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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Raymundo de Souza Dantas: O Primeiro Embaixador Negro do Brasil e sua Trajetória Inspiradora - Jornal DR1

PRA: Mais uma matéria sobre o primeiro embaixador negro do Brasil, retirado do site da Universidade Federal do Recôncavo Baiano:


Histórias que Marcam
Raymundo de Souza Dantas: O Primeiro Embaixador Negro do Brasil e sua Trajetória Inspiradora
https://jornaldr1.com.br/raymundo-souza-dantas-pioneiro-negro-na-diplomacia-brasileira/

O Primeiro Embaixador Negro do Brasil
Nascido em 15 de setembro de 1923, na cidade de Estância, Sergipe, Raymundo de Souza Dantas superou inúmeras adversidades, saindo de uma infância marcada por dificuldades para se tornar uma figura proeminente na diplomacia, na literatura e na política brasileira.

Infância e Trabalho: A Escola da Vida
Raymundo teve acesso à escola por poucos meses. Desde muito jovem, precisou trabalhar para ajudar no sustento da família, desempenhando múltiplas funções: aprendiz de ferreiro, ajudante de marceneiro, pintor de paredes e entregador de encomendas. Quando sua família se mudou para Aracaju, ele conseguiu trabalho como tipógrafo em uma gráfica local.

Foi na tipografia que Raymundo teve seus primeiros contatos com as letras e palavras, o que contribuiu um pouco para sua compreensão inicial da escrita. O manuseio de textos e impressões despertou nele o interesse pelo conhecimento, mas sua alfabetização completa ainda estava por vir.

Rio de Janeiro: Determinação e Ascensão
Aos 18 anos, Raymundo decidiu sair de casa e, ao enganar a avó dizendo que iria para a Bahia, partiu para o Rio de Janeiro. Semianalfabeto e com poucos recursos, ele encontrou dificuldades. Um dos poucos trabalhos que conseguiu foi como vendedor de maçãs. Porém, foi demitido por não saber fazer contas corretamente. Como pagamento de rescisão, o patrão lhe deu algumas maçãs.

Esse episódio, embora difícil, marcou o início de uma mudança. Ele teve a sorte de reencontrar Joel Silveira, um renomado jornalista que já o conhecia de Aracaju. Joel lhe deu uma carta de recomendação, permitindo que Raymundo conseguisse trabalho como office-boy em uma revista.

Foi nesse ambiente que Raymundo se alfabetizou de fato. Cercado por jornalistas e intelectuais, ele demonstrava interesse genuíno em aprender e era frequentemente ajudado por colegas que lhe emprestavam livros e ofereciam orientações. Poucos anos depois, em 1944, ele publicou seu primeiro romance, Sete Palmos de Terra, que trazia recordações ficcionalizadas de sua infância em Estância.

Carreira Literária e Reconhecimento
Durante os anos 1940 e 1950, Raymundo viveu intensamente a vida literária e política do Rio de Janeiro. Ele publicou obras que exploravam questões sociais e existenciais, recebendo elogios de grandes nomes como Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos.

Raymundo dividia páginas de jornais e revistas com grandes da literatura, como Clarice Lispector e Otto Maria Carpeaux. Seu talento como escritor consolidou seu nome como uma das vozes mais relevantes de sua geração.

Na Política e na Diplomacia: Um Pioneiro
Nos anos 1950, Raymundo se aproximou da política institucional e foi indicado para ser oficial de gabinete do presidente Jânio Quadros, tornando-se o primeiro negro a ocupar tal posição, que hoje equivale ao cargo de assessor direto da Presidência. Ao lado do professor Milton Santos, então na Casa Civil, Raymundo representava a inclusão de intelectuais negros em posições de destaque no governo brasileiro.

Pouco tempo depois, Jânio o promoveu a Embaixador Extraordinário Plenipotenciário na República de Gana, tornando-se o primeiro diplomata brasileiro a estabelecer relações formais com um país africano.

Em 1961, Raymundo chegou a Gana e foi recebido calorosamente pela comunidade dos “Tabons”, descendentes de brasileiros escravizados que chegaram a Gana após a Revolta dos Malês, ocorrida na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, em Salvador, Bahia. Em 1836, os brasileiros retornados foram chamados de “Tabom” pelas comunidades locais, pois, desconhecendo as línguas locais, respondiam a tudo com “tá bom” ("está bom"). Eles também foram oficialmente designados como "retornados" pelas autoridades brasileiras.

A recepção dos Tabons foi marcada por uma celebração cultural. Quando Raymundo visitou a comunidade, foi recebido como um irmão, com uma roda de samba e outras demonstrações de carinho e pertencimento. Em seu livro África Difícil: Missão Condenada (1965), ele descreveu esse momento como um dos mais felizes de sua vida, reforçando sua conexão com a comunidade.

No registro abaixo a Comunidade dos Tabons descendentes de escravos retornados do Brasil para África (Ghana)ano de 1962. Raymundo Souza Dantas e sua esposa Idoline Botelho (a sua direita) do lado esquerdo de Dantas encontra se a rainha Ibiana I, e sentado do lado direito de Idoline esta Azuma I lider da comunidade Tabom.

Legado e Inspiração
Raymundo de Souza Dantas faleceu em 2002, mas seu legado permanece vivo como símbolo de perseverança, superação e contribuição para a sociedade brasileira. Sua trajetória mostra como, mesmo enfrentando barreiras imensas, é possível transformar dificuldades em oportunidades e deixar um impacto duradouro.

A Biblioteca do CECULT-UFRB convida a comunidade a celebrar a memória desse grande brasileiro e refletir sobre a importância de seu pioneirismo na diplomacia, na literatura e na política. Que sua história inspire futuras gerações a perseguirem seus sonhos e lutarem por um mundo mais justo e igualitário.

