Existem pessoas, e eu não preciso dizer em quais partidos, que acham que a privatização da então Companhia Vale do Rio Doce, hoje Vale, foi um escândalo; eles gostariam de reestatizá-la.
Um projeto nesse sentido chegou a ser apresentado por um deputado de um desses partidos da chamada esquerda radical, que eu apenas chamo de bancada burra.
O relator, um deputado do PT, apresentou números como os que figuram no video abaixo, do economista Daniel Fraga, para rebater a ideia e dizer que seria melhor deixar a Vale privada.
Assista você também:
http://www.youtube.com/watch?v=vCWn_3Au7qA&NR=1&feature=fvwp
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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domingo, 31 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Contra a burrice voluntaria (2): o caso da falsa "privatizacao" da Petrobras
Continuo minha campanha nao apenas contra a idiotice consumada, mas contra o terrorismo eleitoral, desta vez abordando o caso da Petrobras, centro de polemicas geralmente viciadas desde sua fundacao.
Paulo Roberto de Almeida
Privatização: farsa e realidade
Paulo Renato de Souza
Ao sentir que a derrota de sua candidata é uma hipótese real, o lulopetismo apela para uma velha artimanha, como tentativa de se perpetuar no poder. Tenta fazer com Serra o que fez com Alckmin em 2006: colocar no candidato tucano a pecha de “privatista”, que, se eleito irá privatizar a Petrobrás, os Correios, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. É óbvio que se trata de uma mentira deslavada.
Há quatro anos, a mentira petista deu dividendos eleitoreiros, mas hoje seu caráter farsesco é tão visível que só cai no conto do vigário, quem for muito ingênuo. O PSDB foi governo por oito anos e jamais – repito, jamais, cogitou privatizar qualquer uma das empresas citadas. No caso da Petrobrás, há uma carta do presidente Fernando Henrique ao Senado, que está nos arquivos da Casa, onde se comprometeu a não privatizar a estatal. Portanto, é pura má-fé a afirmação do atual presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli de que FHC queria privatizá-la e que este é o plano de Serra.
José Serra já deixou claro o que fará caso seja eleito. Estas estatais não serão privatizadas. Elas serão “reestatizadas” e voltarão a ser propriedade dos brasileiros. No governo Lula, as estatais não são mais empresas públicas, pois foram apropriadas pelo patrimonialismo tradicional ou por sua versão mais “moderna”: o aparelhamento promovido pelo PT. Foi deste aparelhamento que surgiu uma nova casta, formada por antigos petistas e sindicalistas hoje aboletados em fundos de pensão, diretorias de estatais e na administração direta. Ao tomar de assalto a máquina do Estado, a nova casta não teve pruridos, tanto para “servir” ao seu partido, como para locupletar-se.
Os ganhos da privatização
O concreto é que as privatizações trouxeram enormes ganhos para o país. Privatizada ainda no governo de Itamar Franco, a Embraer é hoje a terceira maior companhia de aviação do mundo e líder mundial em vários segmentos ,como o de caças subsônicos. Depois de sua privatização, a Vale do Rio Doce, exporta mais, gera mais emprego e paga mais impostos do que quando era estatal. Hoje, a Vale é uma empresa global e uma das maiores mineradoras do mundo.
O que seria do Brasil se o Partido dos Trabalhadores tivesse sido vitorioso na sua resistência à privatização das teles? Estaríamos ainda naquilo que Serra chamou de o “País dos orelhões”, onde telefone era coisa de rico. E era mesmo, pois uma linha de telefonia fixa chegava a custar quatro mil dólares. Celular? Isto era coisa para gente com muita grana. Como suas teses não vingaram, temos hoje a universalização da telefonia. Agora existem no Brasil 180 milhões de celulares e a banda larga se expande a ritmo cada vez mais crescente, possibilitando a milhões e milhões de brasileiros o acesso à Internet.
O editorial do Estadão “A Repetição de um velho ardil” faz um balanço perfeito dos benefícios das privatizações: “O processo de desestatização, intensificado nas administrações Itamar Franco e Fernando Henrique, abrangendo os setores siderúrgicos, de mineração, da indústria aeronáutica e, de modo especial, os serviços bancários e as telecomunicações, foi peça essencial para consolidar a base dos avanços nos últimos 15 anos”.
“Privatização perversa”
Apesar de todo discurso ideológico contra as privatizações, Lula e o PT, em oito anos de governo, não reestatizaram uma só das empresas privatizadas. Em compensação promoveram uma espécie de “privatização perversa” de empresas estatais estratégicas. Vejamos dois casos: os Correios e a Petrobrás.
