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Historiador analisa as tensões entre Brasil, Alemanha nazista e EUA às vésperas da Segunda Guerra

Ohistoriador Vinícius Bivar, da Universidade de Brasília, investiga a política externa brasileira às vésperas da Segunda Guerra Mundial em The partnership that never was: a brief history of Brazilian diplomatic relations with the Third Reich, recém-lançado pelo Caliandra, selo editorial do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília.
Derivado de sua tese de doutorado defendida na Columbia University, o livro examina as relações entre Brasil, Alemanha Nazista e Estados Unidos em um cenário marcado por tensões ideológicas, rearranjos diplomáticos e a proximidade da guerra.
O livro está em inglês e pode ser baixado gratuitamente aqui, como todos os livros do selo:
https://livros.unb.br/index.php/portal/catalog/view/654/891/8287
A obra
No livro, o autor identifica um ponto de ruptura na incompatibilidade entre os projetos nacionais em disputa. A Alemanha de Adolf Hitler estruturava-se a partir de princípios raciais e expansionistas, enquanto o governo de Getúlio Vargas apostava em um nacionalismo de base cultural e integradora. Esse descompasso, somado às políticas de nacionalização adotadas no Brasil, contribuiu para o desgaste diplomático e levou ao rompimento das relações entre os dois países em 1938.
O estudo também acompanha o movimento de aproximação entre Brasil e Estados Unidos ao longo da década de 1930. A diplomacia brasileira utilizou a neutralidade e os acordos comerciais com a Alemanha como instrumento de negociação, buscando obter vantagens econômicas e políticas junto a Washington. Episódios como a Missão Aranha e a atuação do Office of Inter-American Affairs indicam a consolidação dessa reaproximação, intensificada com o avanço do conflito mundial.

” Este estudo demonstrou que o choque de nacionalismos entre a Alemanha Nazista e o Brasil desencadeou uma crise diplomática que acabou direcionando o alinhamento brasileiro para os Estados Unidos. Durante a década de 1930, ambos os países buscaram definir e consolidar suas identidades nacionais. No entanto, a crise foi impulsionada pela ênfase do regime nazista em concepções racializadas das relações internacionais e pela ideia de expandir a Volksgemeinschaft alemã para além de suas fronteiras. A visão de mundo (Weltanschauung) de Adolf Hitler entrou em choque irreconciliável com o nacionalismo de Getúlio Vargas, que admitia a miscigenação, criando uma barreira intransponível para a continuidade da relação cooperativa entre os dois países”, aponta Bivar no estudo.
A análise se apoia em correspondências diplomáticas, negociações comerciais e materiais de propaganda para demonstrar como o Brasil conduziu sua inserção internacional de forma pragmática. O alinhamento com os Estados Unidos aparece como resultado de cálculos políticos e econômicos que visavam fortalecer o Estado e ampliar sua margem de atuação no cenário internacional. Nesse processo, o país consolidou sua posição regional e se integrou às dinâmicas que definiriam a ordem do pós-guerra.
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