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segunda-feira, 23 de março de 2026

Por que 1776 ainda humilha o presente? - Alex Pipkin (Linkedin)

 Por que 1776 ainda humilha o presente?

Alex Pipkin, PhD em Administração

(Via Gerhard Erich Boehme, a quem agradeço)

“Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas do interesse próprio deles.” — Adam Smith, Magister Artium (M.A.)

O primeiro livro de Adam Smith amplamente difundido no Brasil foi The Wealth of Nations, no início do século XIX, após a criação da Imprensa Régia. Contudo, a obra não foi o primeiro livro oficialmente impresso no Brasil, mas apenas uma das mais influentes difundidas no país após 1808.

Quem me conhece, quem acompanha meus textos e reflexões ao longo do tempo, sabe da minha admiração quase reverencial pelo maior de todos: Adam Smith. 

Não se trata apenas de respeito intelectual. Trata-se da convicção de que poucas mentes compreenderam tão profundamente a natureza da prosperidade humana quanto aquele filósofo escocês do século XVIII.

Hoje, 9 de março de 2026, completam-se exatos 250 anos da publicação de "A Riqueza das Nações" (1776). Mas não estamos aqui para lustrar um busto de mármore. 

Precisamos urgentemente resgatar uma “arma”. Em uma era em que o intervencionismo estatal abissal é requentado e servido como "panaceia civilizatória", a voz de Smith ressoa não como um eco do passado, mas como um insulto à arrogância dos planejadores centrais, os coletivistas de hoje.

Smith foi o primeiro a desmascarar o "homem do sistema", esse arquétipo eterno do burocrata que, do alto de sua pretensa iluminação, acredita que pode mover indivíduos como peças inertes em um tabuleiro de xadrez. 

O que vemos ao nosso redor é, funestamente, a antítese de Smith. Tem-se um emaranhado de privilégios onde grupos de pressão capturam o Estado para sufocar a concorrência sob o manto de um "protecionismo salvador". É o triunfo do compadrio, de relações promíscuas, sobre a competência.

A genialidade de Smith foi admitir o óbvio que o poder insiste em esconder. A prosperidade não é um decreto de cima para baixo; é uma emergência. Ela brota da liberdade do padeiro, do cervejeiro e do açougueiro de perseguirem seus próprios interesses. Essa "mão invisível" é a mais sofisticada rede de cooperação voluntária já descrita. Ao buscar o seu melhor, o indivíduo é compelido pela mecânica das trocas a ser útil ao próximo. Você não janta pela caridade do produtor, mas porque a liberdade dele em buscar o próprio sustento o obriga a servir à sua necessidade.

Smith fulminou as barreiras comerciais e o intervencionismo não por preciosismo técnico, mas por rigor moral. Ele sabia que cada tarifa "protetora" é, na prática, um imposto sobre o cidadão para subsidiar o barão industrial bem conectado. É uma transferência de riqueza da liberdade para o privilégio oficial. Contudo, o edifício smithiano só para de pé por causa de sua fundação: "Teoria dos Sentimentos Morais" (1759). 

O mercado não é um vácuo ético, mas um ecossistema de confiança. Sem o "espectador imparcial" que nos governa internamente, a liberdade vira pilhagem.

Dois séculos e meio depois, a lição magna permanece, ou seja, a de que o Estado que se arroga o direito de planejar a vida dos indivíduos acaba apenas distribuindo a miséria comum. 

Adam Smith continua sendo o único antídoto real contra a engenharia social. 

É 2026 e precisamos, cada vez mais, de Smith e das liberdades econômicas e individuais e, claramente, de muito menos "progressismo do atraso". 

A liberdade não precisa de tutores, apenas de espaço para respirar. 

Ao cabo, tudo o mais é ruído; o barulho de quem teme perder o controle da narrativa e o poder de sedução das velhas “novas” ilusões.


terça-feira, 17 de março de 2026

Eleições brasileiras 2026: Bolsonaro martir? - Felipe Krause

Eleições brasileiras 2026: Bolsonaro martir? 

Felipe Krause 

Linkedin, 15/03/2026


Jair Bolsonaro is currently in the ICU with severe pneumonia. If he were to die in the coming weeks, the electoral implications for Flávio Bolsonaro would likely operate through several possible mechanisms.

First, a short-term sympathy effect. In tightly balanced races — recent polls place Luiz Inácio Lula da Silva and Flávio Bolsonaro at roughly 41 percent each — even small emotional shocks can produce measurable shifts. Bolsonaro remains the central symbolic figure of the Brazilian right, and his death could generate a temporary consolidation of support around his political heir.

Second, elite and voter coordination on the right. Bolsonaro’s leadership has historically structured the conservative coalition. His death could reduce internal fragmentation and reinforce a “legacy vote,” increasing turnout among Bolsonaroist voters and clarifying the election as a referendum on the continuation of Bolsonaroism.

Third, counter-mobilization. Bolsonaro is also one of the most polarizing figures in Brazilian politics. His death could equally intensify mobilization among anti-Bolsonaro voters aligned with Lula or the broader center-left, offsetting any sympathy effect.

