5281. “Eu e Gilberto Freyre, ou Gilberto Freyre e este modesto sociólogo”, Brasília, 15 abril 2026, 3 p. (Introdução). Consolidação de meus escritos em torno do grande antropólogo e sociólogo pernambucano. Introdução e transcrição dos trabalhos n. 918, 4436, 4915 e 5108. Disponível na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/165703160/5281_Eu_e_Gilberto_Freyre_ou_Gilberto_Freyre_e_este_modesto_sociologo_2026_ ); divulgado via blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/eu-e-gilberto-freyre-ou-gilberto-freyre.html).
Também acho que se o Brasil imperial e republicano, tivesse sido mais paulista do que baiano (a maioria dos presidentes dos gabinetes do Império), ou mineiro (onde esteve a riqueza no século XVIII, onde estalou a revolta contra os colonizadores, em 1789), ou carioca (ou melhor, com o poder concentrado nas elites encasteladas na capital do país de 1763 até 1960), talvez a nação pudesse ter se desenvolvido de uma forma mais compatível com os requerimentos de uma população mestiça e deseducada. Reconheço que os barões do café e os oligarcas políticos do final do Império e do início da República, inclusive seus primeiros presidentes, foram, em certa medida paulistas, que combinaram a espúria aliança do “café com leite” com mineiros e cariocas nos primeiros anos do novo regime para deixar o Brasil parado no tempo, até chegarem os gaúchos castilhistas e autoritários da era Vargas, no breve período de 1930 a 1945 (e depois voltaram para mais alguns anos).
Bem, todo esse regionalismo déplacé apenas para dizer que, sinceramente, eu acho, por pura imaginação especulativa, que o Brasil poderia ter tido melhor fortuna com as virtudes democráticas, até iluministas, dos pernambucanos. Isso para confessar que li poucas obras do maior pernambucano de todos os tempos, mas as que li me foram impactantes. Já tinha ouvido falar desse sociólogo – a profissão que escolhi para mim desde o colegial – bem antes de ingressar no curso de Ciências Sociais da USP, na famosa Fefelech, de mudança da Maria Antônia para os barracões da Cidade Universitária, quando prestei vestibular para ingressar na USP, no segundo semestre de 1968, pouco antes do fatídico AI-5, que acabou aposentando justos os meus professores da Escola Paulista de Sociologia, quando eu recém comecei no curso, ao início de 1969: sofreram a raiva dos gorilas da ditadura militar Florestan Fernandes (o mais perigoso de todos), Octavio Ianni, Fernando Henrique Cardoso, ademais de muitos outros mestres de outros cursos e especialidades. Só fui ler Gilberto Freyre no exílio, a partir de 1971, já inscrito no curso de Ciências Sociais da Universidade Livre de Bruxelas.
Encontrei, na biblioteca do Instituto de Sociologia – onde passei meses, anos inteiros – a versão francesa de Casa Grande e Senzala, na tradução do brasilianista Roger Bastide (que tinha dado aulas na USP, livro publicado em 1952 sob o título de Maîtres et esclaves. Também li, em francês, pela primeira vez, na mesma biblioteca, Os Sertões, de Euclides da Cunha, traduzido como Hautes terres: la guerre de Canudos. O livro de Gilberto Freyre foi muito mais agradável na leitura, e na descrição dos modos de vida, costumes do Brasil colonial, do que a prosa rebarbativa de Euclides, um livro difícil e chato de ler, no seu cientificismo duvidoso e nos comentários militares. Como sociólogo aprendiz, li e gostei muito de um dos livros de Gilberto Freyre editado pela Universidade de Brasília, isso quando eu já tinha me mudado para a capital, quando vim em 1977, ao me tornar diplomata de carreira: Como e porque sou e não sou sociólogo (Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1968).
Gostei tanto do livro, e da postura do sociólogo pernambucano, que adotei o modelo do mestre dos mestres da minha disciplina de formação que, ao compilar diversos escritos de natureza política e reuni-los para um livro em torno da transição política de 2002-2003, já pronto bem antes do final de 2002, mas só publicado no final do ano, com data de 2003. O prefácio já estava escrito desde meados de 2002, como registrado em minha ficha, abaixo reproduzida, e que dá a partida a meus poucos escritos “freyreanos” (embora eu tenha lido bem mais coisas dele e sobre ele do que escrevi a respeito do grande intelectual, em parte combatido pela Escola Paulista de Sociologia pela sua adesão ao tropicalismo salazarista, pela sua suposta tese sobre a “democracia racial” do Brasil).
