Eu, geralmente, sou contra tudo o que o Greenpeace faz. Não por animosidade de princípio contra esse bando de quixotescos promotores do meio ambiente, mas porque acredito, pelo que vejo e leio, que eles dispõem de pouca base científica para suas ações militantes, atuando mais por transpiração do que por inspiração bem fundamentada.
Por uma vez concordo com eles, mas mais exatamente pelo lado fiscal e orçamentário, do que por uma oposição de princípio contra a energia nuclear. Ou seja, sou contra o financiamento público, não contra a energia nuclear em si.
Creio que o Brasil deve aprofundar a pesquisa e o desenvolvimento de todas as tecnologias, mas não precisamos de energia nuclear por enquanto...
Paulo Roberto de Almeida
BNDES banca calhambeque atômico
Porgente, 27/04/2011
O Greenpeace do Brasil lançou uma campanha contra o financiamento público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) à construção de novas usinas nucleares no País. Veja os argumentos da entidade ambiental mais famosa do mundo:
Na véspera do aniversário de 25 anos do acidente nuclear em Chernobyl, na antiga União Soviética, uma ‘nuvem radioativa’ cobriu a sede do BNDES, no Rio de Janeiro. A fumaça laranja que subiu aos céus no Largo da Carioca, endereço do banco no centro da cidade, foi ao mesmo tempo um alerta sobre os perigos de um acidente nuclear e um apelo para que o BNDES suspenda o financiamento para a construção da usina nuclear de Angra III.
Por volta das nove e meia da manhã, ativistas do Greenpeace vestidos como equipes de resgate em acidentes nucleares dispararam sinalizadores de fumaça na frente do prédio do BNDES, simulando contaminação por radiação. Um cartaz pedia ao BNDES para não financiar uma geração de energia tão insegura, como provam Chernobyl e Fukushima.
O governo brasileiro tem na manga cinco projetos de novas usinas nucleares. Quatro ainda estão sem endereço definido. Jacques Vagner, governador da Bahia, torce para levar a maior parte delas para seu estado. A quinta está para ser construída em Angra dos Reis, no litoral Sul fluminense, no complexo que já abriga as usinas nucleares de Angra I e II. A nova unidade, Angra III, já custou aos cofres públicos 1 bilhão de reais e a estimativa do seu custo total ultrapassa 10 bilhões de reais. É muito dinheiro para se investir em uma usina que até seus criadores, os alemães, consideram uma espécie de calhambeque atômico.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Greenpeace: por uma vez concordo com esses malucos...
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energia nuclear,
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2 comentários:
Paulo! Eu leio ocasionalmente teu blog! E falando em Greenpeace, ampliando para uma discussão de desenvolvimento e "meio ambiente", qual tua posição quanto a isso?!
É possível se falar em desenvolvimento sustentável?! Alguma entidade já o faz - que não o Greenpeace?
Desculpe se forem tolas perguntas, é uma curiosidade que permeia minha mente alguns momentos!
Interessante. Será que foram feitas as mesmas críticas as usinas no Japão?
Ou será que há algum interesse por trás das políticas ambientalistas internacionais?
Penso que os argumentos do Greenpeace contra a instalação de Usinas Nucleares do Brasil não tem nenhuma base científica.
E o mais interessante, cada Usina hidrelétrica instalada no Brasil é alvo de muitas organizações, como o GreenPeace, bancadas por grupos estrangeiros...
Sem dúvida, talvez o interesse não seja o ambiental, mas inviabilizar o nosso desenvolvimento econômico aqui, pois a maioria dos conglomerados globais não querem mais concorrentes para competir com eles.
Basta ver as grandes doações que a Fundação Rockfeller faz ao GreenPeace...
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