É o mínimo que se pode dizer quanto ao que se vem dizendo, em questões DIPLOMÁTICAS, quanto ao contexto do Oriente Médio:
LULA E AS NOVAS VELHAS BOBAGENS SOBRE O ORIENTE MÉDIO
Reinaldo Azevedo, 22.04.2010
Se o assunto é diplomacia (post abaixo), especialmente as delinqüências a que se pode dar a política externa brasileira, cumpre acrescentar ao rol de sandices a fala de hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao receber o presidente do Líbano, Michel Suleiman. Afirmou o grande pensador das esferas terrestre e celeste:
“Não haverá reconciliação na região sem um Líbano vivendo em harmonia com seus vizinhos. Nem haverá conforto para o sofrido povo libanês enquanto perdurar o conflito árabe-israelense, a questão dos refugiados palestinos e as indefinições sobre o programa nuclear iraniano”.
Que diabos isso quer dizer? O Hezbollah, movimento terrorista que agora disputa eleições (!), mas que não abre mão do controle militar de uma parte do território libanês, é financiado pela Síria e pelo Irã e tem como um de seus objetivos destruir o “estado sionista”. Seus militantes foram treinados pela Guarda Revolucionária do Irã, a elite militar que hoje, de fato, manda no país. O que é mandar “de fato”? Se a Guarda quiser derrubar algum aiatolá, derruba; mas um aiatolá não derrubaria um chefão da Guarda.
Que graça! Para Lula, uma vez criado o estado palestino, o problema do Oriente Médio — e, deve imaginar, do terrorismo islâmico — estaria resolvido, como se ele se limitasse a uma questão local. O Irã, por exemplo, está pouco se importando com a “causa árabe”. Financia o Hamas — contra o Fatah, é bom lembrar — porque considera que, assim, atinge os interesses dos Estados Unidos na região. E dá suporte ainda ao terrorismo xiita no Iraque.
Meter num mesmo saco “a volta dos refugiados palestinos” e as “indefinições sobre o programa nuclear iraniano” corresponde a apostar no confronto. Se o preço da “paz” na região for a volta dos ditos “refugiados”, paz não haverá — e o Fatah de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, não faz dessa reivindicação uma questão de honra porque sabe que não ocorrerá. O limite, nesse caso, são compensações financeiras para os realmente refugiados — e não para aqueles que o movimento de resistência a Israel considera refugiados. A “volta” é impossível porque Israel deixaria de ser, segundo as bases de sua fundação, um estado majoritariamente judeu. Sem essa premissa, não é preciso ser muito bidu para intuir, os judeus seriam esmagados. Os palestinos moderados sabem que essa trilha não leva a lugar nenhum. Mas Lula acredita que pode ser mais duro do que o próprio Abbas — alinhando-se, então, com o Hamas, o Hezbollah, a Síria, o Irã, essa gente bacana, enfim.
Quanto ao resto, o que quer dizer, nesse contexto, “indefinições sobre o programa nuclear iraniano”? Quer dizer que este gênio da política externa, “O Cara”, acredita que a questão deva ser debatida no âmbito, imaginem vocês!, dos conflitos israelo-palestinos. Para os cérebros cinzentos que hoje comandam a política externa brasileira, seria preciso arrancar concessões de um lado (Israel) para que o outro lado (o Irã), com o qual o Brasil se alinha, fosse estimulado a recuar de seu programa — que, não obstante, o Brasil assegura ser pacífico.
Ora, se é pacífico, por que, então, o próprio Brasil admite que tem de ser negociado no ambiente da guerra? A falta de limites de Lula e seus malucos é assombrosa. Por mais que seja cansativo apontá-la dia após dia, isso tem de ser feito. É uma questão de defesa da civilização.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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