Depois que eu coloquei uma pequena nota de opinião neste espaço...
Quem são os liberais, e oque eles têm a dizer?
http://diplomatizzando.blogspot.com/2015/02/quem-sao-os-liberais-e-o-que-eles-tem.html
... alguns leitores me escreveram para comentar meu argumento de que os liberais não precisam ser religiosos, indicando o "fato" de que vários liberais são religiosos.
O que eu escrevi exatamente? Apenas isto:
"Eles
não são religiosos, ou não é isso que os distingue no plano doutrinal, pois
aceitam que as pessoas possam ter fé em doutrinas ou crenças religiosas."
O que me escreveram? Reproduzo aqui:
"Apesar de obviamente não ser um ponto central do texto, será que se pode
afirmar que liberais não são religiosos (3º paragrafo)? Baseado no rol
de grandes personagens feito pelo Acton Institute, me parece que não.
http://pt.acton.org/personnages-historique
Atualmente o pessoal, por ex., do Mises americano, com uma exceção ou outra, é bem religioso também."
Informo (PRA): O Acton Institue se proclama uma entidade para o estudo da religião e da liberdade.
Que seja, o instituto é livre para escolher seus temas preferenciais. A liberdade é universal, a religião não é, e nunca foi.
Meu comentário a este respeito:
Ser religioso, e ser liberal são paralelas infinitas, uma não tem nada a
ver com a outra.
Um liberal, ou seja, alguém que prega o livre arbítrio
individual e a suprema liberdade de cada indivíduo aceita que cada um
pode ter a crença que desejar (mas isso é geralmente, não uma escolha, mas uma herança familiar), e isso não tem nada a ver com a
defesa de suas liberdades básicas, que devem ser feitas mesmo quando o
indivíduo não tem nenhuma religião ou quando ele é contra todas e qualquer religião, e se torna militante do ateísmo, por exemplo.
Não vejo como provar qualquer coisa com respeito ao liberalismo pelo
fato de que liberais americanos sejam religiosos. Eles são o quê?: budistas,
confucionistas, muçulmanos, hinduístas? Não, trata-se obviamente de
cristãos.
Mas o que isso tem a ver com o liberalismo? Nada.
Um muçulmano
pode ser um liberal tão consequente quanto um cristão, desde que ele
não queira usar a sua religião para impedir, por exemplo, qualquer pessoa de
cobrar quanto quiser de juros pelo emprego de sua poupança por um
terceiro.
Mas isso existe também na Bíblia, ou seja, um preconceito
contra a usura.
Ora, isso é o que existe de mais autoritário e um
liberal jamais poderia concordar com esse tipo de argumento.
Insisto em dizer: um liberal não tem religião.
Ou melhor: essa questão é totalmente indiferente para um verdadeiro liberal.
São duas galáxias diferentes, e elas não deveriam se tocar.
Quem quiser me provar o contrário, pode argumentar.
Respeito a lógica elementar, e a história humana, apenas isto.
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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