Antes do governo Lula, a Empresa Brasileira de Correios era uma das instituições mais bem avaliadas pelos brasileiros, tal a qualidade de seus serviços. Desde que Lula chegou ao poder, virou palco de escândalo e de ineficiência. Loteada entre os partidos da base aliada, a estatal foi palco de “guerra intestina” e viu seu nome ligado à CPMI que investigou o “mensalão”. Em seguida, Lula entregou seu comando ao PMDB, de “porteira fechada”. Em vez de dividida em vários feudos, a empresa passou a ser um “grande curral”, com um único dono.
Como se tudo isto fosse pouco, temos agora o escândalo do “Erenicegate”, do qual apareceu apenas a ponta do iceberg. O caos nos Correios é de tal ordem que o governo Lula só não mudou ainda toda a sua diretoria para não trazer novos prejuízos para a campanha de Dilma. Mas a queda do seu presidente, um homem de confiança de Erenice Guerra, é questão de dias.
A politização da Petrobrás
A politização da Petrobrás, promovida pelo seu presidente, o petista José Sérgio Gabrielli, fez com que a maior estatal do país perdesse quase US$ 100 bilhões de valores de mercado. A empresa está sendo mal avaliada em relatórios de bancos e no portfólio da administração Gabrielli há um recorde vergonhoso: a ação da Petrobrás é a única que perde do Ibovespa em um ano.
Em vez de enfrentar os problemas de gestão da empresa, seu atual presidente adota a postura de cabo eleitoral de Dilma e deixa a estrutura da Petrobrás ser utilizada em favor da candidata petista, como denunciou o jornal O Globo, além de bancar revista da CUT proibida de circular pela Justiça eleitoral por fazer, descaradamente, propaganda da candidata de Lula. Não satisfeito, dá entrevistas onde repete a cantilena de que o plano de Serra é privatizar a Petrobrás. Suas declarações parecem um jogo combinado com os estrategistas da campanha governista.
A quem ele prejudica, ao politizar a Petrobrás? Claro que a todos nós brasileiros - os verdadeiros donos da maior estatal do país. Mas, antes de tudo, está fazendo mal à própria Petrobrás. É como disse Fernando Henrique: “a politicalha voltou a avançar sobre a estatal” após sua saída do governo. “Por isto perdeu 20% do valor de mercado sob a batuta dessa gente.”
Seria fácil esclarecer toda a celeuma sobre as privatizações. Bastaria Lula aceitar o desafio de Fernando Henrique para um debate “cara a cara” entre os dois, após o fim das eleições. Mas quem disse que Lula está interessado no restabelecimento da verdade?
Paulo Roberto de Almeida
Privatização: farsa e realidade
Paulo Renato de Souza
Ao sentir que a derrota de sua candidata é uma hipótese real, o lulopetismo apela para uma velha artimanha, como tentativa de se perpetuar no poder. Tenta fazer com Serra o que fez com Alckmin em 2006: colocar no candidato tucano a pecha de “privatista”, que, se eleito irá privatizar a Petrobrás, os Correios, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. É óbvio que se trata de uma mentira deslavada.
Há quatro anos, a mentira petista deu dividendos eleitoreiros, mas hoje seu caráter farsesco é tão visível que só cai no conto do vigário, quem for muito ingênuo. O PSDB foi governo por oito anos e jamais – repito, jamais, cogitou privatizar qualquer uma das empresas citadas. No caso da Petrobrás, há uma carta do presidente Fernando Henrique ao Senado, que está nos arquivos da Casa, onde se comprometeu a não privatizar a estatal. Portanto, é pura má-fé a afirmação do atual presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli de que FHC queria privatizá-la e que este é o plano de Serra.
José Serra já deixou claro o que fará caso seja eleito. Estas estatais não serão privatizadas. Elas serão “reestatizadas” e voltarão a ser propriedade dos brasileiros. No governo Lula, as estatais não são mais empresas públicas, pois foram apropriadas pelo patrimonialismo tradicional ou por sua versão mais “moderna”: o aparelhamento promovido pelo PT. Foi deste aparelhamento que surgiu uma nova casta, formada por antigos petistas e sindicalistas hoje aboletados em fundos de pensão, diretorias de estatais e na administração direta. Ao tomar de assalto a máquina do Estado, a nova casta não teve pruridos, tanto para “servir” ao seu partido, como para locupletar-se.
