Mostrando postagens com marcador Mauro Laviola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mauro Laviola. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Integracao latino-americana anacronica - Mauro Laviola

As coisas não são o que aparecem nos discursos oficiais, segundo esse crítico do oba-oba integracionista.
Paulo Roberto de Almeida

CELAC: O que será o amanhã?
Mauro Laviola
O Globo, 1002/2013

A reunião de suposto congraçamento entre a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac, versão latina da Organização dos Estados Americanos sem os EUA e o Canadá) e a União Europeia, ocorrida em Santiago do Chile no fim de janeiro, revelou o velho anacronismo existente em boa parte dos países da região dirigidos sob uma visão terceiromundista.

Inútil encontro porque restou apenas a constatação de que a "estratégica associação transatlântica" pretendida jamais se solidificará frente à existência da brecha político-ideológica que separa países latino-americanos com visões planetárias da outra metade que ainda cultuam gestões político-econômicas do passado.

O pior da história é que o Brasil parece situar-se no lado errado, ainda preso à "Doutrina Garcia" (esplendidamente destrinchada em magistral artigo do sociólogo Demétrio Magnoli). Como principal conselheiro presidencial para assuntos externos, suas opiniões conduziram a política externa brasileira nos últimos dez anos a um estrondoso fracasso. Logrou destronar o Ministério das Relações Exteriores de seu encargo constitucional ao induzir os dirigentes do país a seguir os ditames "lulopetistas", "chavistas" e "kirchneristas" de integração regional e aversão aos países capitalistas. Não é por outra razão que o Brasil, supostamente o líder econômico continental, aceita e até apoia toda sorte de subversões comerciais praticadas pela Argentina no último decênio. Outro feito importante da dita "doutrina" foi orientar o governo a participar do conhecido plano para ingressar a Venezuela no Mercosul pela janela.

Em matéria de relacionamento extrarregional, o bloco dispõe apenas de dois insípidos acordos vigentes com a Índia e Israel e três outros com a União Aduaneira da África Austral (Sacu, na sigla em inglês), Egito e Palestina à espera de aprovações parlamentares.

Os (des)entendimentos com a União Europeia estão próximos de completar vinte anos e, a julgar pela Argentina, jamais serão finalizados enquanto perdurar a atual postura Kirchner, enquanto o Brasil, preso às amarras da Decisão do Conselho do Mercado Comum do Mercosul 32/00, não tem outro papel a não ser ir dourando a pílula.

Enquanto isso, os países da Aliança Atlântica (Colômbia, Chile, Peru e México) - contando com crescentes observadores (Panamá, Costa Rica, Uruguai e mais recentemente o Paraguai) - estão voando à velocidade do som para recuperar décadas perdidas de atrasos e demagogias.
E nós? Como estamos no período de carnaval, só nos resta cantar o conhecido samba-enredo da União da Ilha:

"O que será o amanhã?
Descubra quem puder
O que irá me acontecer?
O meu destino será o que Deus quiser..."

Mauro Laviola é vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O que fazer com o Mercosul? - Mauro Laviola

Parece que o autor deste artigo de opinião gostaria de dizer: 
"Jogue no lixo, ora essa!"
Ele não diz, mas é como se...
Enfim, o artigo é um pouco confuso, refletindo mais observações de leigo, ou de observador interessado, já que empresário, ou burocrata trabalhando diretamente em contato com empresários que exportam e importam do Mercosul -- e sabem a bela confusão que é -- do que propriamente uma análise sistemática, objetiva e bem fundamentada sobre os problemas reais do Mercosul, que estão obscurecidos por uma cortina política de grandiloquência retórica que busca justamente esconder seus fracassos naquilo que interessa: a liberalização comercial e a integração econômica.
Como os governos não acreditam nisso, e como alguns governos trabalham ativamente contra a agenda real, ou essencial do Mercosul -- consolidada simplesmente no artigo 1ro. do Tratado de Assunção, os presidentes ficam fazendo reuniões espalhafatosas, com declarações de muitas páginas, nas quais prometem muito e não entregam nada, ou quase nada.
Em todo caso, fica o artigo para uma leitura amena.
Depois vou postar meus trabalhos mais recentes sobre o Mercosul.
Paulo Roberto de Almeida 


