Um diplomata, talvez ainda na ativa, e temendo retaliações caso escrevesse publicando com seu nome próprio, escreve a propósito do post anterior, sobre os sapatos do rei, ops, perdão, do príncipe, encore perdão, do ministro...
Mas, ainda assim, evitando pudicamente fazer um comentário explícito, ele (ou ela) -- que é alguém educado, refinado e culto -- escreve obliquamente, pela via da literatura de boa qualidade.
Eu, que não temo retaliações, mas que temo que os bons comentários se percam nos rodapés dos posts, transcrevo aqui o que ele (ou ela) me mandou, em um comentário anônimo:
Que o gesto, mais o traje nas pessoas
faz o mesmo que fazem os letreiros
nas frentes enfeitadas dos livrinhos,
que dão, do que eles tratam, boa idéia.
...já lá vai, Doroteu, aquela idade
em que os própios mancebos, que subiam
à honra do Governo, aos outros davam
exemplos de modéstia, até nos trajes.
Tomas Antonio Gonzaga (in:Cartas Chilenas)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sábado, 24 de outubro de 2009
1441) Dos sapatos: um comentario anonimo (mas identificavel)
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sapatos,
soberania do Brasil
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Um comentário:
Caro Professor Paulo,
Aproveitando o excelente comentário posto (que de tão oportuno até sinto uma ponta de inveja por não ter sido o autor), deixo também minha humilde contribuição. Ensinamentos ministrados por Thomas Morus, mas que parecem ser tão atuais. Infelizmente.
Os utopienses incluem como adeptos deste gênero de falsos prazeres aqueles, já mencionados anteriormente, que acreditam serem mais importantes apenas porque usam roupas mais finas. Essas pessoas cometem dois erros de uma só vez: primeiro ao pensar que suas roupas são melhores do que a de quem quer que seja e, segundo, ao pensar que são melhores em razão de suas roupas. Para os fins práticos a que se destina uma capa, qual a diferença se ela foi tecida com fios finos ou mais grosseiros? Todavia pavoneiam-se e, orgulhosamente, agem como se tivessem sido escolhidos pela própria natureza e não por suas próprias fantasias. Apenas porque usam uma roupa luxuosa, imaginam que passam a ser merecedores de honrarias, que não receberiam se estivessem usando roupas caseiras, e ficam ofendidas se alguém passa sem lhes prestar respeitosa atenção.
Cordial abraço,
Jefferson
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