Vou, portanto, simplesmente coletar os poucos trabalhos que mencionam, explicitamente, o nome do sociólogo pernambucano no título, embora existam diversos outros trabalhos de história ou de sociologia, em francês ou em português, nos quais eu me referi às ideias e contribuições do mestre de Apipucos (solar que visitei numa de minhas idas ao Recife, preservado como ele o deixou), inclusive por ter uma grande admiração pela sua postura de intelectual rebelde, nunca enquadrado por nenhuma instituição – acadêmica ou outra –, sempre original e livre em seus métodos de trabalho e em sua atração por questões fora do habitual costumeiro. Nessa admiração pelo mestre sou ultrapassado em muitas léguas por meu amigo e colega André Heráclio do Rêgo, historiador e diplomata (nessa ordem, como eu sou sociólogo e diplomata), que conhece profundamente a vida e a obra do seu conterrâneo de sete instrumentos disciplinares.
Aliás, além de meu prefácio “gilbertiano”, os poucos trabalhos registrados na pequena lista abaixo se referem na verdade à produção de André, com quem também compartilho uma grande admiração intelectual por outro historiador pernambucano, e diplomata como nós dois (mas muito maior): Oliveira Lima (a quem dediquei muitos trabalhos, inclusive um livro com o André, sobre o Historiador das Américas (2017).
Alinho primeiro as minhas fichas, depois transcrevo o teor do desses trabalhos, apenas para consolidar meu lado “freyreano”.
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Listagem dos trabalhos:
918. “Como e Por quê Sou e Não Sou Diplomata: (à maneira de Gilberto Freyre)”, Washington, 4 julho 2002, 2+6 p. Introdução, baseada no prefácio elaborado pelo escritor Gilberto Freyre para o seu livro Como e porque sou e não sou sociólogo (Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1968), a um volume de ensaios concebido como compilação de textos de caráter pessoal e institucional. Seguida de Posfácio (ou addendum): “O que sou, então?”, onde resumo o sentido de minha “antidiplomacia” e meu caráter de “escrevinhador” político. Texto revisto em 8 de julho e incorporado como prefácio e posfácio ao livro (trabalhos n. 976) A Grande Mudança: consequências econômicas da mudança política no Brasil (São Paulo: Editora Códex, 2003, ISBN: 85-7594-005-8). Relação de Publicados n. 399.
4436. “Gilberto Freyre, um intelectual na longa duração”, Brasília, 16 julho 2023, 4 p. Apresentação ao livro de André Heráclio do Rêgo: Entre o Império e a República: o século XIX na obra de Gilberto Freyre. Revisto em 17/07/2023. Publicado na obra de André Heráclio do Rêgo: Entre o Império e a República: o século XIX na obra de Gilberto Freyre (Brasília: Senado Federal, 2025, p. 11-12; ISBN: 978-65-5676-616-4). Divulgado no blog Diplomatizzando (5/06/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/06/gilberto-freyre-um-intelectual-na-longa.html). Relação de Publicados n. 1577.
4915. “Gilberto Freyre, um escritor; Paulo Roberto de Almeida, um escrevinhador”, Brasília, 3 maio 2025, 3 p. Transcrição de parte de meu prefácio ao livro A Grande Mudança: consequências econômicas da transição política no Brasil (2003). Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/05/gilberto-freyre-sobre-ele-mesmo-um.html).
5108. “Gilberto Freyre no longo século XIX do Brasil”, Brasília, 8 novembro 2025, 6 p. Prefácio ao livro de André Heráclio do Rêgo: O século XIX na obra de Gilberto Freyre: entre o Império e a República (Rio de Janeiro: Letra Capital, 2026; ISBN: 978-65-5252-277-1; p. 7-15). Relação de Publicados n. 1623.
Ler os trabalhos neste link:
https://www.academia.edu/165703160/5281_Eu_e_Gilberto_Freyre_ou_Gilberto_Freyre_e_este_modesto_sociologo_2026_ ou aqui:
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