Fourth, sympathy fatigue among moderate voters. Attempts to frame the campaign too heavily around mourning or political martyrdom could alienate centrist voters who prefer a return to programmatic debate rather than emotionally charged narratives. See my earlier post about the importance of moderate voters.

Fifth, fragmentation within Bolsonaroism. Bolsonaro’s personal authority has long functioned as the movement’s organizing anchor. In his absence, internal rivalries among conservative elites could intensify, potentially weakening the coherence of the Bolsonaroist coalition over time.

One thing is certain: timing would be decisive. Sympathy effects tend to be short-lived. A shock closer to the campaign’s peak or the vote itself could shift the race at the margin. Earlier shocks often dissipate. Brazil’s two-round system further moderates these effects, as the runoff typically re-centers competition on coalition breadth rather than emotional momentum.


sábado, 7 de março de 2026

OS BRICS E AS GUERRAS - Renato Baumann (Linkedin)

OS BRICS E AS GUERRAS

Renato Baumann

Linkedin, 7/03/2026

 

O grupo BRICS foi criado a partir da percepção de quatro economias emergentes quanto à importância de maior aproximação. O grupo tem como objetivo principal influenciar a governança global: seu peso econômico deve ser reconhecido através de participação mais expressiva no processo decisório global. 

As quatro economias correspondiam a continentes distintos. Não havia, contudo, representante africano. Essa carência foi contornada, pouco depois, pela inclusão da África do Sul. 

Em 2022 houve decisão que surpreendeu a maior parte dos analistas, ao se convidar um conjunto de seis países para se tornarem membros adicionais do grupo.

As dúvidas compreendem desde a falta de critérios objetivos para a ampliação do grupo até o fato de aí estarem países com conflitos bilaterais de longa data. Mas ninguém duvida de que a soma do potencial econômico desse conjunto de países é nada desprezível.

As possibilidades de sucesso na atuação conjunta de um grupo de países depende da homogeneidade de propósitos e da clara identificação de objetivos comuns. 

Um primeiro teste dessa homogeneidade surgiu quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Quando o tema foi a consideração da Assembleia Geral da ONU os demais BRICS se abstiveram.

Agora há um segundo teste, envolvendo o ataque ao Irã, país membro recente do grupo. Uma dimensão aparentemente esquecida pela imprensa. 

Em prol da homogeneidade se esperaria manifestação de apoio por parte dos sócios do Irã no grupo. Até o momento não se tem conhecimento disso.

As razões alegadas são de que o BRICS é um grupo econômico, não geopolítico. E trata-se de um arranjo informal, não uma instituição. Assim, não faz sentido esperar manifestação formal de parte do grupo. Seria mesmo difícil obter uma declaração, dados os ataques iranianos aos territórios de outros membros do grupo.

Esse silêncio confirma a dimensão estritamente econômica do grupo. De ser assim, no entanto, não fica fácil entender por que as Declarações que se seguem às reuniões de cúpula tenham tantos artigos de caráter geopolítico, condenando reiteradamente situações sensíveis em várias regiões. 

A sinalização do grupo nesse sentido não tem sido muito clara, e dá margem a dúvidas sobre como conseguir o requerido grau de homogeneidade.

sexta-feira, 6 de março de 2026

ÁSIA – TEORIAS QUE SURGEM E DESAPARECEM, GERADAS FORA DA REGIÃO. O INTERESSE PARA O BRASIL - Paulo Pinto (Linkedin)

 ÁSIA – TEORIAS QUE SURGEM E DESAPARECEM, GERADAS FORA DA REGIÃO. O INTERESSE PARA O BRASIL

Paulo Pinto
Embaixador do Brasil aposentado. Percursos diplomáticos diferenciados
Linkedin, March 3, 2026
https://www.linkedin.com/pulse/%C3%A1sia-teorias-que-surgem-e-desaparecem-geradas-fora-da-paulo-pinto-szvqf/

Conforme já afirmado acima, reitero que, no mundo atual, teorias sobre novos paradigmas regionais surgem e desaparecem, substituídas por teses geradas fora da região a que se aplicam, sem que sejam necessariamente contrárias, apenas inovadoras.
Em suma, o mundo aparenta adaptar-se a ordenamentos antigos ou inovadores, onde espaços e redes, compostos por interesses compartilhados, substituem a unilateralidade ditada, até recentemente, pelos EUA.
Em sucessivos exercícios de reflexão aqui publicados, não tenho pretendido apresentar estudos acadêmicos, no sentido de registrar pesquisas de grandes autores, sobre a formação política das partes do mundo onde trabalhei.
Durante o período em que recolhi minhas observações, procurei mapear tendências políticas e identificar atores que a conduziriam. Em retrospectiva, verifico que, por um lado, evoluções políticas não ocorrem necessariamente no âmbito de fronteiras que definem países. Por outro, os atores não são necessariamente os governos, mas, sim, a sociedade que serve e atua como palco e protagonista.
Ademais, as pessoas podem não estar cientes do processo de transformação em curso, durante o qual convivem o velho e o novo, há avanços, resistências, recuos e compromissos. Na prática, acontecem mais consensos do que compromissos.

