Se a bomba atômica não tivesse sido usada, a guerra teria continuado por muitos meses mais, a um custo difícil de ser estimado, mas que pode ser grosseiramente calculado.
O Japão dificilmente se renderia, a despeito de já estar praticamente derrotado em todas as frentes.
O que aconteceria, provavelmente, entre agosto e janeiro ou fevereiro de 1946, teria sido uma penosa conquista de territórios japoneses, ilha por ilha, praia por praia, com combates ferozes até de baioneta, e a continuidade do lançamento de bombas incendiárias, bombardeio por navios e toda espécie de armas convencionais.
Seria possível estimar a morte de 300 a 500 mil japoneses mais, uma vez que eles não se renderiam, a não ser por uma decisão do imperador. Mesmo depois das duas bombas atômicas, militares japoneses tentaram impedir o imperador de declarar a guerra perdida e aceitar a rendição incondicional, como exigida pelos americanos.
Do lado destes, morreriam, provavelmente, mais 50 a 100 mil soldados, apenas nas cabeças de ponte das ilhas japonesas, sem contar mais alguns navios afundados com base nos ataques de kamikazes.
Ou seja, sem a bomba atômica, por mais horrível que ela pode ter sido, teriam morrido muito mais pessoas, soldados e civis, e mais cidades japonesas, e instalações industriais, portuárias e ferroviárias teriam sido destruidas, com alguma perda adicional de construções históricas ou religiosas.
Abaixo, alguns reflexos deste debate, do ponto de vista de conservadores que também condenam, absolutamente, a decisão pelo uso das bombas atômicas. Como se vê, a abominação não vem só do lado da esquerda politicamente correta.
Paulo Roberto de Almeida
The Atomic Bombing of Japan--and Its Conservative Critics
The Lighthouse (The Independent Institute), August 11, 2014
Last week marked the anniversary of the dropping of atomic bombs on Hiroshima and Nagasaki in 1945. For the past few decades, condemning the attacks has carried the risk of being branded "left-wing" or "anti-American," but Stanford University Professor of History, Emeritus, Barton J. Bernstein, an advisor to the Independent Institute's Center on Peace and Liberty, reminds us that it wasn't always so. Some of the harshest critics of President Harry Truman's decision to drop the bombs came from America's political right, including conservative stalwarts such as former President Herbert Hoover and National Review contributor Medford Evans. READ MORE
American Conservatives Are the Forgotten Critics of the Atomic Bombing of Japan, by Barton J. Bernstein (The San Jose Mercury News, 8/2/14)
Terrorism by Any Reasonable Definition, by Anthony Gregory (The Beacon, 8/6/12)
The Man Who Bombed Hiroshima, by Anthony Gregory (11/8/07)
August 9, 1945, a Date that Will Live in Infamy, by Robert Higgs (The Beacon, 8/9/08)
Delusions of Power: New Explorations of the State, War, and Economy, by Robert Higgs
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Bomba atomica sobre o Japao, 1945: um debate interminavel nos EUA, e no mundo
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