Uma companhia prejudicada pela política econômica esquizofrênica do governo.
Paulo Roberto de Almeida
Mantega é reeleito na Petrobrás e minoritário protesta
29 de abril de 2013 | 20h 37
Sabrina Valle, da Agência Estado
Acionistas atacaram influência do governo nas decisões da companhia; nome do ministro, reconduzido à presidência do conselho, foi vaiado
RIO - Acionistas minoritários da Petrobrás aproveitaram nesta segunda-feira a assembleia anual da companhia para protestar contra a influência do governo na gestão. Um dos acionistas chegou a vaiar, de forma relativamente tímida, mas sendo escutado pelos mais de 100 presentes, a reeleição do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como presidente do conselho de administração da petroleira.
"Fora Mantega", disse o investidor João Antonio Lian, arrancando alguns risos de apoio de investidores e petroleiros ao seu redor. Minoritários também elegeram nesta segunda o presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha, para uma cadeira no conselho de administração voltada a acionistas minoritários detentores de ações ordinárias (ON, com direito a voto).
Avanço. A eleição de Cunha para uma das dez cadeiras do conselho teve o apoio de investidores estrangeiros. Apesar de ocorrer sem surpresas, o movimento foi visto no mercado como um avanço em termos de governança na companhia. Até hoje, o governo garantia nomes de seu agrado no cargo com voto de instituições como BNDES e BNDESPar, que desta vez se abstiveram.
Os ataques, em sua maioria lidos ao microfone com pedido de registro em ata, se direcionaram à influência do governo nas decisões da companhia, e não à presidente Graça Foster.
Acionista minoritário, Luís Eduardo Potsch chegou a perguntar se Graça não seria apenas uma "executora das determinações de Brasília". Perguntou ainda se Guido Mantega não seria o verdadeiro CEO (presidente) da Petrobrás.
Em todas as vezes, Graça agradeceu as colocações de forma cordata e não teceu comentários. A executiva não participou dos outros dois compromissos da agenda de relações com investidores desta segunda: a teleconferência com analistas de mercado, pela manhã, para comentar os resultados obtidos pela Petrobrás no primeiro trimestre, e a entrevista coletiva com jornalistas realizada a seguir, com o mesmo propósito. Mas Graça fez questão de conduzir, pela primeira vez desde que tomou posse no cargo, a assembleia. Foi elogiada por parte dos críticos.
Despedida. "Quem manda na Petros (fundo de pensão dos funcionários) é a Petrobrás; e quem manda na Petrobrás é o governo", declarou o presidente do conselho fiscal da Petros, Silvio Sinedino.
Sinedino, que se despede do cargo de membro do conselho de administração da Petrobrás em vaga reservada a representante de empregados, contestou voto da Petros na condição de minoritário.
Os fundos de pensão que integram o grupo de acionistas da empresa, por serem patrocinados por estatais (Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), têm seus votos questionados pelos demais minoritários. Costumam acompanhar as decisões da União, controladora da petroleira.
Fernando Siqueira, da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet), protestou contra o estrangulamento financeiro da companhia por meio do congelamento do preço dos combustíveis.
"Não se pode fazer controle de inflação transferindo todo o ônus para uma única empresa", disse Siqueira.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Petrobras: politizada, a servico do governo
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