Raymundo Souza Dantas: pioneiro negro na diplomacia brasileira - Jornal DR1

 Abaixo uma matéria recente sobre o primeiro embaixador negro da diplomacia brasileira, de fora da carreira diplomática, designado por Jânio Quadros. Se não me engano, existe um livro sobre ele, do Jerry D'Avila. PRA


Raymundo Souza Dantas: pioneiro negro na diplomacia brasileira
Jornal DR1, Fevereiro 14, 2026

Escritor, jornalista e embaixador, ele marcou a história do Brasil ao unir literatura, política e representatividade racial em uma trajetória de coragem e inteligência

Raymundo Souza Dantas nasceu em 1923, na cidade de Estância, em Sergipe, e construiu uma carreira que o colocou entre os personagens mais importantes da diplomacia e da vida intelectual brasileira no século XX. Jornalista de formação, destacou-se inicialmente na imprensa, onde atuou como articulista atento às questões políticas e sociais do país. Sua escrita sempre foi marcada por senso crítico, elegância e profunda reflexão sobre as desigualdades brasileiras.

Ao longo da carreira literária, publicou obras que dialogam com temas políticos, raciais e internacionais. Seu livro mais conhecido, África Difícil (1965), reúne relatos e análises produzidos a partir de sua experiência no continente africano. A obra apresenta ao leitor brasileiro um panorama das transformações vividas pelos países africanos no período pós-independência, combinando observação diplomática, análise histórica e sensibilidade pessoal. O livro é considerado um registro importante da política externa brasileira naquele contexto.

O momento mais marcante de sua trajetória ocorreu em 1961, quando foi nomeado embaixador do Brasil em Gana, durante o governo de Jânio Quadros. A indicação teve enorme peso simbólico: Raymundo Souza Dantas tornou-se o primeiro negro a chefiar uma embaixada brasileira. Em um período de aproximação do Brasil com nações africanas recém-independentes, sua nomeação representou também um gesto político de reconhecimento e abertura.

Apesar da conquista histórica, sua atuação diplomática foi acompanhada de desafios. Enfrentou resistências e episódios de preconceito, reflexo das tensões raciais ainda presentes na sociedade brasileira e no próprio serviço exterior. Ainda assim, manteve postura firme, desempenhando suas funções com profissionalismo e competência. Ao longo da carreira, exerceu outras atividades no campo diplomático e administrativo, sempre defendendo o fortalecimento das relações entre o Brasil e a África.

Legado e reconhecimento

Raymundo Souza Dantas faleceu em 2002, deixando um legado que ultrapassa sua atuação institucional. Sua trajetória abriu caminhos para maior diversidade no Itamaraty e ampliou o debate sobre representatividade racial na diplomacia. Como escritor, registrou reflexões valiosas sobre política internacional e identidade; como diplomata, tornou-se símbolo de pioneirismo e resistência. Sua história permanece como referência de talento, coragem e compromisso com o país.
https://jornaldr1.com.br/raymundo-souza-dantas-pioneiro-negro-na-diplomacia-brasileira/

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A diplomata brasileira que marcou a política externa no mundo: Thereza Quintella (Jornal DR1)

 A diplomata brasileira que marcou a política externa no mundo

Thereza Quintella com uma carreira pioneira, ela atuou em missões estratégicas na Europa, América Latina, Rússia e Estados Unidos
Jornal DR1, 31/01/2026
https://jornaldr1.com.br/a-diplomata-brasileira-que-marcou-a-politica-externa-no-mundo/

Thereza Maria Machado Quintella é uma das diplomatas mais importantes da história do Itamaraty. Nascida no Rio de Janeiro, em 1938, ela construiu uma carreira marcada por pioneirismo, atuação internacional estratégica e pela defesa da presença feminina na diplomacia brasileira. Ao longo de mais de 40 anos de serviço público, participou de missões diplomáticas em diferentes continentes e ocupou postos de grande relevância fora do país.

Ingressou no Instituto Rio Branco em 1958, em um período em que a carreira diplomática ainda era predominantemente masculina. Desde o início, destacou-se pelo desempenho técnico e pela atuação em temas multilaterais. Seu primeiro posto no exterior foi no Consulado do Brasil em Bahía Blanca, na Argentina, onde atuou como vice-cônsul e cônsul entre 1964 e 1966.

Posteriormente, integrou a Missão do Brasil junto à Comunidade Econômica Europeia, em Bruxelas, ampliando sua experiência em negociações comerciais e relações multilaterais. Na década de 1970, participou da representação brasileira junto à Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), em Montevidéu, reforçando o diálogo econômico regional.

Nos anos 1980, Thereza Quintella foi nomeada cônsul-geral em Londres, um dos postos mais relevantes da diplomacia brasileira, responsável tanto pela proteção consular quanto pela promoção de relações culturais e comerciais com o Reino Unido. Em 1987, tornou-se a primeira mulher a assumir a direção do Instituto Rio Branco, marco histórico para o Ministério das Relações Exteriores.

Na década seguinte, foi embaixadora do Brasil na Áustria, acumulando a representação junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e à ONUDI, em Viena. Entre 1995 e 2001, chefiou a embaixada brasileira na Rússia, período estratégico no cenário pós-Guerra Fria, representando também o Brasil em países do Leste Europeu e da Ásia Central.

Em sua última missão no exterior, atuou como cônsul-geral em Los Angeles, fortalecendo o vínculo com a comunidade brasileira nos Estados Unidos. A trajetória de Thereza Quintella permanece como referência de excelência, compromisso público e liderança feminina na diplomacia brasileira.

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