Sou um observador crítico, há dez anos, das bobagens disseminadas em TODOS os eventos do Fórum Social Mundial.
Acabo de publicar um livro dedicado precipuamente a esta finalidade:
Globalizando: ensaios sobre a globalização e a antiglobalização
(Rio de Janeiro: Lumen Juris Editora, 2010, xx+272 p.; ISBN: 978-85-375-0875-6).
Mas confesso que já não tenho mais paciência, nem tempo, de ficar lendo tanta bobagem que se escreve e se diz nesses piqueniques inúteis da antiglobalização.
Assim, com exceção de um artigo mais recente, de caráter genérico, abordando tanto o Fórum Econômico de Davos quanto o de seus oponentes, este aqui:
Fórum Econômico e Fórum Social: dois mundos impossíveis e contraditórios?
Brasília, 7 fevereiro 2011, 5 p.
Comentários sobre o WEF e o FSM, criticando ambos.
Mundorama (8.02.2011).
Relação de Originais n. 2244; Publicados n. 1022.
nem procurei saber o que acontecia em Dacar, tal a quantidade de bobagens que normalmente é debitado, em quantidades monumentais, nesse tipo de encontro.
Mas um colega de lista destacou dois trechos primorosos de um dos documentos que circulou por lá e fez um diagnóstico preciso, necessariamente cruel:
Seminário A busca de paradigmas de civilização alternativos e a agenda da transformação social
Dakar, Senegal – 7 a 10 de fevereiro de 2011
Nota conceitual do Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo FSM (GRAP-FSM)
"O Fórum Social Mundial 2011 enfrenta o desafio de auxiliar atores e movimentos que resistem à globalização neoliberal a construírem um horizonte de superação sistêmica da ordem capitalista, capaz de conectar e potencializar uma grande multiplicidade de lutas dando-lhes um sentido de transição para uma ordem mundial sustentável social e ambientalmente – ou, o que é o mesmo, um mundo de justiça ambiental e social.
(...)
O capitalismo lucra com todas as formas de desigualdade, deslocando a produção para onde seus custos são mais baixos, criando um mundo ao mesmo tempo muito mais globalizado e fragmentado. O crescimento dos chamados “emergentes” amplia o numero de assalariados em centenas de milhões e das classes médias em dezenas de milhões, isto é, integra como consumidores novas parcelas da população mundial. A máquina capitalista move-se na lógica de crescer mais, ampliar exportações e importações, produzir e consumir mais bens industriais e criar e utilizar serviços cada vez mais complexos, mercantilizar tudo numa dinâmica de obsolescência planejada, uso privado, desperdício e descartabilidade. Na medida que centenas de milhões de pessoas mais perseguem a felicidade através do modo de vida consumista, demandam cada vez mais recursos: energia barata, matérias primas industriais, alimentos e serviços ambientais."
Comentário final e definitivo:
O primeiro parágrafo é um primor. O redator conseguiu juntar quase todos os chavões esquerdopatas em apenas quatro linhas. O resultado é quase ininteligível. No último parágrafo os arautos do subdesenvolvimento LAMENTAM a entrada dos mais pobres na "sociedade de consumo".
É uma confissão clara de que, se dependesse deles, a miséria seria eternizada na face da terra.
Haja estômago para o pensamento dessa gente.
João Luiz Mauad
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Não preciso acrescentar mais nada...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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