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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Regis Bonelli (RIP): um economista como poucos, alias, como muito poucos - J. R. Afonso

A homenagem de José Roberto Afonso ao grande economista Regis Bonelli, recentemente falecido, não poderia ter sido melhor, ou melhor, claro que poderia ter sido melhor: transcrevendo ainda mais trabalhos desse grande, enorme, gigantesco economista pensador (o que é raro).
Abaixo.

Informativo J.R. Afonso 1606, 14/12/2017
Nossa singela homenagem póstuma ao professor e economista Regis Bonelli, relembrando apenas alguns dentre tantos trabalhos que produziu com grande competência e leveza.

Regis Bonelli

Regis Bonelli era doutor em Economia pela University of Califórnia-Berkeley e Bacharel em Engenharia pela Pontifício Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Era pesquisador do IBRE desde 2008, onde desenvolveu trabalhos nas áreas de crescimento e desenvolvimento. No link está disponível os trabalhos realizados no IBRE - http://bit.ly/2AAWh7n
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Crise de Crescimento do Brasil (Bonelli & Veloso)

A crise de crescimento do Brasil coletânea de 20 artigos organizada por Regis Bonelli e Fernando Veloso será lançada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE) e a Editora Elsevier. "O livro analisa uma das maiores recessões da história brasileira, acompanhada de uma crise política de enormes proporções..." O lançamento do livro ocorrerá no dia 16 de …
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Ensaios IBRE (Bonelli & Veloso)

Ensaios IBRE de economia brasileira - II organizado por Regis Bonelli e Fernando Veloso lançado pelo IBRE/FGV e pela Editora Elsevier (2014). "A obra vem à luz em um momento especial, após as eleições majoritárias no Brasil. Trata-se de um instante em que se definem as bases para políticas a serem adotadas no futuro, para o que este livro fornece …
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Produtividade x Crescimento (Bonelli)

Produtividade e armadilha do lento crescimento por Regis Bonelli capítulo do livro Produtividade no Brasil - Desempenho e determinantes (2014). "Em geral, reduções no ritmo de crescimento dos países emergentes têm sido associadas a ritmos de crescimento mais lentos da produtividade à medida que os países alcançam níveis médios de renda..." Verificar PDF Anexado
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Ensaios IBRE (Bonelli & Pinheiro)

Lançamento do livro Ensaios IBRE de economia brasileira - I organizado por Regis Bonelli e Armando Castelar Pinheiro pela FGV/IBRE. "O Instituto Brasileiro de Economia (FGV/IBRE) lançará primeiro volume do livro Ensaios IBRE da Economia Brasileira. A obra é um dos frutos dos esforços de pesquisa do IBRE em 2013. O lançamento ocorre logo após a quarta edição do Seminário …
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Perspectivas da Economia Brasileira para 2014 (FGV/IBRE)

Perspectivas da economia brasileira para 2014 seminário promovido pela FGV/IBRE com os apresentadores Silvia Matos, Samuel Pessoa, Nelson Barbosa, Armando Castelar Pinheiro e moderador Regis Bonelli. "O ano eleitoral de 2014 será, possivelmente, marcado por uma atuação visando a expansão da economia por parte dos formuladores de política econômica. Mas a necessidade de promover uma recuperação do crescimento do  nível de …
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Ampliar Investimento Público (Bonelli)

Para crescer, é preciso ampliar investimento público, afirma Regis Bonelli em entrevista cedida ao Valor (28/12). "... o governo brasileiro pode até sair 'um pouquinho' dos cânones, desde que para investir em infraestrutura e, com isso, combater a anemia do Produto Interno Bruto (PIB)...Acho que a situação fiscal é mais complicada , mas, por outro lado, e agora vou ser …
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Perspectivas Economia Brasileira (IBRE/FGV)

Perspectivas da economia brasileira para 2013, seminário promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas. O seminário, em formato de mesa redonda, terá os seguintes participantes: Affonso Pastore, José J. Senna, Silvia Matos, Samuel Pessoa e como moderador Regis Bonelli. O evento será no dia 23/11/12 no Rio de Janeiro. http://bit.ly/105lavQ
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Brazil's Growth (Bacha & Bonelli)

Accounting for the rise and fall of post-WW-II Brazil's Growth by Edmar Bacha and Regis Bonelli. "Brazil's GDP grew vigorously from the early-WW-II period untill 1980. GDP growth then collapsed and never again recovered its previous performance, not even after inflation was tamed in 1994. With the help of a commodity boom and large capital inflows, growth rates increased after …
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Cadeia Metal-Mecânica (Bonelli)

Cadeia metal-mecânica, ameaça da China e desindustrialização no Brasil estudo de Regis Bonelli, indicado por Marco Polo do Instituto Aço Brasil. " O objetivo é analisar a crescente inserção chinesa no mercado da indústria metal-mecânica doméstica à luz da experiência brasileira no passado recente. A finalidade é, além de montar um diagnóstico da evolução recente desse tema, propor medidas de …
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Brasil e Mexico: por que continuam pobres? - Edmar Bacha, Regis Bonelli

 Por que Brasil e México não ficam ricos? 
Edmar Bacha e Regis Bonelli
Edmar Bacha é diretor do IEPE/Casa das Garças.
Regis Bonelli é pesquisador do Ibre-FGV.

