O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”?
Paulo Roberto de Almeida
Sinceramente, eu não sei, ou talvez saiba, mas não quero adiantar aqui, agora. Sobre as “tensões geopoliticas”, o que teria a dizer seria um conjunto de platitudes, pois as evidências se exibem elas mesmas, impudicamente, aos nossos olhos arregalados. Essas tensões são sempre, inevitavelmente, devidas aos malvadões arrogantes que comandam as grandes potências, os únicos com capacidade de produzir malvadezas, justamente.
Mas esse foi o convite para o início de um debate na Fundação Dom Cabral, no programa Imagine Brasil, feito pelo amigo professor Carlos Alberto Primo Braga, na companhia do amigo e colega Victor do Prado, no dia 21/05. Vou evitar, portanto, de me estender sobre esse déjà vu all over again sobre as tais tensões geopolíticas. Elas voltaram e o primeiro culpado é o neoczar, uma cópia mal feita de um Hitler démodé. Passons donc. O segundo eu nem preciso mencionar o nome, pois ele está nas redes sociais três ou quatro vezes ao dia, um idiota completo. Passons again.
Então, o jeito é me concentrar na diplomacia brasileira, antigamente previsível e segura, quando ela fornecia insumos de qualidade para a politica externa. Nos últimos tempos tem andado um pouco volátil, dada sua personalização excessiva e alguns tropeços inevitáveis: o mundo gira, a Lusitana roda (desculpem a publicidade das antigas), mas alguns não viram a banda passar… Mas ela passou, e com um furor de assustar gregos e goianos, justamente por ressucitar temores de uma nova guerra do Peloponeso.
A História, como já falei várias vezes aqui, não se repete, mas curiosamente andaram trocando o sentido de algumas oposições. Vamos ver.
Epidemias de peste à parte, Atenas perdeu a guerra porque cometeu inúmeros equívocos diplomáticos, tantos que alienaram amigos e aliados.
Esparta ganhou a guerra porque era mais forte, mais decidida, e dotada da estratégia certa, “capturando” os aliados desprezados por Atenas.
Mas o Brasil não tem, ou não deveria ter, nada com Atenas, nem com Esparta, e nem faz parte do script, a não ser como espectador engajado na defesa do Direito Internacional e de valores e princípios que sempre foram os de sua diplomacia, desde Rio Branco e de Rui Barbosa, pelo menos, talvez até antes (mas no Império a diplomacia foi mobilizada pelos barões para defender o tráfico e a escravidão, para nossa maior vergonha).
Atualmente, a diplomacia pode ter sido mobilizada para defender algumas causas duvidosas, sobre as quais não vou me debruçar neste momento. Vamos deixar certas coisas sensíveis para um debate esclarecedor, num ambiente de alguma racionalidade e certo espírito ético. Sou de um “natural reservoso”, como diria o Coronel Ponciano de Azeredo Furtado, heroi do fabuloso romance “O Coronel e o Lobisomem”, de José Cândido de Carvalho, imortal. Sendo reservoso, eu me reservo o direito de permanecer calado neste momento, como alguns recitam em circunstâncias de grandes tensões, justamente.
Sou menos pela geopolítica e mais pela diplomacia, que exige conhecimento aprofundado das coisas e muita moderação, para não incorrer em julgamentos apressados.
Vamos aguardar mais um pouco, portanto…
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 15/05/2026
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