Japão, China e Índia – Os Gansos e o Pavão
Tendo servido, como Diplomata, por 21 anos na Ásia-Pacífico – Pequim, entre 1982-85; Sudeste Asiático, entre 1986 e 1995, sucessivamente em Kuala Lumpur, Singapura e Manila; e Taipé-Taiwan, entre 1998 e 2006, seguindo para Mumbai, na Índia, entre 2006-09, tive oportunidade de vivenciar a ascensão e queda de teorias sobre novos paradigmas regionais.
Estas surgiram e desapareceram, substituídas por novas teses geradas fora da região a que se aplicavam, sem que fossem necessariamente contrárias, apenas inovadoras. Como ficou, por exemplo, a tese da “revoada dos gansos”, quando o “dragão chinês” e o “pavão” indiano [1] emergiram no cenário internacional?
Cabe recordar, a propósito, que, na década de 1980, acreditava-se que o Japão seria o “ganso” líder, em virtude de bem-sucedido processo de desenvolvimento industrial voltado para exportações. Na medida em que seus produtos vendidos ao exterior se tornassem mais sofisticados e caros, os bens de menor valor agregado teriam sua manufatura, gradativamente, transferida para outros locais vizinhos, na Coréia do Sul, Cingapura, Hong Kong e Taiwan. Estes viriam a tornarem-se novos “gansos” e a formar a tal “revoada” atrás dos japoneses.
O “dragão” chinês, então, não era considerado capaz de ser incluído nesta formação. As justificativas para a decolagem da China, no final do século passado, passaram a ser encontradas em ampla bibliografia sobre a questão de “valores asiáticos” e sua influência no processo dos “flying geese”. Segundo esta forma de pensar, o “hierático universo confuciano”, de origem chinesa, estaria permeando o fenômeno de crescimento da Ásia Pacífico, misturando gansos e dragão numa mesma revoada.
A partir do início do atual milênio, no entanto, o pavão indiano começou a marcar presença neste já eclético bando de aves, todas símbolos de crescimento econômico. Na Índia, contudo, além do pavão, de pouca autonomia de voo, há, em Mumbai, abutres, corvos e muitas - muitas mesmo - pombas que, com o comportamento errático idêntico ao dos demais habitantes do país – os seres humanos - não obedecem a preceito confucionista algum. Tornou-se necessário, portanto, criar discurso ou tese, para explicar o alardeado fenômeno de emergência daquele país no Sul da Ásia.
Assim, o ex- editor da revista “Economist”, Bill Emmott, publicou o livro “Rivals – How the power struggle between China, India and Japan will shape our next decade”, no qual cria abordagem inovadora para explicar a evolução dos países asiáticos, afirmando que as elites deles poderiam ser divididas entre “produtivas” e “parasitárias”.
Nessa perspectiva, ficava resolvida a questão do enquadramento do pavão no fenômeno de crescimento regional, na medida em que se atrelando ao aumento da produtividade das elites dos países dos gansos e do dragão, o animal indiano, agora, se veria livre de sua elite parasita.
Para o observador em Mumbai – onde eu servia e procurava estabelecer parcerias comerciais com o Brasil - no entanto, não caberia adotar – neste universo aviário – a simples postura de um papagaio (ave brasileira, conhecida por sua capacidade de imitação), no sentido de apenas imitar raciocínios gerados em capitais europeias e norte-americanas.
A título de exercício de reflexão, busquei outros enfoques sobre o ressurgimento da influência de civilizações asiáticas, no cenário internacional, sempre com a preocupação de identificar o interesse brasileiro nesse processo.
Deixarei, contudo, de elaborar, neste artigo e seguintes, sobre as dimensões econômica e de segurança da inserção internacional de China e Índia, uma vez que existe abundância de estudos sobre estes assuntos. O foco dos textos a seguir será na “influência civilizacional” daqueles dois países.
Isto porque, é possível concluir que, na medida em que os seres humanos se apropriam de maior riqueza e educação, suas diferenças culturais se tornam mais pronunciadas – não menos. Nesse processo, diferentes grupos perseguem visões distintas de bem-estar, bem como reagem de formas agressivas a ameaças perceptíveis a sua dignidade cultural.
As pessoas, agora, aparecem menos como indivíduos egoístas, voltados para a satisfação material, e mais como seres inseridos em suas respectivas sociedades.
Melhor direcionamento de foco, no que diz respeito à atual emergência da China e da Índia, deveria levar em conta, portanto, que o grande desafio do século atual é o entendimento de como as culturas evoluem, adaptam-se ou permanecem estáveis.
Verifica-se, finalmente, que, na medida em que se consolide a emergência da China e Índia, que possuem laços de vizinhança milenares, bem como se desenvolvam cooperação mais intensa e troca de ensinamentos sobre como administrar seus respectivos processos de crescimento exponenciais, haverá, sem dúvida, impacto significativo no ordenamento político internacional.
Isto ocorrerá, tanto pela maior inserção de ambos na economia mundial, quanto por suas diferentes formas de atrair e influenciar novos e velhos amigos.
Nesse contexto e utilizando a metáfora aviária asiática, proponho, modestamente, que o papagaio verde-amarelo (cores da bandeira brasileira) faça o esforço de pensar um Projeto Nacional Brasileiro, que inclua parcerias com a eficiência e necessidades chinesas e indianas de acesso a insumos para seu continuado crescimento econômico. Para tanto, poderíamos contar com a nossa capacidade de promover o diálogo entre diferentes culturas, bem como procurar soluções comuns para problemas compartilhados, enquanto se busca a geração de benefícios mútuos.
Desnecessário lembrar que ao Brasil interessa ter uma visão própria sobre aquela parte do mundo, pois, no começo, nossa inserção internacional deu-se, com as caravelas de Pedro Alvarez Cabral, no século XVI, na busca da “Rota das Índias”. Mais tarde, também por influência portuguesa – em função da presença de Portugal em Macau - costumes, crenças e saberes de origem chinesa foram introduzidos, logo no início de nossa História, na maneira brasileira de ser.
Reitero que é importante, quando se reflete sobre teorias a respeito do progresso recente de países asiáticos, relembrar-se do descrito no vídeo de referência:

