Certas coisas são necessárias, mas parecem impossíveis
Meu amigo e colega diplomata Paulo Antonio Pereira Pinto — também conhecido como PaPePinto antigamente, na carreira, mas que simplificou para Paulo Pinto — é um dos maiores especialistas em mundo asiático, junto com Fausto Godoy, um “monstro” em matéria de profundo conhecimento, não só historicamente, e na diplomacia, economia e todo o mais, mas também na história cultural e artística.
Mas o Paulo Pinto fez um artigo brilhante, que preciso repostar aqui, sobre as conexões entre os dois gigantes asiáticos, que chamou de “Chindia”.
Eu o provoquei, dizendo que Ásia era geografia, mas Chindia uma fantasia. Ele me respondeu gentilmente, usando um velho bordão nosso conhecido: “Vamos rasgar a fantasia…”.
Talvez seja o caso, mas penso que ainda vai demorar para acontecer, tslvez uns cinquenta ou cem anos, assim como um equivalente também muito bem-vindo: o “Chimerica”, de que falava o historiador Niall Ferguson desde o começo do século. Certas coisas que correspondem à mais elementar sensatez, ainda parecem distantes no mundo de certos chefes de Estado, que não mereceriam receber essa caracterização
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 4/04/2026
Segue a nota de Paulo Pinto no Linkedin:
“No artigo publicado em 19 de fevereiro passado, sob o título de “Chindia”: vasto espaço para a convivência entre diferentes culturas”, relembrei que a “antiga ordem internacional” se encontra em momento de transição, com o surgimento de um mundo multipolar.
No que diz respeito à “Ásia”, um dos possíveis novos polos de poder - conforme exposto, no texto de referência - a meu ver, a partir do final do século passado, teorias sobre novos paradigmas regionais surgiram e desapareceram, substituídas por teses geradas fora da região a que se aplicam, sem que fossem necessariamente contrárias, apenas inovadoras.
Fica, então esquecida a importância do diálogo cultural, entre diferentes países. Esta omissão fica mais evidente, por exemplo, quando faltam reflexões sobre o desafio maior que seria o de imaginar como China e Índia poderiam voltar a influenciar-se mutuamente com suas respectivas “soft powers”.
O mais importante seria considerar a possibilidade de formação de enorme espaço de cooperação cultural, caso viesse a ressurgir, com naturalidade e de forma pacífica, o intercâmbio de ideias, manifestações artísticas e material genético, via Sudeste Asiático, que existiu, há séculos, entre hinduístas e chineses.
Volto a refletir, portanto, sobre a hipótese do que poderia ser chamada de “Chindia”. Para tanto, cabe recordar de que “Ásia” estamos falando.”
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