quinta-feira, 21 de maio de 2026

Alexander Stubb: Rebalancing the New World Order: Cooperation in Fragmentation - The Geopolitics and Security Studies Center

Alexander Stubb 
Rebalancing the New World Order: Cooperation in Fragmentation
Geopolitics and Security Studies Center
https://www.youtube.com/watch?v=J9SHdYr5zeM

11.076 visualizações 19 de mai. de 2026
The Geopolitics and Security Studies Center hosted a discussion in ‪@tesonewsflash7257‬ with H.E. Alexander Stubb, President of the Republic of Finland.

The conversation, “Rebalancing the New World Order: Cooperation in the Age of Fragmentation”, focused on the changing world order, the future of transatlantic security, NATO’s role, Europe’s responsibility for its own security, and the importance of cooperation in an increasingly fragmented international environment.

President Stubb discussed the emergence of a more multipolar world, the West’s relationship with geopolitical competitors, emerging powers, and the Global South. A central theme of the discussion was values-based realism: how democratic states can remain committed to their principles while acting realistically in a complex international environment.

The conversation was moderated by Linas Kojala, GSSC Director (CEO).

The event was held in English. 

Tensões geopolíticas: então e agora - Paulo Roberto de Almeida

Tensões geopolíticas: então e agora 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Reflexões sobre um conceito e especificidades históricas 

Quando se fala em “tensões geopolíticas”, a tendência de analistas acadêmicos, ou até dos jornalistas, parece ser a de colocar as atuais tensões, supostamente existentes entre as três grandes potências da atualidade – ou seja, EUA, China e Rússia –, no mesmo quadro histórico-mental das antigas ou tradicionais “tensões geopolíticas” do planeta, seja a do antigo “equilíbrio de potências”, entre 1870 e 1914, seja a das ameaças das potências revisionistas dos anos 1930 (Itália fascista, Alemanha nazista e Japão militarista), todas elas expansionistas, seja ainda aquelas existentes na Guerra Fria dos anos 1947-1991, agora chamada de Primeira Guerra Fria, na suposição de que já entramos numa Segunda Guerra Fria, entre EUA e China, agora a segunda maior do mundo, depois dos EUA, ao que parece em declínio irreversível (sobretudo sob o desequilibrado presidente Trump).

Não tenho certeza de que o mesmo modelo se aplica, e que existam, realmente, “tensões geopolíticas” entre as três. No mundo do jornalismo, tradicional ou opinativo (isto é, de análise das matérias, topicamente ou colunistas), todos mencionam as “tensões” existentes entre as três grandes potências, sendo todas as demais – União Europeia, Índia, Brazil, Indonésia etc. – meros coadjuvantes, em aliança ou coordenação com algumas dentre as três grandes. Se aplicarmos o “padrão Trump” – na verdade, não existe nenhum padrão, apenas um estilo confuso – de análise, as “tensões” só existiriam entre os EUA e a China, como aliás já revelado em inúmeros “alertas” saídos do Pentágono, revelando sua paranoia tradicional contra o contendor do momento, ou colocado no centro do possível futuro conflito entre essas duas, tal como exemplificado pelo livro do professor Graham Allison, de Harvard, sobre a “armadilha de Tucídides” no eventual conflito direto entre as atuais Atenas estabelecida (Washington) e a Esparta ascendente (China).

Se eu interpreto bem o que pensa (se ele pensa) e o que agita o desequilibrado presidente americano, o que ele pretende, realmente, não é exatamente um confronto com as outras duas potências – sobretudo não com a Rússia, da qual ele é um aliado, senão um serviçal –, mas sim uma espécie de Yalta 2, ou seja, uma reunião fotografada entre os três grandes líderes mundiais, devotados a uma nova “divisão do mundo” em suas respectivas “zonas de influência”. Trump parece que veria com extrema satisfação uma nova foto histórica na mesma posição de 1945 – Roosevelt, Stalin, Churchill – apenas que com ele ao lado de Putin e Xi Jinping, “resolvendo” os problemas do mundo.

Se for realmente isso, o que Trump ainda não conseguiu, não haveria, então, nenhuma “tensão geopolítica” de qualquer tipo entre os novos três grandes, mas apenas uma convivência aceitável entre elas, de maneira a dividir os “espólios” do resto da humanidade. Não imagino, tampouco, que Xi Jinping se seduziria por uma reunião e uma foto desse tipo, pois isso o colocaria como uma espécie de simples coadjuvante num cenário desenhado e animado por Trump, que é o megalomaníaco do momento. Putin aceitaria sem hesitação uma tal possibilidade, pois dos três ele é o único em decadência real, em dificuldades de sobrevivência, ao ter decidido erradamente, cinco anos atrás, conquistar um trânsfuga do antigo império soviético, aliás o mais desenvolvido industrialmente.