https://youtu.be/L1Svu7P8Pfg?si=zM3rWNNG2bEQpJVw

quarta-feira, 5 de março de 2025

“LET’S MAKE CHINA THE CENTER OF THE WORLD AGAIN” - Paulo Pinto (Linkedin)

 

“LET’S MAKE CHINA THE CENTER OF THE WORLD AGAIN” 

Os chineses desenvolveram, bem cedo em sua História, uma visão sino cêntrica do mundo. Este pensamento incluía dois componentes principais. O primeiro era a ideia de que o Imperador da China reinava sobre aquele país e áreas vizinhas, sem que, entre estas, fosse estabelecida qualquer distinção ou limites geográficos - eram consideradas simplesmente uma vasta mancha amorfa.

O segundo aspecto dizia respeito à percepção chinesa de que o planeta -dentro dos limites então alcançáveis - poderia ser governado de forma harmoniosa e pacífica, como uma sociedade ideal, sob o mando de um Imperador virtuoso. Unidade e harmonia eram, assim, os objetivos a serem atingidos, numa visão utópica de como deveriam estabelecer-se as relações internacionais, sempre ditadas a partir de um centro de decisões localizado dentro da China[1].

Inicialmente, cabe ressaltar que as relações da China com o Sudeste Asiático – o entorno chinês mais próximo - foram historicamente marcadas pela busca constante do equilíbrio regional. Os chineses, assim, demonstravam determinação no sentido de pacificarem os "bárbaros" situados ao sul de suas fronteiras, ao mesmo tempo em que procuravam transmitir-lhes suas normas de comportamento confucionista.

Nesta perspectiva, a influência criada pela China era expressa pela sua incontestável superioridade, no plano interno, em termos de organização política e social, incluindo a defesa de normas éticas de comportamento que os chineses procurariam divulgar nas relações com outras nações. Não se buscava o domínio econômico ou a conquista territorial dos Estados vizinhos, com o emprego da força. Como resultado, o Sudeste Asiático tinha a percepção constante da existência de uma potência regional a ser levada em conta, mas não permanentemente temida[2].

Verifica-se, nessa perspectiva, que, graças a este tipo de relacionamento, ao chegar-se ao início da “política de modernização da China”, na década de 1980, houve desdobramentos que facilitaram o atual avanço do processo de congruência entre a área de influência tradicional da cultura chinesa e uma nova fronteira econômica da RPC.

A crescente regionalização da produção evoluía, de forma que a interação de novas tendências, como a redução nos custos da mobilidade dos fatores de produção e as economias de escala exigidas por processos produtivos crescentemente sofisticados, proporcionavam o surgimento dos chamados "tigres" ou "novas economias industrializadas".  Os efeitos de tais reajustes seriam evidentes no aparecimento de formas de relacionamento inovadoras, que incluiriam diferentes tipos de parcerias entre o Japão, novas economias industrializadas no Sudeste Asiático e partes da China.

A emergência de certos países e agrupamentos regionais, sempre de acordo com esta linha de raciocínio, não se deveria a experiências isoladas, mas a fenômeno integrado, que projetaria sobre a área, como um todo, os benefícios da acumulação de capital e da experiência modernizadora resultante da aplicação prática de novos conhecimentos científicos e tecnológicos.

A estabilidade e o progresso na Ásia Pacífico passaram a ser entendidos, por setores de opinião, como dependentes, cada vez mais, de processos de cooperação que garantissem a negociação entre suas diferentes culturas. Nesse contexto, despertava crescente interesse os vínculos históricos entre a China e o Sudeste Asiático.

