sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Estudo do Banco Mundial aponta que preço invisível rouba 40% da renda do brasileiro

Estudo do Banco Mundial aponta que preço invisível rouba 40% da renda do brasileiro

(enviado por meu amigo Maurico David)

Preço invisível rouba 40% da renda futura do brasileiro
Rafael Vazquez

Os atuais déficits que o Brasil possui em saúde, educação e emprego geram
ao país uma perda de 40% da renda futura, segundo um novo relatório
revelado pelo Banco Mundial. Esse prejuízo, que a instituição internacional
denomina como preço invisível" da desigualdade nessas três áreas, ocorre
porque os economistas que conduziram o estudo detectaram que os bairros
moldam oportunidades que vão além da simples existência de escolas e
hospitais.
Liderado pelos economistas do Banco Mundial Alaka Holla, Norbert Schady e
Joana Silva, o relatório  analisou 129 países e detectou que, na média
global, a perda de renda futura causada por déficits em saúde, educação e
emprego chega a 51%. Em relação ao quesito mercado de trabalho foi
considerada não apenas a quantidade de empregos, mas também a qualidade.
O Brasil está em uma situação melhor do que a média mundial e acima da
América Latina, conforme aponta o relatório. Mas é citado inúmeras vezes ao
longo do estudo sob aspectos negativos, considerando a avaliação a partir do
recém-criado Índice de Capital Humano Plus (HCI+), lançado pelo Banco
Mundial em conjunto com o estudo para medir o capital humano médio que
uma criança nascida hoje pode esperar acumular ao longo de sua vida
produtiva. As análises contemplam os riscos à saúde, à educação e ao
emprego que prevalecem no país onde vive.
No novo índice, o Brasil aparece em posição intermediária, com 203 pontos,
acima da média global de 186 pontos e da média de 194 pontos da América
Latina. Entre os principais vizinhos, o Paraguai foi classificado com 181 pontos,
a Colômbia aparece com 198 pontos, a Argentina tem 200, enquanto o Uruguai
surge à frente com 206, e o Chile, com 226. Por outro lado, está
consideravelmente distante da pontuação máxima do índice (325 pontos) e dos
primeiros países do ranking - o melhor colocado é o Japão, com 284 pontos,
seguido por Singapura, com 282.
Além do acesso a hospitais, escolas e ao mercado de trabalho, os analistas do
Banco Mundial também consideraram, por exemplo, a exposição desde a
primeira infância à poluição, à criminalidade ou a infraestrutura como
elementos que afetam diretamente a saúde, o aprendizado e a possibilidade de
conseguir bons empregos. O estudo ainda sinalizou a importância de prover serviços de qualidade na primeira infância para que as crianças possam se
desenvolver melhor e conseguir melhores rendimentos no futuro.
"Em média, um indivíduo na Índia adquire apenas metade do capital humano
por meio do trabalho do que se adquire no Brasil; e um indivíduo no Brasil
adquire apenas metade do capital humano do que se adquire nos Estados
Unidos, destaca o relatório do Banco Mundial.
O ambiente familiar influencia a acumulação de capital humano desde o início
da vida. Aos cinco anos de idade, antes de ingressarem no sistema formal de
ensino, crianças de zonas rurais do Peru cujas mães têm apenas o ensino
fundamental ou menos dominam aproximadamente metade do vocabulário de
outras crianças cujas mães concluíram pelo menos o ensino médio. Padrões
semelhantes foram observados na Etiópia, na Índia e no Vietnã. A
desvantagem persiste durante toda a idade escolar e a adolescência,
acrescenta o estudo.
Especificamente no Brasil, de acordo com a pesquisa do Banco Mundial, o
maior problema está na área da educação, na qual o país atingiu 115 pontos e
ficou muito distante dos 188 pontos considerados como o nível ideal para o
índice HCI+.

Em questão de saúde, o Brasil atingiu 44 pontos, enquanto o ideal apontado
pelo Banco Mundial é 50 pontos. Em relação a mercado de trabalho, no qual o
índice analisa a qualidade dos empregos mais além apenas da quantidade, o
país chegou a 44 pontos, mais distante do ideal de 87 indicado pelo relatório.

Uma das consequências desses déficits, conforme analisa o Banco Mundial é
que o capital humano acumulado por trabalhadores brasileiros corresponde a
pouco mais da metade daquele registrado entre trabalhadores norte-
americanos no mesmo período. Isso não significa necessariamente que todos
os americanos produzem o dobro do que todos os trabalhadores brasileiros,
mas indica que, em termos gerais comparando as duas sociedades, a
produtividade nos Estados Unidos tende a ser duas vezes à do Brasil.
Como resultado, segundo o estudo, a perda de potencial pelo capital humano
acumulado no Brasil compromete 40% da renda futura dos trabalhadores
brasileiros.
"A prosperidade dos países de renda baixa e média depende da sua
capacidade de construir e proteger o capital humano. Hoje, muitos enfrentam
dificuldades para melhorar a nutrição, o aprendizado e as habilidades de sua
força de trabalho atual e futura, o que levanta preocupações sobre a
produtividade e os tipos de empregos que suas economias poderão sustentar,
afirma Mamta Murthi, vice-presidente do Grupo Banco Mundial.
Gênero
O estudo ainda identificou que dentro do Brasil os déficits em saúde, educação
e empregos de qualidade afetam mais as mulheres do que os homens.
De acordo com o índice, isolando somente o gênero masculino HCI+ alcança
210 pontos, enquanto o índice apenas entre as mulheres brasileiras fica em
196 pontos.
Como estratégias para reverter a perda da renda futura devido a esses
problemas, o relatório do Banco Mundial recomenda investimentos em maior
acesso a creches, programas de desenvolvimento infantil e educação pré-
escolar que fortaleçam a aprendizagem e o ambiente de cuidado das crianças,
além de maior atenção em políticas públicas para bairros desprivilegiados e
foco integrado à nutrição, ao aprendizado e ao desenvolvimento de habilidades
nos locais de trabalho. Também indica reformas no mercado de trabalho para
ampliar oportunidades de aprendizado prático.
Políticas que consideram os diferentes motores do capital humano em cada contexto podem gerar um ciclo virtuoso, no qual ganhos de produtividade
levam a salários mais altos e a maiores investimentos das famílias e
comunidades na próxima geração, destaca no relatório Norbert Schady,
economista chefe do Grupo Banco Mundial.


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