Em conclusão, não creio que as atuais “tensões geopolíticas”, se de fato existem, o que ainda precisa ser discutido, tenha qualquer coisa a ver com as tensões do passado, que levaram a duas conflagrações globais e a um impasse de quatro décadas entre um Atenas triunfante e uma Esparta que transpirou, se exibiu, como dominante e ameaçadora durante os setenta anos de existência do “comunismo”, e depois estrebuchou, deu dois suspiros e simplesmente morreu de inanição própria, jamais vencida pelo capitalismo ou pelo imperialismo americano. Algumas analogias permanecem entre a primeira Guerra Fria e a supostamente atual, como por exemplo no “keynesianismo militar” do presidente Reagan e sua “guerra nas estrelas”, e o atual projeto de Trump de protagonizar um novo “domo de ouro”, já denunciado por Putin e Xi como desestabilizador dos “equilíbrios geopolíticos” atualmente existentes. Não creio que esse projeto megalomaníaco seja factível, tendo em vista o grande buraco nas contas públicas dos EUA, mas ele oferece matéria para jornalistas e acadêmicos.

Enquanto isso, la nave va, isto é, o mundo caminha mais pela arrogância dos poderosos do que pela racionalidade dos estadistas (se é que existem atualmente), e assim permanecerá pelas próximas décadas, até que um novo Hegemon se afirme (a China, previsivelmente), outro pretendente afunde de vez – a Rússia é uma séria candidata a ser o Reino Unido do século XXI – e os EUA, sob um presidente normal consiga restabelecer as bases de sua preeminência econômica, tecnológica e militar. Por enquanto vamos continuar nesse “balé geopolítico” entre os três grandes, o que afeta o resto do mundo, mas não ao ponto de prejudicar suas possibilidades de desenvolvimento autônomo (desde que possuam projetos nacionais compatíveis com suas possibilidades reais, o que não parece ser o caso do Brasil atual). Quanto aos atores “juniores”, como o próprio Brasil, isto é, as potências médias, eles fariam melhor de se aliar entre si, para cuidar de seus assuntos afins, o que compreende se proteger contra as maldades dos grandes, em lugar de procurar qualquer alinhamento ou parceria estratégica com algum deles, sabendo que eles não são confiáveis.

Finalmente, essa coisa de uma “nova ordem global multipolar” é, em minha opinião, uma fraude completa, como já argumentei, mediante quatro argumentos contrários, em meu artigo “Nova Ordem Global Multipolar?” (Brasília, 20 maio 2026, 2 p.; divulgado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/nova-ordem-global-multipolar-paulo.html). Vamos continuar a debater.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5322, 21 maio 2026, 3 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (21/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-entao-e-agora.html).

 

 

Livro celebra 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco - Júlia Costa (Correio Braziliense)

 Livro celebra 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco

Coletânea celebra a produção intelectual de Afonso Arinos, que foi senador, deputado federal, diplomata e membro da ABL

Livro celebra 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco -  (crédito: Divulgação)
Correio Braziliense, 17/05/2026 07:00 / atualizado em 18/05/2026 12:55 

https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2026/05/7420627-livro-celebra-120-anos-de-afonso-arinos-de-melo-franco.html#google_vignette

Para celebrar a produção intelectual e o aniversário de 120 anos do ex-senador, deputado federal e diplomata Afonso Arinos de Melo Franco, o jornalista Rogério Faria Tavares e o professor Arno Wehling, membro da Academia Brasileira de Letras, organizaram a coletânea Nos 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco. Dividido em 17 ensaios, escritos por estudiosos e contemporâneos de Arinos, o livro passa pelas diferentes áreas de atuação do intelectual. 

Durante a carreira política, Afonso Arinos foi deputado federal por Minas Gerais e senador pelo Rio de Janeiro. Entre os feitos do político, Rogério Faria Tavares destaca a Lei Afonso Arinos, de 1951, que transformou a discriminação de caráter étnico-racial em infração criminal. "É considerada um marco divisor de águas na história do antirracismo no Brasil. Isso foi muito importante. Por essa proposta, Afonso Arinos recebeu várias ameaças de morte e trotes e foi muito ofendido por conta da sua defesa do antirracismo", diz Tavares.