Isto porque, a maioria dos países do Sudeste Asiático compartilha - conforme assinalado acima - de passado que os inseriu, em maior ou menor escala, em esfera de influência de duas grandes civilizações: a chinesa e a indiana, que interagiram, através dos séculos, com culturas locais. O Budismo, o Islã, o Hinduísmo e o Confucionismo deixaram, assim, marcas profundas que continuam a diferenciar ou aproximar pessoas.

A este mosaico de heranças culturais seculares, somou-se, mais recentemente, o colonialismo europeu que impôs, pela força, novos valores e normas de organização e comportamento. A partir do término da Segunda Grande Guerra, os Estados recém independentes da região foram divididos, pela rivalidade ideológica das superpotências, entre os que serviriam como a vitrine da economia de mercado e os que seguiriam o sistema de planejamento centralmente planificado.

Com a multipolaridade resultante do término da Guerra Fria, ocorreu o recuo das esferas de domínio de Washington e Moscou. Como consequência, no Sudeste Asiático, tornou-se possível o ressurgimento de influências político culturais antigas, como a chinesa. Hoje, quando se discutem os efeitos da presença avassaladora da cultura de massa, resultante da globalização, os países da área buscam, em sua própria região, marcos de referência que permitam afirmar valores, ideias e crenças, consolidadas através de uma história compartilhada numa geografia determinada.

No Sudeste Asiático, nessa perspectiva, verificou-se a gestação de um novo conjunto de mudanças que afetaram não apenas a economia, através da reorganização frequente de suas vantagens competitivas, transformações técnico industriais nas formas de produzir e alterações na organização da sociedade. Tudo isso ocorreu, no entanto, com a preservação de valores culturais que, passando de geração a geração, garantiram uma base de sustentação do modelo que se consolidava.

Na prática, este processo evoluiu com a busca da construção de sucessivos "building blocks". Na primeira etapa dessa construção de blocos, logo após o desaparecimento de Mao Zedong, integrou-se o próprio sistema econômico chinês.  Em seguida, foi permitida a abertura de cidades costeiras ao comércio internacional, com a criação das Áreas Econômicas Especiais, onde foram adotadas práticas de economia de mercado dentro de um sistema centralmente planificado mais amplo. Os blocos seguintes foram surgindo ao longo do rio Yangtze, até chegar a Xangai, onde se situaria a "cabeça do dragão".

Gradativamente, houve a consolidação de Hong Kong e Macau no sistema produtivo da RPC. A crescente integração econômica - e futuramente política - com Taiwan será o passo seguinte. A expansão da fronteira econômica chinesa em direção ao Sudeste Asiático foi a fase seguinte, que foi facilitada pela existência, ao Sul da China, de uma rede de indivíduos com origem étnica comum, chamados “chineses de ultramar", que têm como referência uma mesma identidade cultural.

Assim, gradativamente, chegou-se a uma congruência entre a área de influência tradicional da cultura chinesa e uma nova fronteira econômica da RPC.

Este último desenvolvimento ocorreu através de um fenômeno de "cross fertilization", caracterizado por intercâmbio de referenciais de valores, entre aquela área considerada historicamente como situada na periferia do Império do Centro e a RPC.

O conjunto de transformações ocorreu de forma a sugerir, mesmo, a emergência de um novo paradigma regional. Isto porque, por um lado, a existência de uma base cultural chinesa servia de plataforma de sustentação para um processo de cooperação com o Sudeste Asiático.

Por outro, houve os tipos de contribuições seguintes:

- Os países bem-sucedidos como a "vitrine do Capitalismo no Sudeste Asiático" - a exemplo de Cingapura - indicaram os rumos para o aperfeiçoamento da "economia socialista de mercado", com características chinesas, então buscada pelo programa de modernização da RPC; e

- A persistência do Vietnã em manter seu sistema central de planejamento, ao mesmo tempo em que adotou "práticas de economia de mercado", reforçou a proposta chinesa de preservar a vertente "socialista" entre as medidas adotadas, no programa de modernização da República Popular da China.

O interesse quanto à reflexão sobre o tema deve-se à influência que a emergência de um bloco político de interesses recíprocos e de mega proporções - como o representado pela China e o Sudeste Asiático - exerce no ritmo de integração e cooperação na Ásia-Pacífico, um dos laboratórios de modernidade do planeta, bem como, conforme assinalado na introdução, o enfraquecimento do modelo unipolar em vigor, determinado pelos EUA, comece a recuar em suas áreas de influência conquistadas nas últimas décadas.

Haveria espaço futuro para o renascimento de algo a sugerir como um centro do mundo situado na China? Seriam as “Rotas das Sedas” iniciativas chinesas nesse sentido?

A ROTA DAS SEDAS MARÍTIMA E O “CINTURÃO” EUROASIÁTICO

“A maior parte da China é desprovida de litoral, o que leva o país a voltar-se muito mais para a terra do que ao oceano. A contribuição de Zheng He[3], portanto, significou tanto a propagação da ‘civilização terrestre’ chinesa (pelo Sudeste Asiático), quanto a divulgação interna, na China, da experiência de contato com “civilizações marítimas”.nbsp; O Século XXI será direcionado para os oceanos. O pensamento voltado para os oceanos significa abertura e civilização, avanço e progresso. Cabe resgatar, portanto, o espírito de Zheng He e marchar em direção à abertura proporcionada pelo desenvolvimento pacífico de ampla civilização marítima”4]

A citação faz parte do discurso atual de Pequim de recorrer à História, para demonstrar a importância dos oceanos à interação entre a “civilização terrestre chinesa” e as civilizações ultramarinas, enquanto busca dar versão benigna às viagens do Almirante Zheng He, ocorridas há 600 anos, ao Sudeste Asiático.

