sexta-feira, 10 de abril de 2026

Questões sobre a guerra perdida de DJT - Paulo Roberto de Almeida

Um site de notícias econômicas consultou-me a respeito de questões de atualidade. Enviou-me três perguntas, às quais respondi da seguinte maneira:


Respostas a questões de agência de notícias.
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre questões do universo trumpiano

⁠1) Por que os EUA decidiram entrar na guerra?

PRA: Nem os EUA, nem Trump decidiram entrar na guerra; foi Netanyahu quem convenceu Trump de que o Irã ainda representava um “perigo iminente” para os EUA, a despeito do presidente americano ter declarado, anteriormente, que “ele” havia “obliterado” o programa nuclear iraniano, nos bombardeios pesados de junho de 2025. Como se sabe, Netanyahu PRECISA de guerras para se manter no poder e evitar assim a continuidade do processo na Suprema Corte israelense por acusações de corrupção contra si. Aproveitou, assim, a megalomania de Trump, e seu excesso de confiança depois de ter “extraído” o ditador da Venezuela e começado a tutelar o regime chavista, que continua praticamente intacto. Nunca foi tão fácil enganar um presidente inepto, narcisista maligno e paranoico, como já classificado por psiquiatras, e cercado por assessores ineptos e totalmente submissos ao seu poder irrestrito, até inconstitucional, como evidenciado diversas vezes. Trump pensava reeditar a experiência venezuelana no Irã, o que é um trágico erro em detrimento dos recursos econômicos e humanos dos americanos, a começar pelas suas Forças Armadas, cujos generais correm o sério risco de serem acusados de crimes de guerra, pelos ataques indiscriminados a alvos civis no Irã.

2) O que Washington busca conquistar com o conflito?

PRA: Os objetivos originais eram grandiosos, como “mudança de regime” no Irã, eliminar não só a capacidade ofensiva e dos “proxy agents” do Irã (Hezbollah no Líbano, Hamas na Faixa de Gaza, Houthis no Yemen), mas também a própria capacidade defensiva do regime dos aiatolás. Todas essas metas eram virtualmente impossíveis de serem eliminadas sequer diminuídas, a despeito dos duros bombardeios, mas NENHUM desses objetivos poderiam ser alcançados por bombardeios aéreos, o que o pessoal da inteligência americana e do Pentágono deve ter dito aos incompetentes assessores do presidente, a começar pelo bizarro Secretário da Guerra, um incompetente e alucinado total. Trump já mudou diversas vezes de objetivos, inclusive o de obter facilmente a abertura do estreito de Ormuz, que já estava aberto e desimpedido antes dos ataques. Ele se subordinou, então, aos dez pontos apresentados pelo Irã, que representam uma derrota total para os seus objetivos. Mas o processo agora vão entrar numa dupla via: negociações caóticas em Islamabad e bombardeios esparsos aqui e ali. Persistem dúvidas sobre a “parte libanesa” do conflito, que contemplam unicamente os objetivos de Netanyahu, o que vai dificultar qualquer acordo em torno das questões do Golfo.

3) Quais os riscos e consequências dessa decisão?

PRA: Depois de 1929, da Depressão dos anos 1930, da crise dos países em desenvolvimento do final dos anos 1990 e da crise financeira de 2008-2009, ademais das duas crises do petróleo (1973 e 1979), o mundo pode estar no limiar de numa nova grande crise, que pode receber o nome de “crise Trump”, pois todos os indicadores econômicos, domésticos e internacionais dos EUA, assim como as evidências para TODOS os países do planeta, refletem a iminência de uma crise latente, se arrastando por diversos meses, em função, EXCLUSIVAMENTE, da irracionalidade, da opção pelo CAOS, provocadas pelas ações piromaníacas do presidente desequilibrado, incompetente, doentio, e cercado de assessores medíocres, incompetentes e submissos.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5274, 10 abril 2026, 2 p.

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