Sobre obsessões pessoais e tragédias políticas nacionais.
Existe, na presente conjuntura politica nacional, uma tragédia quase cômica, que è o fato dos dois candidatos à presidência no segunfo turno, serem igualmente os que carregam seus respectivos índices de rejeição nas alturas de uma negação recíproca, que seria, em condições normais, praticamente terminal.
A eleição de um ou outro elevaria ainda mais o grau de animosidade politica já existente, ao ponto de inviabilizar a condução normal dos assuntos mais importantes da administração pública (com excessão do Centrão, que se acomodaria com um ou outro, pois vive da barganha mais oportunista, sem qualquer pudor ou princípio).
Nesse ponto da nossa tragédia cômica, remeto à “Observação Interessante” que recolho desta postagem de Walmyr Buzatto, que parece derivar do argumento de Paulo Motoryn. Transcrevo:
“Uma observação interessante!
“Tem algo importante a ser dito para quem não aguenta mais ter que escolher entre Lula e Bolsonaro.
Se Lula vencer, não poderá disputar outra reeleição e a família Bolsonaro perderia muita força.
Se Flávio vencer, poderá tentar a reeleição em 2030 quando Lula também poderia voltar a concorrer. [O que eu acho altamente improvável. PRA]
Quem não quer mais Lula nem os Bolsonaro, só tem uma opção: Lula.”
Fim de transcrição.
Pois bem, aqui entra a obsessão pessoal de Augusto De Franco, numa campanha tão acirradas contra a reeleição de Lula, sem muita lógica politica e sem qualquer constatação prática sobre a verdadeira tragédia nacional que representaria a submissão completa da política externa (e de outras consequências derivadas na política interna) caso seja entronizado o filhote miliciano do “I love you Trump”, com sua adesão já anunciada ao novo imperador hemisférico.
Não poderia haver “catástrofe geopolítica maior no século XXI” — retomando a observação de Putin para o século XX — que a entrega do maior país da América do Sul aos designios tresloucados do mais mediocre e desequilibrado dirigente americano dos últimos 250 anos (ou seja, em toda a história da primeira república da era contemporânea).
Augusto De Franco assumiu para si uma tal ojeriza da continuidade do lulopetismo no poder que desconhece completamente essa outra tragédia nacional e continental que decorreria da entrega de mão beijada do Brasil ao mais demencial autocrata do trio atual de superpotências quase em perfeita coalizão de intenções geopolíticas.
Parece uma outra dimensão da tragédia cômica na qual vivemos atualmente.
Considero essa possibilidade de sermos entregues atados ao delirante projeto do “Escudo das Américas” muito mais grave na história nacional do que a eventual continuidade das politicas populistas, econômicas e sociais, do lulopetismo declinante.
O Brasil pode deixar de existir como nação independente e autônoma nos principais capitulos de suas pilitnacionais caso seja eleito o medíocre “rei das rachadinhas” (e de muitas rachadonas).
Não concebo, como diplomata, tragédia maior em nossa história dos últimos 204 anos.
Volto, portanto, à única opção política admissível no atual quadro existente de nossa tragédia quase cômica.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7/10/2026
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