sábado, 17 de janeiro de 2026

A tragédia da diplomacia brasileira - Paulo Roberto de Almeida

 A tragédia da diplomacia brasileira 


Houve um tempo, parado no tempo, em que a diplomacia brasileira se casou bastante bem com a política externa brasileira. Eram tempos antigos, como os do Barão, por exemplo, quando a política externa era guiada, conduzida, executada pela diplomacia. Depois tivemos aproximações e divergências, segundo as personalidades dos que se exerciam numa e noutra.

Por incrivel que pareça, mesmo sob a ditadura militar, com suas taras ideológicas, o distanciamento não foi muito extenso, durável ou intenso. Com exceção daqueles temas tabu para os milicos — Cuba, o comunismo, a União Soviética, a China maoísta — e de algumas aventuras aqui e ali, de “diplomacia blindada” na região (Juan José Torres, na Bolívia, Allende no Chile), os diplomatas conseguiam dirigir bastante bem a diplomacia do gigante da América do Sul, e até a sua política externa. 

Na democratização, o processo de “união” se acentuou: integração regional, tratados humanitários, acordos em tecnologias sensíveis, de segurança por exemplo, diplomacia ambiental e comercial, todos esses terrenos eram mares conhecidos pela diplomacia, quase “piscinas” domésticas. 

Depois os tempos mudaram, e para pior: certos dirigentes resolveram “esquecer” o Direito Internacional, e até o Direito Humanitário, para não dizer a ética, ou a moral, na condução de certas alianças ditas estratégicas.

A tragédia da diplomacia brasileira é essa: a política externa já não está “casada”, sequer próxima. Uma tragédia para profissionais que estudaram Direito Internacional, mas que sobretudo tinham, e têm, moral.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 17/01/2026


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