Como chanceler do governo de Jânio Quadros, em 1961, foi um dos elaboradores da Política Externa Independente, marco da diplomacia brasileira. "Até 1960, a política externa brasileira se alinhava muito aos interesses norte-americanos, afinal, nós vivíamos no tempo da Guerra Fria", explica Tavares. "Arinos enuncia a Política Externa Independente, que o Brasil agora se alinha sobretudo aos seus próprios interesses nacionais, que são aqueles que guiam as ações do Brasil na sociedade internacional." 

Arinos defendeu a maior aproximação entre o Brasil e os países africanos, asiáticos e latino-americanos e foi ainda o primeiro chanceler brasileiro a visitar o continente africano. Após sair do Itamaraty, foi chefe da delegação brasileira na Assembleia Geral das Nações Unidas e professor da UERJ e UFRJ. 

A produção intelectual de Arinos passa ainda pelo direito constitucional, ciência política e crítica literária. Para o livro, os organizadores elencaram as áreas de atuação de Arinos e convidaram autores que pudessem escrever sobre cada uma dessas facetas. "Formamos um grupo muito qualificado de autores que conviveram com Afonso Arinos e que puderam dar depoimentos pessoais, como José Sarney, Bernardo Cabral, Joaquim Falcão e seu neto Cesario Mello Franco", diz Tavares. "Encontramos autores contemporâneos como Christian Lynch, Airton Cerqueira Leite Seelaender e Luiz Feldman que são da geração jovem, mas que têm uma grande condição de analisar o que Afonso Arinos fez."

Tavares exalta o legado do intelectual como defensor da educação, cultura e escrita. "Um homem que defendia o poder das ideias, dos pensamentos e a importância de que todo cidadão tenha acesso à cultura, ao conhecimento, à educação, aos estudos e ao ensino. Ele foi um intelectual na política, um homem de reflexão, mas também de ação", afirma. 

Como político, lutou contra o autoritarismo e o fanatismo. "Ele teve adversários políticos de quem discordava e até de forma veemente, como Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas. Mas a situação de ter adversários políticos jamais fez com que ele elevasse esses adversários à condição de inimigos", afirma. "E esta é uma lição que Afonso Arinos deixa para nós. É possível discordar e divergir, isso faz parte do jogo político e democrático, mas não é necessário berrar, gritar, ofender, insultar ninguém."

*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel


Postagens PRA blog Diplomatizzando, 1 a 18 de maio de 2026 - Paulo Roberto de Almeida

Postagens PRA blog Diplomatizzando 2026

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Listagem apenas serial das postagens efetuadas entre 1/05 e 18/05/2026

 

A postagem, retroativa, parte deste balanço de minhas “relações” com Madame IA (ou seja, Gemini IA), tal como efetuado por Airton Dirceu Lemmertz, em 18/05/2026, e segue até o início do mês, apenas, com uma postagem sobre os “penduricalhos” da aristocracia da magistratura, assaltando os recursos públicos, nesta postagem:

5296. “Likes and dislikes”, Brasília, 1 maio 2026, 1 p. Nota sobre o que mais gosto e o que mais desgosto. Divulgado no blog Diplomatizzando (1/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/likes-and-dislikes-paulo-roberto-de.html).

 

Relacionados apenas os títulos, num total de 82 postagens em 18 dias, ou seja, cerca de 4,5 postagens por dia:

1)    Euzinho, sozinho, e Madame IA, secundada e assesso...

2)    Dolarizar países da América Latina: mas justo agor...

3)    Guerreiro Ramos, um guerreiro do povo brasileiro? ...

4)    Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: Jo...

5)    Euzinho, sozinho, e Madame IA, secundada e assesso...

6)    Suíça vai divulgar arquivos secretos sobre Mengele...

7)    Minha luta contra a hipocrisia dos algoritmos de M...

8)    Madame IA tenta defender a politica pró-russa do l...

9)    Indicadores macroeconômicos oficiais do Brasil (se...

10) Autobiografia de um fora-da-lei, 1: a trajetória d...

11) Webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasil...

12) Frankenstein do Brics se dissolve em água salgada…

13) Como grandes impérios entram em crise, depois desa...

14) que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas...

15) Contra o voto nulo - Paulo Roberto de Almeida, co...

16) Sobre a nova guerra do Peloponeso entre uma Atenas...

17) Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Bra...

18) Da arte muito pouco nobre de mentir - Paulo Robert...

19) “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”, ...

20) Já chegamos ao último grau do fanatismo político? ...

21) Após Lula em Washington, Trump visita a China, e e...

22) Sobre as eleições no vizinho Peru - Paulo Roberto ...

23) Brasil e México, amigos distantes: a busca de um A...