O que fazer com o Mercosul?
Opinião - Mauro Laviola
O Globo - 12/04/2012


Mês passado o bloco atingiu sua maioridade, mas apenas cronologicamente, porque em termos de maturidade sequer terminou o jardim de infância. Se formos analisar os efetivos resultados alcançados pelo bloco nesses 21 anos de existência, afora o inegável aumento do comércio sub-regional, os resultados de fortalecimento socioeconômico entre os sócios e de maior inserção internacional são notoriamente pífios. A partir da tentativa de formação de uma união aduaneira de forma apressada, de sofrer vicissitudes internas por adoção de políticas nacionais erráticas e inteiramente autônomas, além de sofrer fortes respingos da conjuntura internacional, os anos 2000 caracterizaram-se por frustradas tentativas de reparar o irreparável, uma vez que a engrenagem interna do conjunto já estava carcomida.
A primeira crise internacional deste século, em 2002, nos fez pensar que o comércio regional seria suficiente para fortalecer o conjunto que os anos subsequentes mostraram tratar-se de uma bela armadilha. Na incapacidade ou impossibilidade de implementar os dispositivos inerentes ao aperfeiçoamento do aparato institucional e operacional previsto no Tratado, os países-membros passaram a descumprir, sistematicamente, as regras preestabelecidas e criar inúmeros artifícios dilatórios para encobrir suas inadimplências. Chegaram, ultimamente, ao ponto crítico de sequer cumprir o estipulado no art. 1 do Tratado de Assunção que estabelece a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos.
Nesse aspecto, aliás, vale mencionar certa semelhança com o que ocorre hoje no seio da OMC. Em princípio, todos os países fazem de conta que obedecem estritamente aos dispositivos do organismo praticando, porém, um mercantilismo calcado em subsídios e regulamentos nacionais ambíguos em relação às regras ou simplesmente as ignoram, distorcendo inteiramente o princípio da sadia competitividade. Nesse aspecto, parece que o Mercosul só soube colher do ambiente multilateral o que lá se convencionou denominar de trade rugby (comércio pesado). As recentes medidas argentinas de proteção integral à produção doméstica, flagrantemente contrárias à OMC, ao Mercosul e aos acordos por ela firmados na Aladi, invalidam qualquer visão mais otimista para o futuro do bloco. Por outro lado, as medidas protecionistas pontuais que vêm sendo adotadas pelo Brasil configuram a tentativa de "argentinizar" sua política comercial agravando o quadro geral.
Em outro prisma, a derivação do Mercosul para o campo político, como tentativa de encobrir ou amortecer seu insucesso operacional, tampouco mostrou-se eficaz frente à comunidade internacional. Primeiro porque, internamente, criou uma série de penduricalhos custosos e inócuos como o Parlamento do Mercosul que só teria sentido se o regime de decisões do bloco fosse supranacional. Externamente, embaralhou-se com uma série de outras instâncias regionais de duvidosas intenções ideológicas e pouca praticidade, tais como Unasul/Sela/Calc/Celac/Asa et caterva.
Nesse momento, o governo brasileiro mostra certo "cansaço" do Mercosul e não crê em algo importante a fazer. Mas, como sua política externa mostra-se pendular e obediente ao preceito do "regionalismo aberto" tão a gosto do Itamaraty, a bola da vez volta-se para o campo do Brics. Só que, com os demais integrantes desse grupo, o jogo de interesses será igualmente pesado e vai necessitar de muito engenho e arte para dar frutos adicionais à economia do país.


MAURO LAVIOLA é diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Postagem em destaque

Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado? Paulo Roberto de Almeida

  Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado?     Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.   Com vistas a responder possí...