rússia, quanto a partir das ações unilaterais dos EUA, em 2025, parte de
diagnósticos equivocados e de prescrições erradas, na verdade ilegais e contrárias ao direito internacional. A
Ucrânia, ou antes a Georgia e a Moldávia, jamais ameaçaram a segurança da Rússia, ou a Otan o fez; bem mais o
contrário. Por outro lado, desindustrialização extensiva, imigrações maciças, ou tráfico de drogas e outros
crimes transnacionais não ameaçam a segurança do “Ocidente”, sequer da cristandade. Reindustrialização via
tarifaços não vai trazer de volta velhas indústrias, da segunda revolução industrial (junto com carvão e petróleo);
a expulsão mandatória de imigrantes ilegais – tidos como criminosos ou estupradores em série – não vai
resolver os problemas demográficos de certos países; a repressão, pela via militar, da oferta de drogas não vai
estancar a demanda contínua pelos opiáceos. Diagnósticos errados levam a prescrições, e ações, equivocadas,
sobretudo se vindas de paranoicos ignorantes, atuando com base em obsessões pessoais, não contidas por
assessores servindo de forma submissa personalidades megalomaníacas, que não se guiam pelas suas próprias
constituições nacionais ou pelo Direito Internacional. Esta é a base das atuais transgressões à ordem
internacional, que não está errada, nem necessita de uma nova ordem, alternativa ou substitutiva. Ela apenas
carece de ajustes, que estão justamente vinculados à sua incapacidade de conter os poderosos, que se colocam
à margem das regras e dos princípios que eles próprios impuseram aos demais. E quem são esses demais, e
quais os seus problemas? Ao que parece, nenhum dos outros atores internacionais buscou desmantelar o
sistema multilateral de comércio, nem algum deles violou a proibição de guerras de agressão unilaterais e não
provocadas. A Carta da ONU e as regras do Gatt-OMC continuaram servindo aos interesses e às necessidades da
enorme maioria dos membros da comunidade internacional, apenas que eles não encontram meios de se
precaverem contra seus atuais transgressores, ou de defenderem essas regras multilaterais pela vontade unida
de seus dirigentes nacionais. E quais seriam os dirigentes dessas potências médias potencialmente voltados à
preservação da ordem internacional tal qual existente, mas necessitando de ajustes nas partes que justamente
violam seus princípios e valores? A partir das considerações já feitas por dois estadistas lúcidos sobre os
problemas da atualidade, não da ordem internacional, mas de sua transgressão por duas superpotências,
secundadas por uma terceira, e que trazem enormes problemas para a condução normal dos negócios
econômicos, assim como para a cooperação internacional em prol do desenvolvimento de países mais pobres
ou temporariamente em dificuldades, pode-se sugerir a seguinte lista de potências médias propensas a aderirem
às propostas do primeiro ministro do Canadá e às do presidente finlandês: Canadá, Noruega, Reino Unido, Japão
e União Europeia, pelo assim chamado “Ocidente”, que é mais uma ideia, democrática e humanista, do que
propriamente uma entidade uniforme; Brasil, Chile e México, democracias relativamente sólidas, pela América
Latina; África do Sul, Nigéria e Argélia, pelo continente africano, ainda que isso não cubra toda a sua diversidade
antropológica; Índia, Indonésia, Coreia do Sul, Austrália, no Índico, Pacífico e Oceania. Nem todos esses países
exibem a mesma postura em relação aos problemas enfrentados pela Ucrânia, pelo povo palestino, pordeterminadas nações da África ou do Oriente Médio, em meio a guerras larvares ou persistentes. Mas, acredita-
se que todos eles sejam potencialmente a favor do Direito Internacional, de um sistema de comércio multilateral
previsível e estável, de um respeito mínimo pelas cláusulas fundamentais da Carta da ONU, em vista das grandes
destruições já conhecidas ao longo do século XX, ou de outras ainda mais catastróficas e indescritíveis que
podem advir neste século, em virtude da arrogância, da prepotência ou da vontade de poder de poucos
autocratas.
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/as-potencias-medias-podem-sustentar-uma.html
O texto propõe uma mudança de lente: o grande gargalo global não seria uma disputa geográfica entre "Ocidente" e "Sul
Global", mas a erosão do Direito Internacional por superpotências que se colocam acima das regras.
Conectando essa visão internacional ao seu questionamento inicial sobre a produtividade brasileira, surge um
diagnóstico sombrio. Se a produtividade depende de investimentos, tecnologia e estabilidade, a desordem global descrita
— com o Brasil inserido em um BRICS alinhado a potências que desafiam a Carta da ONU — coloca o país em uma
posição de risco:
*
Isolamento de Cadeias de Valor: Ao ser associado a um bloco que o autor define como "parte do problema", o Brasil
pode enfrentar barreiras em mercados que exigem padrões rigorosos de governança e respeito a tratados. Sem acesso
pleno ao "Ocidente" tecnológico, o salto de produtividade dos US$ 21/hora fica inviabilizado.
*
A Armadilha do Diagnóstico Errado: Assim como o autor critica líderes que tentam resolver problemas demográficos
com expulsões ou econômicos com tarifaços, o Brasil sofre com prescrições populistas (como mencionado por Hartung)
que ignoram a raiz do problema: o baixo capital humano e a fricção institucional.
*
A Relevância das Potências Médias: O texto sugere que a salvação da ordem global está em potências médias
dispostas a manter princípios. Se o Brasil abdicar desse papel de "nação respeitadora do Direito" para ser apenas um
satélite de superpotências transgressoras, ele perde o soft power que atrai investimentos de longo prazo.
Em última análise, o autor sugere que a "ordem internacional" não precisa ser substituída, mas sim que os "poderosos"
sejam contidos. Para o Brasil, isso significa que a produtividade não virá de um novo bloco geográfico, mas da
capacidade de se integrar a um mundo regido por regras claras, onde o investimento em educação e infraestrutura não
seja drenado por incertezas geopolíticas.
Fonte:
https://share.google/aimode/Xx8iXfYlBX3qQYWSK
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