Existem, no entanto, críticos severos da tese atual dos dirigentes chineses, quanto aos efeitos dos périplos de Zheng He. Setores de opinião descrevem suas viagens como predadoras e destinadas a criar vínculos de dependência, entre as nações “visitadas” e o então poderoso Império chinês.

Os dirigentes chineses pretendem, de qualquer forma, resgatar as referidas expedições marítimas históricas como registro de suas “intenções pacíficas” e exemplo da permanente busca de “harmonia” – em oposição a “hegemonia” – nas relações da China com seus vizinhos ao sul de suas fronteiras. O Partido Comunista Chinês (PCC), portanto, se esforça, tanto no plano interno, quanto no das relações com o exterior, no sentido do convencimento de que, em todos os momentos de emergência do país – há 600 anos, como agora - a China pode ser forte, sem representar ameaça regional ou mundial.

Este enunciado de intenções pode ser tranquilizador para os que habitam ao sul da China. Na década de 1980, principalmente, havia extrema preocupação, no Sudeste Asiático, quanto a possível “China Threat”, diante da abertura daquele país ao exterior. Agora, haveria pelo menos um enunciado de intenções pacíficas sínicas com respeito a seus vizinhos austrais.

Existe, contudo, proposta chinesa recente de criação de uma nova Rota das Sedas (também chamada de “cinturão”), como um projeto estratégico que visa a transformar a Ásia Central de sua condição atual de “land locked” (sem acesso ao mar) em “land-linked” (com ligação terrestre) proporcionando, assim, acesso a mercados e portos no Oceano Índico, Golfo Pérsico e Oceano Atlântico.

Sua implementação representará, sem dúvida, a melhoria da malha ferroviária através da região, ligando o Irã ao Tajiquistão [5], atravessando o Afeganistão e chegando à fronteira com a China. Em sua dimensão de “ponte terrestre eurasiana”, conjuntos de ferrovias, estradas e dutos conduzirão bens e recursos naturais, nos dois sentidos, entre o porto de Lianyungang, na China oriental, através do Cazaquistão, na Ásia Central, até Roterdam, e entre o delta do Rio das Pérolas, no sudeste da China, através do Sudeste Asiático, e também Roterdam. Cabe lembrar que já existe a ferrovia transiberiana, no percurso de Vladivostok, na Rússia oriental, a Roterdam.

A RPC entende, nessa perspectiva, uma “New Silk Route” (ou cinturão, “belt”) como ligação terrestre para facilitar seu abastecimento de recursos naturais e a venda de produtos “made in China”. Para tanto,  a China pretende utilizar esta intensa capilaridade de ferrovias, estradas e dutos [6].

Torna-se pouco convincente, no entanto, que a China queira relacionar sua expansão, pelo continente eurasiano, com o ressurgimento da “Rota das Sedas” (marítima, pelo Sudeste Asiático). A visão chinesa, neste caso, busca a mesma justificativa utilizada no caso das viagens marítimas do já referido Almirante Zheng He, que projetara – sempre de acordo com a narrativa de Pequim - poder e cultura chineses superiores, principalmente no Sudeste Asiático, há seiscentos anos.

De “Building Blocks”, no Sudeste Asiático, à Expansão por Círculos Concêntricos, na Ásia Central.

A montagem de esfera de influência da China, na Ásia Central, não parece seguir o mesmo processo de emergência pacífica de sucessivos blocos, no contexto de identidade cultural compartilhada – conforme a teoria acima exposta para a reintegração do Sudeste Asiático à antiga esfera de influência do Império do Centro. Observadores centro-asiáticos, a propósito, temem que a expansão chinesa em curso naquela região siga o rumo de “círculos concêntricos”, com base em teoria de “fronteiras estratégicas”.

Na medida em que seria possível raciocinar, com respeito às relações da China com a Ásia Central, nos mesmos termos de sucessivos blocos - conforme a teoria defendida pela RPC para a reintegração do Sudeste Asiático na antiga área de influência do Império do Centro – caberia identificar, inicialmente, o caminho seguido por Pequim, no esforço de expansão ocidental de seu território.

Lembra-se, a propósito, que, com o colapso da União Soviética, em 1991, estados independentes, com forte influência do Islã, surgiram ao redor das fronteiras ocidentais da China. De repente, diante do efeito demonstrativo da emancipação da URSS de novas Repúblicas, como a do Tajiquistão, onde predomina a mesma religião, Pequim se viu forçada a confrontar desafios a sua autoridade na província limítrofe mais remota – a de Xinjiang que, apropriadamente, significa “nova fronteira”, no idioma chinês. A prioridade da RPC foi, desde o início da década de 1990, a manutenção do domínio e estabilidade sobre seu próprio território.