24) Dúvidas histórico-metafísicas - Paulo Roberto de A...

25) Erro histórico do governo do PT: a recusa do ingre...

26) Atlântico Sul como zona de paz e cooperação - Ru...

27) A visita de Trump a Xi Jinping: - Paulo Roberto de...

28) Um dia que vai ficar na História - Paulo Roberto d...

29) que pode fazer a estupidez humana? - Paulo Rober...

30) A história econômica brasileira na pena de Afonso ...

31) Stephen Kotkin: "Internal Challenge of US Global L...

32) White House Blues - Jorio Dauster (Relatório Rese...

33) PREFÁCIO DE WILSON GOMES AO LIVRO DE ANTONIO RISÉ...

34) Putin’s regime will 'end suddenly' - Why Russian v...

35) Palestra de Edmar Bacha sobre reformas na economia...

36) relatório secreto de Nikita Khrushchev sobre os ...

37) The Iran War Is Bleeding India’s Economy Anisha D...

38) Revista Será?; número de 8 de maio de 2026

39) lado humano de Zelensky: interview

40) mundo segundo as regras do PT: editorial do Esta...

41) Putin says he thinks Ukraine conflict 'coming to a...

42) 9 de maio de 2026: o "Dia da Derrota" - Paulo Robe...

43) Trump està mentalmente doente - Robert Reich

44) Recorrências: a História se repete? - Paulo Robert...

45) Onde será que se esconde Putin? - Paulo Roberto de...

46) Livros Paulo Roberto de Almeida na Amazon.com.br -...

47) Parbleu! Esqueceram o Mercosul! - Paulo Roberto de...

48) Lula na Casa Branca - Rubens Barbosa (Interesse N...

49) Vida e Morte das Universidades - Simon Schwartzman...

50) 81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos...

51) IMPORT TARIFFS - Rogerio Pinto, comentários de Mad...

52) A tendência é que Lula e Trump fechem um acordo so...

53) Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a...

54) Dosimetria do bolsonarismo golpista vai ser anulad...

55) Brasil Real e a mediocridade evitável – live com...

56) A tragédia da Nobel da Paz em Teerã - Guga Chacra ...

57) reconhecimento internacional do Império do Brasi...

58) Câmara comemora bicentenário com sessão solene na ...

59) Lançamento do livro: Intelectuais na Diplomacia Br...

60) Multilateralismo econômico – Nascimento, crises e ...

61) “O Brasil precisa crescer” - Celso C. H. Grisi (Li...

62) A história da vida excepcional de Mikhail Bar-Yehu...

63) Novo livro de Antonio Risério: Quartzo Crescente (...

64) Madame AI comenta a personalidade de Airton Dirceu...

65) Pergunta não tão inocente - Paulo Roberto de Almei...

66) Olavo de Carvalho is a fraud | LivresCast 29 - Pau...

67) Maquiavel e o conselheiro do Príncipe em política ...

68) Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: Jo...

69) Sobre azedumes opinativos - Paulo Roberto de Almei...

70) Fernando Novais, um historiador marxista - Naief H...

71) Acordo Mercosul-UE, finalmente em vigor depois de ...

72) Príncipe e seu conselheiro em política externa: ...

73) Prefácio ao livro de Sergio Abreu e Lima Florencio...

74) Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: Jo...

75) Museu da Pessoa: Projeto Memória Diplomática da AD...

76) Putin is scared - Mikhail Khodorkovsky

77) Um pouco de futurologia improvisada - Paulo Robert...

78) True Believers para todos os gostos - Bulletin of ...

79) "amigo do amigo do meu pai" tinha milhões de mot...

80) A nação que se perdeu a si mesma - Paulo Roberto d...

81) Crônicas Históricas: a mulher que salvou dezenas d...

82) Likes and dislikes - Paulo Roberto de Almeida

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5321, 20 maio 2026, 3 p.

Disponível no blog Diplomatizzando (link: ).

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Nova Ordem Global Multipolar? - Paulo Roberto de Almeida

Nova Ordem Global Multipolar?

Paulo Roberto de Almeida 

A tal proposta de uma “nova ordem global multipolar” nada mais é que uma fraude completa, apenas capaz de seduzir ingênuos, ignorantes e/ou desinformados. Ela é uma fraude dupla, no plano conceitual e no plano operacional, ou tripla, no plano das aspirações também.

Primeiro, porque o mundo sempre foi multipolar; nunca houve uma ordem universal, com ONU, ou com qualquer pretendente a Hegemon mundial. 

