Eu recebo muitos convites (que não posso aceitar todos) para falar para estudantes, geralmente universitários (mas não recusaria tampouco para outras categorias, dos diversos ciclos, do pré-primário ao pós-doc).
Habitualmente, se trata de questões de relações internacionais, política externa brasileira, mas também de políticas econômicas ou problemas atuais do Brasil.
Tenho tido sorte: os convites costumam vir de pessoas sensatas, grupos ou movimentos já identificados com certo universo conceitual, ou filosófico, que se aproximam daquilo que eu mesmo penso sobre os diferentes problemas que me requerem discutir.
Mas não considero isso uma vantagem, ao contrário. Não ser contestado em meus argumentos representa, de certa forma, algo como chover no molhado, falar para os já convertidos, para os like-minded guys, pessoas (estudantes, professores, curiosos) que geralmente partilham das mesmas convicções e tendem a concordar comigo (até aplaudir, o que me constrange, pois preferiria debate, contestação, contrarianismo).
Pois é, recebendo boletins diários de gregos e goianos, das mais diversas fontes, do bom, do mau e do feio, posso fazer uma ideia do que anda pela cabeça desses goianos (sem preconceito aqui, apenas para não falar mal dos troianos, dos persas, sei lá).
Agora imaginem se eu tivesse de debater com pessoas que leem estas coisas, que concordam com estas coisas, que acreditam nestas coisas?
Será que o debate político e econômico no Brasil continua subdesenvolvido?
Apenas uma pequena seleção do que estava no boletim que recebi hoje (16/10/2016) de uma dessas fontes muito usadas por professores e alunos em nossas academias, e que tem orgulho de se colocar num espaço etéreo chamado "pós-capitalismo" (onde está, quem já viu?, como posso chegar lá?):
O Ocidente declina, mas os EUA conservam o poder militar decisivo. A crise do capitalismo arrasta-se, espalha insegurança, corroi a democracia. Onde encontrar a esperança? Por Ignacio Ramonet
Surreal: ao divulgar a lista dos estabelecimentos com melhores notas no exame, ministério não tabulou 275 Institutos Federais de excelência. "Equívoco"? Ou interesse em valorizar ensino privado? Por Helena Borges
Venezuela:há saída à esquerda?
Há quem pense que o problema não é rebeldia demais -- mas de menos
Tem mais, muito mais. O que está acima é apenas de um boletim. Todos os dias me chegam maravilhas desse tipo.
O que eu faria com gente assim? Como conseguiria discutir com trues believers?
Desafio...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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