O conceito de fronteira empregado no que diz respeito à Xinjiang, no entanto, sempre teve, para Pequim, conotação bastante “móvel”. Isto é, dependendo da necessidade de explorar recursos e da capacidade de projetar poder para garantir tal apropriação, o traçado destas “fronteiras” poderia expandir-se ou retrair-se.

Em seu livro “The New Silk Road Diplomacy”, Hasan H. Karrar[7] explica que “the optimum level of expansion varied over time, a fact borne out by the cyclical expansion and withdrawal from Western Regions that corresponded with the centre’s ability to project decisive power into the contested frontier zone”.

Com o crescimento econômico acelerado recente, no entanto, a RPC começou a identificar crescente competição internacional por recursos energéticos e influência na Ásia Central, agora livre do controle que Moscou exercia sobre a extinta URSS.

Nessa perspectiva, sempre de acordo com Hasan Karrar, imperativos de ordem econômica e de segurança determinam a estratégia expansionista chinesa, a partir da província de Xinjiang, no sentido ocidental, em direção à “Eurásia”. Registra, a propósito, que durante a Dinastia Qing, em 1884, aquele território foi incorporado pelos chineses e, em 1949, tornou-se uma “região autônoma” da recém fundada República Popular.

Sempre segundo este raciocínio, o conceito de uma nova Rota das Sedas (cinturão), para os chineses, significa, inicialmente, a estabilização de Xinjiang, que, como se sabe, tem sofrido períodos de intensa turbulência. Em sua expansão ocidental, em direção à Eurásia, a China continuaria no esforço de desenvolver as regiões ocidentais mais remotas e garantir o fornecimento de recursos naturais.

Haveria, assim, uma visão chinesa de que a expansão de suas fronteiras no sentido ocidental seria dependente de uma política de sucessivos círculos concêntricos. Isto é, haveria um centro de poder em Pequim que, dependendo do poderio militar e força econômica do momento, teria capacidade de projetar ou retrair influência além de seu território, criando os tais círculos concêntricos. Este tipo evolução ou retração teria ocorrido, de forma cíclica, no decorrer da longa história da China.

Cabe registrar que a Ásia Central tem representado área propícia para sucessivos períodos de expansão de diferentes impérios - além do chinês - tendo em vista a fragilidade das diferentes formas de instituições políticas que lá se instalaram, bem como abundância de atores não estatais, que variam de traficantes e bandos de saqueadores a pequenas aldeias. Essa complexidade é bem descrita no livro “The Great Game”, de Peter Hopkirk.[8]

Enquanto isso, Pequim continua a evocar narrativas das viagens de Zheng He, que servem como conforto para os que se preocupam com sua expansão marítima. A projeção de seu poder terrestre, no entanto, não combina com a ideia de ascensão pacífica marítima chinesa, conforme mencionado acima. Reflete, sim, esforço de expansão de doutrina de fronteira estratégica.

Sabe-se, a propósito, que a China não adere ao conceito ocidental westfaliano sobre nações-estados, com fronteiras estabelecidas. Ademais, a preferência da RPC por “fronteiras estratégicas” leva observadores a acreditarem que a RPC é motivada por uma proposta de “Lebensraum”, ou “espaço vital” que foi, como se sabe, pedra fundamental da filosofia de Adolf Hitler, que acreditava merecer a Alemanha territórios adicionais, principalmente na região eslava oriental, para crescer.

O impulso atual da RPC, em direção aos territórios da Ásia Central, lembra política japonesa da década de 1930, que levou à invasão  do território chinês da Manchúria. Com base na ideologia chamada de “Manchukuo”, a agressão nipônica era dividida em três etapas: 1) amplo investimento na infraestrutura para a extração de recursos naturais; 2) intervenção militar para a proteção de interesses econômicos; e 3) absorção sociopolítica, com o estabelecimento de governo fantoche. Este foi o processo adotado pelos japoneses, na década de 1930, com a invasão da Manchúria e o posterior estabelecimento, no “governo” daquela província chinesa do “Imperador Puyi”, da já então extinta dinastia chinesa Qing.

No que diz respeito à “Rota das Sedas”(cinturão), situa-se em região que separa a China da Ásia Central e Europa e é uma das mais inóspitas do mundo. A maior parte é coberta pelo deserto de Taklamakan, e sofre pela ausência de chuva e por frequentes tempestades de areia. Apesar de poucas estradas, em péssimas condições, caravanas fizeram seu percurso, durante séculos.

Ao invés de comercializar sedas, porcelanas, tapetes, pérolas e especiarias, os chineses hoje vendem eletrônicos, automóveis, aparelhos de telecomunicações, enquanto investem em portos, ferrovias, estradas, projetos de exploração de gás e petróleo e minas.

No momento, a China aparenta estar expandindo seus interesses por acesso a recursos naturais e a novos mercados, ao Pacífico Ocidental, ao redor da periferia dos países do Sudeste Asiático, e ao Sul da Ásia, bem como em direção à Ásia Central e crescentemente sobre o continente eurasiano.

