Mostrando postagens com marcador A diplomacia de Trump. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A diplomacia de Trump. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de março de 2026

A diplomacia de Trump: destrói para depois negociar - Editorial da revista digital Será?

 Editorial da revista digital Será?:


A diplomacia de Trump: destrói para depois negociar
Editorial Revista Será?, mar 6, 2026

O pretensioso e arrogante candidato ao Prêmio Nobel da Paz, Donald Trump é, na verdade, o senhor da guerra e o aspirante a gendarme do planeta, utilizando o poderoso arsenal militar dos Estados Unidos para intervir, onde e quando decidir, ignorando, pisoteando e esmagando os acordos e as regras constituídas de direito internacional. E sempre a partir da sua exclusiva consideração e segundo os interesses estadunidenses e seus próprios benefícios empresariais. Aliado ao governo de Israel, o imperialista Trump está bombardeando o Irã em larga escala e sem qualquer aprovação das organizações internacionais e nem mesmo do Congresso dos Estados Unidos, como exige a sua Constituição. Com argumentos e discursos mentirosos e contraditórios, Trump suspendeu unilateralmente as negociações que vinha avançando com o governo do Irã para assinatura de um novo acordo nuclear, no qual Teerã se comprometeria a não desenvolver uma bomba atômica. E partiu direto para o ataque, a destruição das bases militares e a eliminação da liderança política do país, começando pelo assassinato do líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Vale lembrar que, no seu primeiro governo, Trump tinha revogado um acordo assinado pelos Estados Unidos com o Irã (com o presidente Barak Obama) no qual o governo iraniano assumia o compromisso de limitar o seu programa nuclear a fins pacíficos. Esta é a essência da diplomacia de Trump: acordos só depois que destrói e humilha o inimigo com seu poderoso arsenal militar.

Certo, não dá para defender o governo do Irã, uma teocracia fundamentalista e altamente repressiva, tendo assassinado, recentemente, milhares de manifestantes que protestavam nas ruas contra a violência do sistema autoritário e a atuação perversa da Guarda Revolucionária e da Polícia da Moralidade, que impõe com força as regras medievais do islamismo. Não há dúvida, tampouco, que a ditadura iraniana constitui uma ameaça à estabilidade e à paz no Oriente Médio com o seu próprio poderio militar e o apoio ao Hamas e ao Hezbollah em confronto com Israel. Mas o Irã é um país soberano e cabe exclusivamente aos iranianos lutar por um novo sistema político, por democracia e pelo respeito aos direitos humanos, de preferência por um Estado laico. Aliado ao criminoso de guerra Benjamin Netanyahu, o gendarme do planeta quer derrubar o governo iraniano com a pretensão mentirosa de implantação de uma democracia no Irã e proteger os direitos humanos atacados pela teocracia. Logo Trump que vem minando, sistematicamente, a democracia nos Estados Unidos e desrespeitando os direitos civis e dos imigrantes. E Netanyahu que vem massacrando continuamente o povo palestino sem qualquer respeito pela dignidade humana.

Aos países democráticos cabe apenas a condenação dos crimes da teocracia xiita e o apoio político e diplomático aos movimentos da sociedade iraniana. Nunca a intervenção direta nos assuntos internos para impor, de fora, a democracia no Irã. Nem mesmo atacar militarmente, sem qualquer validação das organizações internacionais, para destruir o arsenal militar iraniano pelo potencial de risco à estabilidade e paz na região. Para manter a paz na região é necessário, ao contrário, um esforço de negociação, acompanhada de pressões diplomáticas, sem destruir o inimigo, construir acordos que garantam a estabilidade. Por outro lado, sob o pretexto de impedir as ameaças do Irã à paz e à segurança mundiais, a guerra desencadeada pela dupla Trump-Netanyahu está provocando, na realidade, uma grande instabilidade , que pode a levar a uma grave crise econômica mundial por conta do fechamento das rotas dos petroleiros. Além disso, demonstra para o mundo que não existem mais regras internacionais de convivência entre as nações e nenhum instrumento que assegure a soberania das nações, legitima a invasão da Ucrânia pela Rússia e oferece à China um bom argumento para anexar Taiwan.
https://revistasera.info/2026/03/a-diplomacia-de-trump-destroi-para-depois-negociar-editorial/

Postagem em destaque

Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado? Paulo Roberto de Almeida

  Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado?     Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.   Com vistas a responder possí...