Os ganhos da privatização
O concreto é que as privatizações trouxeram enormes ganhos para o país. Privatizada ainda no governo de Itamar Franco, a Embraer é hoje a terceira maior companhia de aviação do mundo e líder mundial em vários segmentos ,como o de caças subsônicos. Depois de sua privatização, a Vale do Rio Doce, exporta mais, gera mais emprego e paga mais impostos do que quando era estatal. Hoje, a Vale é uma empresa global e uma das maiores mineradoras do mundo.
O que seria do Brasil se o Partido dos Trabalhadores tivesse sido vitorioso na sua resistência à privatização das teles? Estaríamos ainda naquilo que Serra chamou de o “País dos orelhões”, onde telefone era coisa de rico. E era mesmo, pois uma linha de telefonia fixa chegava a custar quatro mil dólares. Celular? Isto era coisa para gente com muita grana. Como suas teses não vingaram, temos hoje a universalização da telefonia. Agora existem no Brasil 180 milhões de celulares e a banda larga se expande a ritmo cada vez mais crescente, possibilitando a milhões e milhões de brasileiros o acesso à Internet.
O editorial do Estadão “A Repetição de um velho ardil” faz um balanço perfeito dos benefícios das privatizações: “O processo de desestatização, intensificado nas administrações Itamar Franco e Fernando Henrique, abrangendo os setores siderúrgicos, de mineração, da indústria aeronáutica e, de modo especial, os serviços bancários e as telecomunicações, foi peça essencial para consolidar a base dos avanços nos últimos 15 anos”.
“Privatização perversa”
Apesar de todo discurso ideológico contra as privatizações, Lula e o PT, em oito anos de governo, não reestatizaram uma só das empresas privatizadas. Em compensação promoveram uma espécie de “privatização perversa” de empresas estatais estratégicas. Vejamos dois casos: os Correios e a Petrobrás.
Antes do governo Lula, a Empresa Brasileira de Correios era uma das instituições mais bem avaliadas pelos brasileiros, tal a qualidade de seus serviços. Desde que Lula chegou ao poder, virou palco de escândalo e de ineficiência. Loteada entre os partidos da base aliada, a estatal foi palco de “guerra intestina” e viu seu nome ligado à CPMI que investigou o “mensalão”. Em seguida, Lula entregou seu comando ao PMDB, de “porteira fechada”. Em vez de dividida em vários feudos, a empresa passou a ser um “grande curral”, com um único dono.
Como se tudo isto fosse pouco, temos agora o escândalo do “Erenicegate”, do qual apareceu apenas a ponta do iceberg. O caos nos Correios é de tal ordem que o governo Lula só não mudou ainda toda a sua diretoria para não trazer novos prejuízos para a campanha de Dilma. Mas a queda do seu presidente, um homem de confiança de Erenice Guerra, é questão de dias.
A politização da Petrobrás
A politização da Petrobrás, promovida pelo seu presidente, o petista José Sérgio Gabrielli, fez com que a maior estatal do país perdesse quase US$ 100 bilhões de valores de mercado. A empresa está sendo mal avaliada em relatórios de bancos e no portfólio da administração Gabrielli há um recorde vergonhoso: a ação da Petrobrás é a única que perde do Ibovespa em um ano.
Em vez de enfrentar os problemas de gestão da empresa, seu atual presidente adota a postura de cabo eleitoral de Dilma e deixa a estrutura da Petrobrás ser utilizada em favor da candidata petista, como denunciou o jornal O Globo, além de bancar revista da CUT proibida de circular pela Justiça eleitoral por fazer, descaradamente, propaganda da candidata de Lula. Não satisfeito, dá entrevistas onde repete a cantilena de que o plano de Serra é privatizar a Petrobrás. Suas declarações parecem um jogo combinado com os estrategistas da campanha governista.
A quem ele prejudica, ao politizar a Petrobrás? Claro que a todos nós brasileiros - os verdadeiros donos da maior estatal do país. Mas, antes de tudo, está fazendo mal à própria Petrobrás. É como disse Fernando Henrique: “a politicalha voltou a avançar sobre a estatal” após sua saída do governo. “Por isto perdeu 20% do valor de mercado sob a batuta dessa gente.”
Seria fácil esclarecer toda a celeuma sobre as privatizações. Bastaria Lula aceitar o desafio de Fernando Henrique para um debate “cara a cara” entre os dois, após o fim das eleições. Mas quem disse que Lula está interessado no restabelecimento da verdade?
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