Segundo, porque “novas ordens” não surgem por decreto ou pela vontade de pretensos novos, falsos, candidatos a Hegemons substitutos. Elas surgem ao cabo de enfrentamentos de fato globais, como na Grande Guerra de 1914-1918 e na IIGM (1939-1945), que na verdade começou antes, com a agressão à China por parte do Japão militarista-fascista.

Terceiro, porque nem China, nem Rússia— hoje um estado vassalo da primeira — têm algo superior a oferecer ao mundo, que corresponda às aspirações da maior parte da humanidade: liberdades, democracia, direitos humanos, justiça independente, todas essas virtudes emanadas do iluminismo fundado sobre os direitos individuais, não baseadas no poder despótico de um Estado opressor.

Quarto, porque proclamações unilaterais e puramente frutos da vontade de ditadores não criam uma nova realidade condizente com as aspirações dos povos.

Quinto e último, porque não existe força humana, estatal, militar ou política, capaz de criar uma nova ordem out of the blue, na existência de uma ordem — que pode ser parcial, limitada ou mesmo imperfeita — ainda existente, real e defendida por grande parte da humanidade, compatível com as aspirações sociais de liberdades individuais e objetivos politicos de regimes democráticos, baseados rm eleições livres e alternância de poder.

Surpreende-me, assim, que certos dirigentes — talvez por motivos inconfessáveis — se apressem em dar apoio a tais propostas. Não me surpreende que acadêmicos o façam, os sonhadores, ou já comprometidos com regimes opressores e inimigos das liberdades democráticas (que são, sim, virtudes ocidentais, mas que foram universalizadas progressivamente pela ampliação dos espaços de liberdades e de bem-estar trazidos por regimes de liberdades econômicas, inclusive no coração do modo “alternativo” de produção, que depois de muitos fracassos acabou acolhendo Adam Smith).

Finalizando: vamos reconhecer as poucas virtudes da ordem imperfeita criada ao final da mais terrível guerra global, e tentar reconstrui-la, depois da triste passagem da intrusão agressiva de liberticidas autocráticos, alguns até mafiosos cleptocratas.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 20/05/2026

Autobiografia de um fora-da-lei, 1: a trajetória do Estado brasileiro — Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

 Revista Será? ANOXIV | 

Autobiografia de um fora-da-lei, 1: a trajetória do Estado brasileiro

Paulo Roberto de Almeida* 

Com ironia refinada e crítica contundente, Paulo Roberto de Almeida coloca o próprio Estado brasileiro como narrador de sua trajetória marcada por contradições, ilegalidades e promessas frustradas. Entre confissão autobiográfica e sátira política, o texto desmonta mitos da formação institucional brasileira e expõe um Estado frequentemente distante dos cidadãos que o sustentam. Um ensaio original e provocador sobre poder, burocracia, democracia e a longa crise da vida pública nacional.

Segue o link para o artigo.

https://bit.ly/4wtQtF3


 *Revista Será? — conhecimento para transformar a realidade.* 


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Textos preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira - Paulo Roberto de Almeida

Textos preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira

Paulo Roberto de Almeida


5290. “Uma política externa que denega os fundamentos doutrinais da diplomacia do Brasil”, Brasília, 24 abril 2026, 2 p. Notas para exposição em webinar do Imagine Brasil, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga. Postado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/uma-politica-externa-que-denega-os.html). Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416632/5290_Uma_pol%C3%ADtica_externa_que_denega_os_fundamentos_doutrinais_da_diplomacia_do_Brasil_2026).
 

5311. “O que eu teria a dizer sobre 'Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira'?", Brasília, 15 maio 2026, 2 p. Nota sobre algumas evidências e outras incertezas. Divulgado no blog Diplomatizzando (15/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/o-que-eu-teria-dizer-sobre-tensoes.html).
 

5313. “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, Brasília, 17 maio 2026, 11 p. Nota mais extensa, a partir do trabalho n. 5311, sobre os temas colocados pelo projeto “Imagine Brasil”, da Fundação Dom Cabral, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga, na companhia de Victor do Prado. Complementar com respostas às questões sugeridas pelo coordenador, Carlos Braga. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416751/5313_Tensoes_Geopoliticas_e_a_Diplomacia_Brasileira_o_que_ha_de_novo_2026_); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (20/05/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-e-diplomacia_0349459191.html).
 

5315. “Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral”, Brasília, 17 maio 2026, 5 p. Notas para debater as questões colocada pelo coordenador, professor Carlos Primo Braga. Enviado, com o trabalho 5313, para conhecimento prévio, assim como a Victor do Prado. Disponível no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/temas-para-debate-no-webinar-imagine.html).

