sexta-feira, 13 de março de 2026

Madame IA submete meu artigo sobre a "Submissão ao Império" ao seu crivo analítico - Airton Dirceu Lemmertz

Madame IA submete meu artigo sobre a "Submissão ao Império" ao seu crivo analítico - Airton Dirceu Lemmertz

A ficha original de meu artigo publicado é esta aqui:

5240. “A submissão ao império: da envergonhada à declarada”, Brasília, 11 março 2026, 4 p. Digressões sobre as relações Brasil-Estados Unidos e preocupação quanto a uma nova fase de submissão diplomática ao império trumpista. Colaboração com a revista digital Será? (ano xxiv, n. 701, 13/03/2026; link: https://revistasera.info/2026/03/a-submissao-ao-imperio-da-envergonhada-a-declarada/); reproduzido no blog Diplomatizzando (13/03/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/a-submissao-ao-imperio-da-envergonhada.html). Relação de Publicados n. 1627.

Aqui entra meu amigo Airton que submete meu texto à implacável validação de Madame IA, que está sendo mais boazinha comigo: 



O texto apresentado, de autoria do diplomata e historiador Paulo Roberto de Almeida, oferece uma análise sofisticada da trajetória pendular da política externa brasileira em relação aos EUA. Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica dos pontos centrais, segmentada por eixos temáticos:

1. A Genealogia da Subserviência: O Mito de Juracy Magalhães:
O autor realiza um importante trabalho de arqueologia semântica ao restituir o copyright da frase "o que é bom para os EUA é bom para o Brasil".
Crítica: A transferência da lógica corporativa (General Motors) para a lógica de Estado revela o cerne da ideologia do início do regime de 64: a crença na convergência absoluta de interesses entre o capitalismo central e a periferia. O autor acerta ao pontuar que a frase foi um "erro tático" de comunicação, mas erra quem a vê apenas como gafe; ela era a tradução sincera de um projeto de alinhamento ideológico que ignorava as assimetrias de poder.

2. Lula e a Subversão Retórica:
Um dos pontos mais perspicazes do relato é a descrição da manobra dialética de Lula em 2002.
Análise Detalhada: Lula não apenas "recuperou" a frase, ele a ressignificou como ferramenta de pragmatismo. Ao justificar a aproximação com a China (um tabu ideológico para a direita e para Washington na época) através de uma lógica "americanista", Lula esvaziou a crítica política e a substituiu por uma lógica de mercado.
Visão Crítica: O autor nota que Lula fugiu da pergunta sobre o Foro de São Paulo e o PCCh. Isso demonstra a habilidade do petista em operar na ambiguidade diplomática: manter a forma simpática aos olhos dos EUA enquanto construía as bases da diversificação de parceiros que definiria sua política externa (Sul-Sul).

3. A Institucionalidade do Itamaraty vs. Voluntarismo Político:
O texto estabelece um contraste claro entre a "corporação do Itamaraty" e os impulsos dos mandatários.
Análise: O autor defende a tese de que o Itamaraty possui um "DNA" de autonomia que sobreviveu até ao início do regime militar, retomando a Política Externa Independente (PEI) mesmo sob generais (Costa e Silva).
Crítica: Essa visão pode ser interpretada como uma defesa corporativista. Embora o Itamaraty tenha, de fato, um histórico de resiliência técnica, a análise sugere que a diplomacia é uma ilha de racionalidade. O autor utiliza termos como "pouco instruído" para Costa e Silva e "patético" para Ernesto Araújo para enfatizar que o desvio da norma não é apenas político, mas intelectual.

4. A Tese da Intervenção Democrática de Biden:
Este é o ponto mais controverso e original do texto. Almeida propõe que os EUA intervieram em 2022, mas desta vez em favor da democracia.
Análise Detalhada: A vinda de William Burns (CIA) e Jake Sullivan teria sido o "fiel da balança" para desencorajar o golpismo militar.
Crítica: Aqui reside uma ironia histórica profunda. O autor, um crítico contumaz da submissão ao "Império", reconhece que, em 2022, a chancela de Washington foi o que salvaguardou o processo eleitoral brasileiro contra o governo interno. Isso levanta uma questão crítica: se a democracia brasileira precisou da validação da CIA para ser respeitada por seus próprios generais, a soberania nacional permanece, de certa forma, tutelada, mudando apenas o "sinal" da intervenção (de pró-golpe em 64 para contra-golpe em 22).

5. Trumpismo e Bolsonarismo: A "Submissão Bizarra":
O autor finaliza com uma condenação severa ao período 2019-2022, diferenciando o "alinhamento tradicional" da "submissão pessoal".
Análise: Enquanto Juracy Magalhães via um alinhamento de Estados, o Bolsonarismo via um alinhamento de seitas ideológicas (anti-globalismo, olavismo). O autor argumenta que isso transformou o Brasil em um "pária", destruindo décadas de construção de soft power.
Crítica: A crítica de Almeida é técnica e ética. Ele aponta que o erro de Araújo e Bolsonaro não foi apenas alinhar-se aos EUA, mas alinhar-se a uma fração específica (e radical) da política americana, sacrificando os interesses permanentes do Estado brasileiro em favor de uma mística ideológica sem ganhos concretos (como a não entrada na OCDE ou a manutenção de tarifas).

* Conclusão:
O texto é um testemunho de quem viveu a máquina diplomática e deplora a sua degradação. A análise de Almeida sugere que o maior perigo para o Brasil não é o relacionamento com os EUA em si, mas a incapacidade das elites políticas brasileiras de distinguir entre cooperação estratégica e vassalagem ideológica.

Fonte (IA Gemini):

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