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quinta-feira, 9 de julho de 2015
Luta de classes no Itamaraty? Nao! Apenas diferencas na aritmetica funcional...
CORREIO BRAZILIENSE
09jul15
Barraco no Itamaraty
Vera Batista
Correio Braziliense, 9/07/2015
O Itamaraty entrou na campanha salarial de 2015 dividido. Filiados ao Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) e à Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB) discordaram diante de 31 diferentes categorias que discutiam a proposta do governo de reajuste de 21,3%, em quatro anos, na tarde de terça-feira. Segundo a presidente do Sinditamaraty, Sandra Nepomuceno, as divergências são "normais" e levam ao entendimento. "O que foi aviltante foi a presença de alguém que representa o patrão na mesa de negociação dos empregados", indignou-se. O bate-boca, que durou mais de meia hora, conforme sindicalistas que não quiseram se identificar, causou embaraço ao secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça. "Embora a ADB negue, eu tenho a gravação provando que Mendonça falou na frente de todos ter recebido uma ligação do MRE, ou seja, do governo. Por isso, permitiu o acesso de Adriano Pucci (representante da ADB e chefe da Coordenação-Geral de Modernização do Itamaraty - CMOR). Esse senhor não precisava lavar roupa suja na reunião, foi constrangedor", reforçou Sandra. Em nota, o Sinditamaraty informou que é o único autorizado a negociar pelos empregados.
O sindicato assinalou que a interferência de "membros dos órgãos públicos designados para falar em nome da administração da Casa, concomitantemente em nome de categoria de servidores, fere a representatividade sindical garantida em lei e abre perigoso precedente para que outros sindicatos tenham de admitir ingerência de associações e membros da administração do órgão em suas negociações".
Na versão da ADB, o Sinditamaraty cometeu uma série de irregularidades. Convocou a totalidade da categoria (diplomata, oficiais e auxiliares de chancelaria) à assembleia e permitiu acesso somente dos filiados. A presidente da ADB, Vitoria Alice Cleaver, negou que Adriano Pucci tenha sido indicado pelo MRE. "Eu pedi o assento", revelou.
O que azedou a relação entre as duas entidades, acusou Vitória, foi o fato de o Sinditamaraty aceitar o aumento de 21,3% e, em seguida, decidir por fazer uma correção desigual. Ou seja, do total do reajuste, 63,2% iriam para os oficiais, 56,8%, para os assistentes, e 5% para os diplomatas."
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