As potências médias podem sustentar uma ordem global funcional?
Paulo Roberto de Almeida
Revista Será?, 20/02/2026; link: https://revistasera.info/2026/02/as-potencias-medias-podem-sustentar-uma-ordem-global-funcional/
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/as-potencias-medias-podem-sustentar-uma.html
O texto propõe uma mudança de lente: o grande gargalo global não seria uma disputa geográfica entre "Ocidente" e "Sul Global", mas a erosão do Direito Internacional por superpotências que se colocam acima das regras.
Conectando essa visão internacional ao seu questionamento inicial sobre a produtividade brasileira, surge um diagnóstico sombrio. Se a produtividade depende de investimentos, tecnologia e estabilidade, a desordem global descrita — com o Brasil inserido em um BRICS alinhado a potências que desafiam a Carta da ONU — coloca o país em uma posição de risco:
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Isolamento de Cadeias de Valor: Ao ser associado a um bloco que o autor define como "parte do problema", o Brasil pode enfrentar barreiras em mercados que exigem padrões rigorosos de governança e respeito a tratados. Sem acesso pleno ao "Ocidente" tecnológico, o salto de produtividade dos US$ 21/hora fica inviabilizado.
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A Armadilha do Diagnóstico Errado: Assim como o autor critica líderes que tentam resolver problemas demográficos com expulsões ou econômicos com tarifaços, o Brasil sofre com prescrições populistas (como mencionado por Hartung) que ignoram a raiz do problema: o baixo capital humano e a fricção institucional.
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A Relevância das Potências Médias: O texto sugere que a salvação da ordem global está em potências médias dispostas a manter princípios. Se o Brasil abdicar desse papel de "nação respeitadora do Direito" para ser apenas um satélite de superpotências transgressoras, ele perde o soft power que atrai investimentos de longo prazo.
Em última análise, o autor sugere que a "ordem internacional" não precisa ser substituída, mas sim que os "poderosos" sejam contidos. Para o Brasil, isso significa que a produtividade não virá de um novo bloco geográfico, mas da capacidade de se integrar a um mundo regido por regras claras, onde o investimento em educação e infraestrutura não seja drenado por incertezas geopolíticas.
Fonte: https://share.google/aimode/Xx8iXfYlBX3qQYWSK