Depois do ministro Edison (não, não é o Thomas Alva) Lobão e a ministra Dilma Roussef terem determinado o "fim da discussão" em torno do apagão, o presidente Lula criticou o "achismo" sobre causas do apagão: "Tenho notado algumas pessoas falando do apagão com o mesmo prazer com que falavam da queda do avião da TAM', afirmou presidente.
O botão que apagou a luz
Carlos Brickmann
13 de novembro de 2009
Assunto encerrado? A ministra Dilma que nos desculpe, mas o apagão só é assunto encerrado para quem vive na Ilha da Fantasia e tem geradores e ar condicionado. Dezoito Estados no escuro, nenhuma explicação oficial (a não ser a fantasia da tempestade, que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão do Governo, já desmentiu), e assunto encerrado? Encerrado para quem, cara-pálida?
O começo do apagão está aqui: a verba do Ministério das Minas e Energia, que cuida da luz nossa de cada noite, é a mais bloqueada do Governo. Dos gastos previstos, 23% não podem ser usados. Da verba que sobra, a parte referente a salários, royalties de petróleo e gás não pode ser comprimida. Quem sofre é a parte de manutenção e investimento. Em vez de R$ 9,6 bilhões, ficam R$ 3,8 bilhões.
De acordo com os pesquisadores do site Contas Abertas, esta situação vem-se repetindo ao longo dos anos, de 2006 para cá. As verbas da Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, também estão de dieta: quase 60% estão congeladas. Todos os números estão aqui.
Como disse a ministra Dilma Rousseff, garantir o fornecimento de eletricidade exige investimentos. Ocorre o oposto: o corte de verbas (uma boa análise dos cuidados com a rede, pelo especialista Saade Hillal, está aqui.
E os terríveis raios, ventos, tempestades, os formidandos fenômenos naturais nunca vistos neste país, citados pelo Governo? São como o raio de Bauru, lembra? O apagão do Governo Fernando Henrique foi atribuído a um raio que atingiu um ponto vital do sistema, num dia de sol claro, sem nuvens, sem chuva.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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