5323. “Nova Ordem Global Multipolar?”, Brasília, 20 maio 2026, 2 p. Uma fraude completa: quatro argumentos contrários. Divulgado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/nova-ordem-global-multipolar-paulo.html). 

5322. “Tensões geopolíticas: então e agora”, Brasília, 21 maio 2026, 3 p. Reflexões sobre um conceito e especificidades históricas. Divulgado no blog Diplomatizzando (21/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-entao-e-agora.html).


Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20/05/2026, 2 p.


Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral - Paulo Roberto de Almeida

Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Notas para debater as questões colocadas pelo coordenador, professor Carlos Primo Braga. 

Convidado pelo professor Carlos Primo Braga, na companhia do colega diplomata Victor do Prado, para participar do webinar da Fundação Dom Cabral, no quadro do projeto “Imagine Brasil”, recebi algumas questões para desenvolver os temas inseridos num dos dois conceitos – Tensões geopolíticas e diplomacia brasileira – sob os quais foram formulados os seguintes comentários preliminares. Apresento a seguir algumas ideias que podem fornecer indícios sobre meu pensamento com respeito a algumas dessas questões.

 

1. Tensões geopolíticas têm aumentado nos últimos anos em virtude de conflitos militares e medidas protecionistas adotadas pela administração Trump. Como a diplomacia brasileira tem atuado em meio a esses choques políticos e econômicos?

 

PRA: O Brasil, antes mesmo de sua política externa e de sua diplomacia, tem recebido os impactos que chegam de foram, com pouca autonomia para intervir nas fontes dos conflitos e medidas protecionistas. Não se trata apenas de ser mais um “rule taker” do que um “rule maker”, pois muitas dessas medidas se passam completamente à margem de quaisquer regras existentes, seja no sistema multilateral de comércio, seja no âmbito da Carta da ONU e de suas principais regras. Cabe registrar, antes de tudo, que os conflitos militares precedem as medidas unilaterais tomadas pela administração Trump, em sua primeira versão, e com maior ênfase no seu segundo mandato. Com efeito, cabe não esquecer que foi Putin quem deu início ao mais importante conflito militar desde o final da IIGM, ao intervir em países vizinhos e sobretudo ao invadir e anexar ilegalmente, em 2014, a península ucraniana da Crimeia, passando em 2022 à tentativa de invasão total e submissão do país inteiro.

Ou seja, o ambiente de desmantelamento precoce do multilateralismo político e de respeito às principais regras do Direito Internacional, codificadas na Carta da ONU, precede as ações de Trump, que também desprezou completamente essa estrutura política, como passou a tentar redinamizar a economia dos Estados Unidos por meio do rompimento unilateral das bases fundamentais do sistema multilateral de comércio. As duas grandes potências revisionistas têm atuado, assim, num sentido claramente contrário, destruidor dos fundamentos da ordem global política e econômica construída penosamente nos anos finais da IIGM (em 1944, em Bretton Woods, em 1945, em São Francisco) e nas décadas seguintes.

Uma realidade evidente é que a diplomacia brasileira, como mera ferramenta de sua política externa, colocada sob responsabilidade presidencial, não tem condições de atuar segundo suas próprias análises e determinações em face desses desafios, tendo, ao contrário, de aplicar decisões e iniciativas que lhes são ditados pelo chefe de governo e de Estado. Ela pode sugerir linhas de ação mais adequadas no sentido de preservar os interesses básicos do Brasil no confronto com os impactos – sobretudo comerciais, mas também políticos – que são precipitados pelas poderosas forças imperiais, mas não consegue atuar independentemente das determinações do responsável último pela política externa. A esse respeito, me permito ressaltar uma análise que venho desenvolvendo desde algum tempo relativamente às convergências e divergências entre a política externa oficial – ou as políticas externas dos presidentes – e a diplomacia corporativa, ou seja, aquela formulada e desenvolvida pelo corpo profissional do Itamaraty.