CONCLUSÃO

Este artigo, propositalmente, deixa de mencionar as “Rotas da Seda” já presentes nos continentes africano e latino-americano.

Com respeito ao relacionamento da RPC com o Sudeste Asiático, Pequim formula discurso com o realce de laços históricos - mencionados no decorrer deste texto - que têm sido capazes de garantir a inserção internacional chinesa atual em universo de influência cultural do antigo “Império do Centro”. Procura, então, dar versão benigna às viagens do Almirante Zheng He, ocorridas há 600 anos, aos mares austrais do continente asiático.

Quanto à Ásia Central e Eurásia, registram-se formulações quanto ao ressurgimento de uma Nova Rota das Sedas. Esta, no entanto, parece basear-se na consolidação de corredores já existentes há séculos, através do Continente Eurasiano.

Nessa perspectiva, a China está empenhada na frenética construção de ferrovias, estradas e dutos para a importação de recursos energéticos, através da Eurásia. Tais vias de transporte substituirão as caravanas de camelos da antiga Rota das Sedas. Da mesma forma, a moderna Marinha da RPC substitui a frota de Zheng He, nas costas da África e do Mediterrâneo.

O vazio, em termos de discurso chinês atual sobre suas intenções quanto à Ásia Central e Eurásia, a propósito, permite o surgimento de análises com base em formulações tradicionais naquele país. Assim, segundo o I Ching (livro de “previsões chinesas”) existem cinco elementos na natureza: terra, água, madeira, fogo e metal. Em torno destes, são feitos diagnósticos médicos, arrumadas divisões e móveis em escritórios e apartamentos e preparadas receitas culinárias, entre outras utilidades.

Há, também, raciocínios de inserção internacional da China que seriam condicionados por tais variáveis (participei de seminário em Singapura, dedicado a formulação de cenários de agregação regionais, quando servi naquele país na década de 1990).

Assim, a terra seria o elemento do Império do Centro, que por definição, se situa no “centro do mundo” – conforme mencionado no título.

A terra absorve a água, que representaria os países ao norte. Daí, os chineses nunca terem temido, por exemplo, a extinta União Soviética, pois acreditavam que seu exército popular, com milhões de indivíduos, absorveria eventuais forças invasoras da URSS, mesmo diante da superioridade de equipamento militar do vizinho.

A madeira, contudo, fere a terra e situa-se a leste, onde se encontra o Japão, inimigo histórico, capaz, sim, de ferir a China – conforme já o demonstrou.

Ao sul do país que se considera central, aparece o Sudeste Asiático representado pelo fogo – que também pode ser apagado pela terra. Daí, talvez, os dirigentes atuais da RPC, inspirados pelo I Ching, buscam estreitar as relações com aquela parte do mundo, precavendo-se contra labaredas de desconfianças históricas.

Ao ocidente, em direção à Ásia Central e Eurásia o elemento é o metal – que deriva da terra. Na perspectiva deste tipo de formulação simplista - mas ilustrativa - da inserção internacional da RPC, parece que o país que se considera no centro do mundo, entenderia ser direito seu expandir-se sobre terras ocidentais, em processo cíclico, sempre que haja recursos estratégicos que o justifiquem e poder que lhe permita assim proceder.

Pode ser oportuno, no entanto, conhecer o discurso da China sobre sua ascensão pacífica terrestre, em direção oeste, no rumo da Ásia Central e Eurásia, na medida em que a proposta, hoje prevalecente, de um mundo unipolar que se pode, cada vez mais, definir como o governo “of the Real State, by the Real State, for the Real State”, comece a recuar na face do planeta.

[1] . Fairbanks, John K; “East Asia - Tradition and Transformation”,. Modern Asia Editions. l976.

[2].  Pereira Pinto, Paulo Antônio “A China e o Sudeste Asiático”, Editora da Universidade – UFRGS. 2000.

[3] “Wikipedia, the free encyclopedia” http:en.wikipedia.org/wiki/Zheng_he.

[4]Jornal do Povo, em Pequim, em 12.07.05. Artigo “Why do we commemorate Zheng He?”

[5] “Wikipedia, the free encyclopedia”- A República do Tajiquistão é um país montanhoso encravado da Ásia Central. Faz fronteira com o Afeganistão ao sul, com o Uzbequistão ao oeste, Quirguistão ao norte, e a República Popular da China ao leste.

[6] Lin, Christina , “Visiting Scholar at the Center for Transatlantic Relations at the Paul H. Nitze School of Advanced International Studies”, - Resumo de trabalho intitulado “China’s New Silk Road to the Mediterranean: The Eurasian Land Bridge and Return of Admiral Zheng He”, Outubro de 2011. “ISPSW Strategy Series: Focus on Defense and International Security”.

[7] KARRAR, Hasan H. 2010.“The New Silk Road Diplomacy – China’s Central Asian Foreign Policy Since the Cold War”.

[8] Kodansha International, New York.


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