Primeiro a nota:
Lula vai criticar ricos em Davos
Coluna diária de Luis Nassif, 28.01.2010
O Fórum Econômico Mundial será o palco em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá “jogar na cara dos países mais ricos" a crise financeira e o "abandono" do Haiti. “Se o mundo desenvolvido tivesse feito a lição de casa na economia, não teríamos tido crise”, disse, durante o Fórum Social Mundial em Porto Alegre. No fórum, Lula vai receber a primeira edição do prêmio de Estadista Global.
Agora dois pequenos comentários:
Paulo Roberto de Almeida
1) Se o mundo desenvolvido tivesse feito o seu "dever de casa", ou seja, equilibrar contas e diminuir os déficits, o mundo provavelmente não teria conhecido o extraordinário surto de crescimento que experimentou de 2002 a 2008, e o Brasil não teria sido beneficiado tremendamente com o aumento significativo de suas exportações (aliás, bem mais em valor do que em volume, e bem mais em commodities do que em manufaturados).
2) Não foi o mundo que abandonou o Haiti, foi o Haiti que "abandonou" o mundo, ou seja, se descolou em relação à evolução democrática e inserção na globalização da maior parte dos países. A culpa está com as elites haitianas, não com o mundo...
Addendum em 28.01.2010, 12hs: O PR Lula não foi a Davos, por razões médicas, mas isso não retira ou diminui nada do que foi dito ou escrito acima. Ou seja: ele pretendia dizer aquilo que foi resumido pelo Luis Nassif, e embalado como estava, provavelmente teria se excedido mais um pouco, dando lições de crescimento aos países desenvolvidos, criticando-os por não se entenderem, condenando banqueiros pela crise e, sobretudo, promovendo aquilo que já foi chamado de"Plano Lula para o Haiti". Pode-se, portanto, manter os comentários exatamente como foram escritos. E acrescento:
1. A despeito de seu baixo crescimento, os mercados dos países desenvolvidos, pelo seu tamanho, abertura e diversificação, constituem ainda oportunidades importantes para o comércio exterior brasileiro, posto que a China e outros emergentes tendem a importar bem mais produtos de baixo valor agregado.
2. O Haiti, com "Plano Lula" ou sem ele, continuará subdesenvolvido por décadas, até que suas elites possam fazer aquilo que normalmente elites dirigentes fazem: construir um Estado minimamente eficaz, inserir o país no mundo e viver de seus próprios recursos, sem tutela ou assistência internacional. O resto é conversa humanitária que pode até confortar as boas consciências mas que certamente não resolve o problema do Haiti, estruturalmente.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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