Para este mesmo webinar, com o objetivo de organizar minhas ideias, elaborei um paper chamado justamente Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, no qual desenvolvo argumentos em torno desses dois conceitos, e que está sendo colocado à disposição dos interessados pela via do meu blog Diplomatizzando. Como explico nesse trabalho, a divergência entre a política externa presidencial, extremamente personalista sob Lula 3, bem mais do que sob Lula 1 e 2, e os padrões sob os quais trabalhou historicamente o Itamaraty nunca foi tão grande quanto nos tempos recentes, em função, justamente, das tensões geopolíticas existentes. Durante a primeira Guerra Fria (1947-1991), o Brasil soube se manter rigorosamente à margem de quaisquer alinhamentos, ou coalizões militares, propostos por um ou outro dos dois contendores. Ora, cabe reconhecer que, desde a inauguração do que eu chamo de “lulopetismo diplomático”, a diplomacia brasileira deixou de ser guiada basicamente pelo conhecimento acumulado ao longo de décadas, talvez dois séculos, de construção de uma diplomacia preocupada sobretudo pela preservação da autonomia decisória em matéria externa, e passou a ser guiada por critérios partidários e ideológicos que se confundem com o antiamericanismo primário e anacrônico dos líderes petistas, atraídos pelo que existe de mais reacionário no campo de uma suposta esquerda internacional.

 

2. O Brasil tem se posicionado como um dos líderes do Sul Global. Quais são as implicações desse posicionamento para o país? Nesse contexto, qual é o futuro do BRICS+?

 

PRA: Essa pretensão de ser um dos “líderes do Sul Global” é autoproclamada, enaltecida por jornalistas superficiais e por acadêmicos politicamente motivados, e não tem nenhum embasamento na realidade, simplesmente pelo fato de que esse Sul Global simplesmente não existe. O que existe, desde séculos, oficialmente desde os primeiros anos da ONU, são os grupos de países, antes desenvolvidos, socialistas, em desenvolvimento e a China, e o segundo grupo deixou de existir, ao passo que o terceiro mundo vem recebendo designações diversas, em função da diferenciação econômica e tecnológica nesse conjunto heteróclito de países os mais diversos politicamente, diplomaticamente, economicamente. Não encontro nenhuma evidência, apenas poucas sugestões, de que o Brasil se apresenta, concretamente, como um “líder” dessa massa disforme de países, sequer na própria região, onde sua pretensa liderança sempre foi disputada e contestada, por adversários e aliados.

Quanto ao BRIC-BRICS-BRICS+, considero simplesmente um Frankenstein mal concebido, pois partindo de um ajuntamento de partes muito dissemelhantes entre si, criado politicamente, a partir de uma sugestão puramente econômico-financeira – como locus de possíveis investimentos de fundos institucionais, cujo acrônimo, dotado de certo appeal de marketing, serviu de base a essa agregação antinatural estimulado de modo oportunista por representantes de quatro países resistentes à ideia de uma aproximação à OCDE (ainda que a Rússia, até a invasão da Crimeia, ainda fazia parte do G8 político, mas não do G7 econômico, do qual foi excluída depois da invasão da Crimeia). Já era um Frankenstein desconjuntado na sua origem, e agora, depois de sua ampliação desmesurada, para satisfazer necessidades políticas e diplomáticas da Rússia e da própria China, tornou-se um monstro metafísico incapaz de se coordenar de maneira consensual sobre certos temas da agenda internacional. Basta dizer que em suas duas últimas declarações de cúpula não há uma ÚNICA palavra sobre a Ucrânia; ela simplesmente não existe, o que é uma vergonha do ponto de vista do setor do Itamaraty que emite notas compungentes à menor catástrofe natural ou humanitária em qualquer parte do mundo. Não vejo futuro para o BRICS, ainda que certos dinossauros sejam resistentes ao seu desaparecimento. Mas cabe ressaltar que NENHUM dos benefícios suscetíveis de serem obtidos nas relações comerciais, financeiras ou de investimentos do Brasil com os países membros PRECISAM passar pelo BRICS – que aliás não possui NENHUM acordo comercial do bloco –, pois já podem ser reguladas pelos instrumentos existentes das relações econômicas multilaterais. O que o BRICS pode facilitar seriam certas transações politicamente motivadas, o que provavelmente não se conforma aos princípios mais elementares de análise custo-benefício ou de custo-oportunidade.

 

3. Quais são as oportunidades e desafios para a diplomacia brasileira com respeito à implementação do acordo EU-Mercosul?

 

PRA: Como todo acordo de liberalização comercial e de abertura econômica, o acordo de associação birregional vai estimular um maior volume de transações comerciais e de investimentos diretos entre os dois blocos, mas é preciso dizer que se trata, em grande medida, de comércio administrado, ou seja, mercantilismo puro. Mais ainda, esse acordo se encontra 20 anos atrasado, e a razão se encontra na campanha do PT contra o acordo da ALCA, finalmente implodido pela ação comum de Lula, Kirchner e Chávez na cúpula de Mar del Plata, exatamente 20 anos atrás. O acordo paralelo Mercosul-UE ficou relegado ao esquecimento, até que as diatribes de Trump contra a China e contra o próprio sistema multilateral de comércio suscitaram a recuperação do antigo acordo e sua assinatura provisória em 2019 (ainda assim não ratificado em virtude, basicamente, da postura antiambiental, anti-humanitária, anti-tudo, do governo Bolsonaro).

