Mostrando postagens com marcador humanismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador humanismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Erasmo de Roterdam, um humanista - Regina Caldas

Uma visão realista sobre um grande idealista. 
Agradeço a Regina Caldas o envio deste seu texto sintético, e extremamente lúcido, sobre o grande humanista que foi o pensador Erasmo, um homem que, como muitos intelectuais, fazem suposições que têm certa dificuldade a se reconciliar com a realidade terrena.
Em todo caso, sua mensagem é clara, e lúcida.
É preciso educar os homens, a despeito de todo o fanatismo e intolerância.
Perseverar é preciso...
Isso me lembra que Stefan Zweit é o autor de muitos livros biográficos sobre homens (e mulheres) famosos na história. Uma reedição-republicação das obras completas de Zweig seria muito bem vinda.
Paulo Roberto de Almeida 



Erasmo de Roterdã

Erasmo de Roterdã abominava o fanatismo, a intolerância e a guerra.    

Erasmo de Roterdã, ao nascer das luzes da Renascença, foi um paladino da liberdade de espírito, sob a qual deveria existir uma fraternidade universal, cujo exemplo partiria de uma Europa unificada. 

Erasmo de Roterdã, uma voz que se dirige à posteridade, desde o século XVI, legou-nos pensamentos que primam pela atualidade.  

Prestemos atenção aos ecos das palavras de Erasmo, considerado o primeiro pacifista, transcritas por Stefan Zweig:

“ Toda idéia possui o seu direito, e a nenhuma cabe o direito de se proclamar como a única verdade”

“A tirania duma idéia é uma declaração de guerra à liberdade espiritual dos homens”

“Ao homem não é permitido adotar nenhuma ideologia, porque todas aspiram à preponderância, nem aderir a nenhum partido, porque o dever de todo partidário é ver, sentir e pensar partidariamente. Cumpre-lhe antes de tudo assegurar a si mesmo plena independência de pensamento e de ação, pois, sem liberdade, não pode haver justiça, a única idéia digna de ser o supremo ideal comum à sociedade humana.”

“ A idéia da guerra nunca está unida à da justiça, e a solução das armas nunca será a solução moral dum conflito”.

“As virtudes mais celebradas no mundo, a perspicácia e a equidade, a sinceridade e a honradez, foram inventadas para amargurar a existência dos que as praticam.”

“Os fanáticos reduzem todos os valores ao mesmo denominador”

O humanismo de Erasmo fracassou. Embora ele não ignorasse que o apetite de prepotência e de luta alvoroça o sangue humano, ele confiava que só através da Educação e dos bons livros se poderia dobrar a natureza do Homem. Mas ele, com sua natureza dócil, solidário por excelência, manteve-se, entretanto, distante das massas. Em conseqüência deixou de compreender que elas são movidas muito mais pelos fanatismos que pelo bom senso. Deixou de compreender que a manipulação dos sentimentos humanos seria um trunfo nas mãos das religiões e da política.

Regina Caldas    

Postagem em destaque

Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado? Paulo Roberto de Almeida

  Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado?     Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.   Com vistas a responder possí...