Valor Econômico, 21/08/2015

Já se tornou um clichê entre os economistas parafrasear a abertura de Anna Karenina, que todas as famílias felizes são parecidas; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira. Mas a citação é pertinente para descrever as economias do Brasil e do México desde 1980.
Depois de um longo período de prosperidade, ambos os países viram suas taxas de crescimento afundar quase sincronicamente. Tiveram uma década perdida nos anos 1980 e introduziram reformas econômicas liberalizantes nos anos 1990. A ascensão da China fez suas fortunas diferirem na primeira década deste século, beneficiando o Brasil e prejudicando o México. Mas depois da Grande Recessão ambos estão tendo dificuldade para alcançar taxas decentes de crescimento.
Os dois países experimentaram contrações na acumulação de capital que foram profundas e duradouras, associadas aos colapsos do crescimento do PIB a partir do início dos anos 1980. As quedas na acumulação de capital não se deveram, entretanto, a declínios nas taxas de poupança, porque essas permaneceram constantes ou mesmo aumentaram depois de 1980. Os principais culpados pelos desastres foram quedas pronunciadas na produtividade do capital no México e fortes aumentos nos preços relativos do investimento no Brasil. Esses movimentos coincidiram com a crise da dívida do início da década de 1980 e com as subsequentes respostas de política: substituição ineficiente de importações de bens de capital no Brasil e políticas sociais que resultaram em aumento da informalidade no México.
Para se tornar rico um país tem que conseguir integrar-se tanto doméstica quanto internacionalmente
Apesar dessas semelhanças macroeconômicas, quando olhamos a evolução das respectivas estruturas econômicas mais a fundo, descobrimos que Brasil e México se tornaram infelizes cada um a sua maneira.
Na dimensão regional, observamos uma tendência para a desigualdade da renda entre os Estados aumentar no México e diminuir no Brasil desde a década de 1990. A razão aparente é que a atividade manufatureira floresceu no Norte do México, bem integrada com os EUA, mas com poucas ligações com o resto do país. No Brasil, ao contrário, a atividade manufatureira, altamente concentrada em São Paulo, perdeu dinamismo. Enquanto isso, a agricultura e a mineração, que são melhor distribuídas regionalmente, ganharam tração com o superciclo das commodities. Além disso, transferências de renda e políticas de salário mínimo foram mais eficazes para redistribuir renda do que programas similares no México. Mesmo assim, o Brasil continuou sendo um país mais desigual do que o México.
Dados sobre o comportamento da produtividade dos setores que participam ou não do comércio exterior mostram uma tendência para convergência das produtividades relativas no Brasil. Enquanto isso, no México a tendência é de divergência, com os setores que não entram no comércio exterior (serviços, em geral) se atrasando substancialmente em relação aos que participam do comércio exterior (manufaturas e petróleo, predominantemente). Esse resultado é consistente com a visão de que no México os setores que participam do comércio exterior são muito dinâmicos, mas esse dinamismo não extravasa para os setores voltados para o mercado doméstico. Enquanto isso, no Brasil os setores que entram no comércio exterior lutam para alcançar a produtividade dos setores voltados para o mercado interno (basicamente por causa da importância da agricultura nas exportações).
Quando se compara a evolução da produtividade por tamanho das firmas, o quadro para o México é bastante claro: o crescimento da produtividade das firmas grandes é muito maior do que o das firmas médias e pequenas, cuja produtividade, reduzida como já era, caiu ainda mais. A implicação é que, no México, o problema da baixa produtividade deveu-se de forma clara às pequenas e médias empresas, uma proporção alta do emprego nas quais é informal. No Brasil, o quadro é muito diferente: o crescimento da produtividade das empresas pequenas e médias na indústria de transformação foi similar ao observado nas empregas grandes. Lamentavelmente, em empresas de todos tamanhos o crescimento da produtividade foi extremamente baixo.
Constatamos, finalmente, que o México tem uma taxa de informalidade do trabalho mais alta do que o Brasil apesar de ter uma renda per capita mais alta do que a de nosso país. Além disso, lá a informalidade tem permanecido relativamente constante. Isso contrasta com o Brasil, onde a taxa de informalidade declinou substancialmente de 60% para 47% do emprego total no início deste século.
Concluímos que há diferenças relevantes na experiência recente de baixo crescimento dos dois países. O México abriu sua economia para comerciar com o resto do mundo e assim teve sucesso em desenvolver um setor industrial de primeira classe na região Norte mais rica do país. Uma integração doméstica similar não acompanhou essa integração externa. O dinamismo das grandes firmas exportadoras do Norte não se difundiu para as empresas médias e pequenas, informais, voltadas para o mercado interno, das regiões mais pobres do Sul. Como estas geram a maior parte do emprego e uma parte importante da produção total, a consequência foi uma taxa muito baixa de crescimento da produtividade do trabalho como um todo.
A disparidade entre os setores "moderno" e "tradicional" parece haver se ampliado no México. No Brasil, em diversas dimensões esse dualismo diminuiu. O Norte mais pobre cresceu mais rápido do que o Sul mais rico. A agricultura se deu melhor do que a manufatura. As grandes firmas não se sobressaíram em relação às firmas médias e pequenas. A informalidade diminuiu na última década. O problema do Brasil parece ter sido que, em contraste com o México, suas grandes firmas manufatureiras não se integraram à economia mundial e assim viram sua produtividade crescer quase nada. Isso resultou numa alavanca muito fraca para conseguir fazer mover o resto da economia para cima. Deste modo, o país permaneceu numa trajetória de baixo crescimento, exceto quando premiado pela loteria das commodities.
A conclusão é que para se tornar rico um país tem que conseguir integrar-se tanto doméstica quanto internacionalmente. Os colapsos de crescimento do Brasil e do México mostram como é difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

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