sábado, 2 de maio de 2026

Sobre azedumes opinativos - Paulo Roberto de Almeida

Sobre azedumes opinativos

Entendo que o Facebook, assim como os demais canais de comunicação social, é um espaço livre, aberto a todas as opiniões, mesmo as mais disparatadas e divergentes do consenso usual. Cada um, cada qual, tem o direito de expressar a sua opinião, e elas serão cada vez mais incisivas num ano eleitoral, que suscita obviamente reações desencontradas com quem ou contra quem não partilha da mesma opinião. O que não cabe é censura ou tentativa de silenciar as opiniões contrárias.

Eu, por exemplo, acho que o bolsonarismo foi a coisa mais horrorosa que aconteceu no Brasil em anos passados e que pode voltar a ocorrer nos anos à frente, não da mesma forma, evidentemente, mas com a mesma estupidez ideológica, as mesmas trapaças milicianas, a mesma corrupção desenfreada e, sobretudo, para mim, a mesma submissão canina e calhorda a um imbecil estrangeiro. Em síntese, vou lutar contra.

Mas nem por isso acho que o lulopetismo, sua cegueira econômica, suas adesões externas a líderes execráveis e suas crenças politicas sejam a melhor coisa que nós, brasileiros comuns, de fora da promiscuidade politica, merecemos como governo e como representação diplomática. Não o coloco no mesmo plano do horror bolsonarista, que é um acúmulo de estupidezes, falcatruas e mentiras, poucas vezes visto na história politica do Brasil, mas acho que petistas permanecersm num estado de anacronismo politico e econômico lamentável, para as necessidades do país, para os próprios pobres que eles dizem defender. O culto do atraso estatal é tão pernicioso quanto o “liberalismo de fancaria” de certos representantes do capital.

Gostaria de algo melhor. Mas entendo que o grau de deseducação política, ou a falta de educação tout court, leva os eleitores a votarem pelos candidatos mais mentirosos, populistas demagogos e despreparados, que entram na política justamente para se locupletarem com a retórica enganosa. Com as muitas exceções de praxe, a casta politica é feita de aproveitadores (e nisso vou ser contestado por muitos), concentrados unicamente ou principalmente no seu próprio beneficio material. Tenho horror também desses altos magistrados assaltantes dos recursos públicos, que ficam inventando penduricalhos para justamente mamar nas mesmas tetas de um Estado balofo e ineficiente.

Não por liberalismo, mas por simples pragmatismo, sou por uma redução radical das prebendas públicas, que incidem numa tributação elevadíssima sobre os trabalhadores produtivos, os empresários, que sustentam toda a burocracia perdulária e os políticos predatórios.

Esta é a minha opinião. Quem não concordar, pode criticar, ou fazer o seu próprio manifesto politico e publicar em seu espaço, ou até aqui. 

Uma última coisa: sou absolutamente contrário ao voto nulo, pois significa justamente abandonar o terreno aos mais motivados, que costumam ser os mais fanáticos em cada extremo, os true believers. Na ausência de alguém minimamente razoável, devemos ir sempre ao menos pior, que é justamente aquele que não nos retire a chance de dissentir e de expressar opiniões contrárias. Bozo era justamente uma mula perversa, um ser hediondo que queria se manter pela força, como aliás seu modelo “I love you!”. Por isso rejeito TODOS aqueles que pretendem que ele possa fazer qualquer coisa decente num pais simplesmente carente de dignidade, de honestidade e de estadistas como é o Brasil.

Repito, não darei espaço aqui para quem defender a indignidade e a velhacaria de quem já diminuiu o Brasil aos olhos do mundo. 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 2/05/2026

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