Incrível esse tal de ministro da C&T (coitadas, ambas), que se fez "doutor" num passe de mágica, assim como um coelho tirado da cartola da UniCamp (ah, bom, foi da UniCamp, então está explicado).
Ele pretende nacionalizar a indústria de tablets no Brasil, ou seja, torná-la autônoma, autosuficiente, totalmente independente de compras estrangeiras, 80% de nacionalização, enfim (mais um pouco ele chega nos 90% da era militar).
Ele é mesmo estupendo: um perfeito retrato da mentalidade atrasada que reina em certos meios acadêmicos -- esses esclerosados da UniCamp, que ainda estão cultuando Prebisch e Celso Furtado -- e dos sindicatos de ladrões patronais -- que pululam na avenida Paulista -- que pretendem que tudo seja feito aqui dentro.
Para que, então, inserir na indústria nos circuitos mundiais se é para mantê-la atrasada?
De vez em quando me pergunto se esse pessoal não sofre da "sindrome de Itamar": vocês sabem, aquela que pretende reviver o Fusca...
Paulo Roberto de Almeida
Ministro quer tablets com 80% de matéria-prima brasileira em três anos
DCI, 13/07/2011
Uma grande mudança na área de telecomunicações está no papel, com a informação de que o setor industrial do País vai produzir tablets (computadores de mão) constituídos com 80% de matéria-prima nacional, em três anos. Pelo menos é o que garante o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. "Em setembro, teremos tablets com um percentual de 20% de matéria-prima nacional. A meta é atingir em três anos 80%", disse Mercadante. Em 2010, a falta de uma indústria sofisticada em eletrônica fez com que o País registrasse um déficit comercial de US$ 19 bilhões. -
Segundo Mercadante, o Brasil precisa dar um "salto quântico" na área de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D;) e se tornar uma economia mais competitiva em produtos de média e alta complexidade. "Temos que entender que o nosso patrimônio é o mercado interno. Precisamos exigir mais processos produtivos básicos para incentivar a produção de bens com conteúdo brasileiro. Já fizemos isso com os tablets. No início acreditava-se que as empresas não se interessariam. Hoje, temos 14 empresas interessadas. Destas, nove já estão com seus processos aprovados", diz.
Para cada tonelada de chips que o Brasil importa é necessário exportar 21 mil toneladas de minério de ferro, ou 1,7 mil toneladas de soja, de acordo com cálculo do ministro. O Brasil é o sétimo mercado para tecnologia de informação e comunicação. De acordo com Mercadante, o Brasil tem de aproveitar o tamanho do mercado interno, que crescerá com a inclusão digital de escolas públicas e comunidades mais pobres, para incentivar a instalação da indústria de tablets em território nacional. Mercadante também defendeu que os recursos dos royalties do Pré-sal sejam usados para financiar gastos públicos em educação, ciência e tecnologia. Para ele, os royalties servirão para reposicionar o País no cenário mundial.
Addendum:
Transcrevo dos comentários:
Paulo Henrique deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O ministro da CT (!?) quer voltar 50 anos atras......":
"Para cada tonelada de chips que o Brasil importa é necessário exportar 21 mil toneladas de minério de ferro, ou 1,7 mil toneladas de soja, de acordo com cálculo do ministro."
Essa comparação do ministro "doutor" é uma das maiores asneiras que lí nas últimas semanas.
Postado por Paulo Henrique no blog Diplomatizzando em Quarta-feira, Julho 13, 2011 8:16:00 PM
Paulo Henrique,
Até nisso o ministro é atrasado.
Nos anos cinquenta, esses cepalianos ficam contando quantas sacas de café eram necessarias para importar um jeep. Ai, com base numa série estatistica deformada, e intelectualmente desonesta, afirmavam que nos anos 1940 bastavam 80 sacas. Depois, nos anos 1950 passaram a custar 160 sacas.
Esse era o "raciosimio" que justficava a "teoria" da deterioração dos termos de troca, ou o tal de "intercâmbio desigual".
Parece que continuam a repetir as mesmas bobagens...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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2 comentários:
"Para cada tonelada de chips que o Brasil importa é necessário exportar 21 mil toneladas de minério de ferro, ou 1,7 mil toneladas de soja, de acordo com cálculo do ministro."
Essa comparação do ministro "doutor" é uma das maiores asneiras que lí nas últimas semanas.
Paulo Henrique,
Até nisso o ministro é atrasado.
Nos anos cinquenta, esses cepalianos ficam contando quantas sacas de café eram necessarias para importar um jeep. Ai, com base numa série estatistica deformada, e intelectualmente desonesta, afirmavam que nos anos 1940 bastavam 80 sacas. Depois, nos anos 1950 passaram a custar 160 sacas.
Esse era o "raciosimio" que justficava a "teoria" da deterioração dos termos de troca, ou o tal de "intercâmbio desigual".
Parece que continuam a repetir as mesmas bobagens...
Paulo Roberto de Almeida
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