Como ele se encontra 20 anos atrasados, muitas oportunidades que poderiam ter sido aproveitadas nas duas décadas passadas podem ter sido ocupadas e até superadas pela penetração da China nos dois lados dessa associação, mas vários outros benefícios também podem ficar parcialmente não aproveitados em função dos protecionismos setoriais renitentes em vários setores de interesse competitivo, do lado agrícola basicamente europeu, do lado industrial, de serviços e de compras governamentais do lado do Mercosul, em especial pela ação retardatária de poderosas associações patronais no Brasil e na Argentina.

 

4. A diplomacia brasileira tem uma longa tradição de apoio ao multilateralismo nas relações econômicas internacionais como ilustrado pela posição brasileira na adoção do General Agreement on Tariffs and Trade (1947) e na instalação da Organização Mundial de Comércio (OMC, 1995). Que papel pode a OMC ter em um mundo dominado por conflitos geopolíticos?

 

PRA: Infelizmente, a OMC vai enfrentar uma talvez longa travessia do deserto em função do comportamento da (ainda) principal potência econômica (mas não mais comercial) da atualidade, postura que não começou com Trump, e sim vários anos antes, como pode ser testemunhado pelo colega Victor do Prado, que sabe da oposição dos EUA ao seu sistema de solução de controvérsias, sabotado desde vários anos antes. O Brasil de fato aderiu ao GATT, pelo papel desempenhado pela sua diplomacia profissional no imediato pós-guerra, mas o Brasil ainda manteve vários dispositivos anti-Gatt ao longo dos anos 1950, e quase decidiu abandoná-lo quando da adoção de uma nova pauta tarifária ultra protecionista em 1957. Nos anos seguintes praticou uma política comercial oportunista, com vários mecanismos vetados pelo Acordo Geral, apenas tolerados pela pouca importância do Brasil no comércio mundial e pela sua alegada fragilidade nas transações correntes. Ainda hoje o Brasil se pretende um país em desenvolvimento – a despeito de ser mais industrializado do que vários membros da OCDE – reivindica o usufruto total das cláusulas de tratamento diferencial e mais favorável em benefício desses países, e recusa sistematicamente ser graduado a uma categoria superior.

O papel atual, e nos próximos anos, da OMC deverá ser o encontrar mecanismos de facilitação de negócios e de assistência técnica em favor dos verdadeiros países em desenvolvimento, uma vez que grandes rodadas de negociações – que não seriam mais essencialmente tarifárias e sim das regulações para-tarifárias e normas substantivas setoriais – podem ser retardadas a fases ulteriores, até que os EUA retomem a senda do multilateralismo comercial ou das simples cláusulas de nação mais favorecida e de não discriminação.

Aparentemente, no futuro imediato, a geopolítica tem suas deformações conhecidas transplantadas ao mundo da geoeconomia, que deveria ser preservado em benefício dos países em desenvolvimento, o que ainda está longe de ser vislumbrado. Acredito que a China pode ter um interesse especial na preservação do multilateralismo econômico, a despeito de ainda manter comandos estatais, pouco transparentes, sobre setores importantes de sua economia hoje pujante, mas com alguns desequilíbrios estruturais e institucionais ainda visíveis. Mas, sua tecnocracia bem instruída é capaz de operar um sistema de mercado com características chinesas de comando e controle, e de indução de favorecimentos especiais nas áreas designadas por seus planos quinquenais de desenvolvimento econômico e social.

O Brasil tem enormes chances de desenvolvimento a partir de suas vantagens comparativas, naturais e adquiridas, mas transformá-las em vantagens competitivas num mundo interdependente requer habilidades e direcionamento de políticas setoriais que estão a exigir alguma visão de prioridades atualmente em falta numa casta política autocentrada e extraordinariamente carente de estadistas. Todos, sublinho todos, os desafios nacionais são propriamente “made in Brazil”, e não encontram barreiras relevantes em quaisquer arranjos hoje existentes no sistema internacional e nas condições ambientais da geoeconomia mundial.

O Brasil faria bem e começar por se aproximar mais da OCDE, não necessariamente com a intenção de ingressar a curto prazo, mas sim de adotar o núcleo de sólidas políticas econômicas, macro e setoriais, identificadas com o “manual de bordo” da OCDE.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5315, 18 maio 2026, 5 p.

 


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