Abaixo uma matéria recente sobre o primeiro embaixador negro da diplomacia brasileira, de fora da carreira diplomática, designado por Jânio Quadros. Se não me engano, existe um livro sobre ele, do Jerry D'Avila. PRA
Raymundo Souza Dantas: pioneiro negro na diplomacia brasileira
Jornal DR1, Fevereiro 14, 2026
Escritor, jornalista e embaixador, ele marcou a história do Brasil ao unir literatura, política e representatividade racial em uma trajetória de coragem e inteligência
Raymundo Souza Dantas nasceu em 1923, na cidade de Estância, em Sergipe, e construiu uma carreira que o colocou entre os personagens mais importantes da diplomacia e da vida intelectual brasileira no século XX. Jornalista de formação, destacou-se inicialmente na imprensa, onde atuou como articulista atento às questões políticas e sociais do país. Sua escrita sempre foi marcada por senso crítico, elegância e profunda reflexão sobre as desigualdades brasileiras.
Ao longo da carreira literária, publicou obras que dialogam com temas políticos, raciais e internacionais. Seu livro mais conhecido, África Difícil (1965), reúne relatos e análises produzidos a partir de sua experiência no continente africano. A obra apresenta ao leitor brasileiro um panorama das transformações vividas pelos países africanos no período pós-independência, combinando observação diplomática, análise histórica e sensibilidade pessoal. O livro é considerado um registro importante da política externa brasileira naquele contexto.
O momento mais marcante de sua trajetória ocorreu em 1961, quando foi nomeado embaixador do Brasil em Gana, durante o governo de Jânio Quadros. A indicação teve enorme peso simbólico: Raymundo Souza Dantas tornou-se o primeiro negro a chefiar uma embaixada brasileira. Em um período de aproximação do Brasil com nações africanas recém-independentes, sua nomeação representou também um gesto político de reconhecimento e abertura.
Apesar da conquista histórica, sua atuação diplomática foi acompanhada de desafios. Enfrentou resistências e episódios de preconceito, reflexo das tensões raciais ainda presentes na sociedade brasileira e no próprio serviço exterior. Ainda assim, manteve postura firme, desempenhando suas funções com profissionalismo e competência. Ao longo da carreira, exerceu outras atividades no campo diplomático e administrativo, sempre defendendo o fortalecimento das relações entre o Brasil e a África.
Legado e reconhecimento
Raymundo Souza Dantas faleceu em 2002, deixando um legado que ultrapassa sua atuação institucional. Sua trajetória abriu caminhos para maior diversidade no Itamaraty e ampliou o debate sobre representatividade racial na diplomacia. Como escritor, registrou reflexões valiosas sobre política internacional e identidade; como diplomata, tornou-se símbolo de pioneirismo e resistência. Sua história permanece como referência de talento, coragem e compromisso com o país.
https://jornaldr1.com.br/raymundo-souza-dantas-pioneiro-negro-na-diplomacia-brasileira/
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