quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Quatro anos de guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia - Oliver Stuenkel, Paulo Roberto de Almeida

Oliver Stuenkel faz um relato objetivo dos quatro anos de guerra na Ucrânia. Ele só falha em dizer duas coisas: trata-se de um GUERRA DE AGRESSÃO da Rússia contra a Ucrânia; a Rússia é um ESTADO TERRORISTA, que perpetra CRIMES DE GUERRA contra a população civil ucraniana. Certas coisas precisam ser ditas claramente. Paulo Roberto de Almeida

“Neste dia, 24 de fevereiro de 2022 — há quatro anos — a Rússia iniciou sua invasão em larga escala da Ucrânia. O que muitos, em Moscou e no Ocidente, imaginavam ser uma operação rápida para tomar Kiev em poucos dias transformou-se na maior guerra em solo europeu desde 1945, marcando o fim do pós-Guerra Fria: uma nova ordem multipolar mais turbulenta, marcada pela ruptura entre a Rússia e a Europa, a aproximação da Rússia e a China, e a aceleração do rearmamento europeu.

A ofensiva russa começou com ataques de mísseis e o avanço de tropas por múltiplas frentes. A expectativa era combinar superioridade aérea, ataques de precisão e avanço blindado rápido até a capital. O plano fracassou. O governo ucraniano não caiu, e o conflito se converteu numa guerra de atrito, com trincheiras, artilharia pesada e ganhos territoriais mínimos ao custo de perdas humanas massivas.

A linha de frente, com cerca de 1.200 quilômetros de extensão, mudou pouco desde 2023. No auge de seus ganhos, em 2022, a Rússia chegou a controlar mais de 26% do território ucraniano; hoje mantém pouco mais de 19%, incluindo a Crimeia e partes do leste ocupadas desde 2014. Os avanços recentes têm sido graduais e custosos. Estimativas independentes apontam mais de 1 milhão de baixas russas — entre mortos e feridos — desde 2022, com centenas de milhares de mortos e feridos acumulados ao longo do conflito. Do lado ucraniano, os números também são elevados. A ONU confirmou mais de 15 mil civis ucranianos mortos, número muito provavelmente subestimado. Milhões foram deslocados internamente ou deixaram o país.

O conflito mudou a própria natureza da guerra. Drones, antes instrumentos de reconhecimento, tornaram-se armas centrais — usados para atacar tanques, prédios e até soldados individualmente. Há uma corrida permanente por inovação tecnológica no campo de batalha. A automatização do combate redesenhou estratégias militares e forçou exércitos do mundo inteiro a rever prioridades.

Negociações mediadas por potências externas se sucedem sem avanços decisivos. Moscou exige reconhecimento de anexações territoriais e neutralidade ucraniana; Kiev condiciona qualquer acordo a garantias de segurança robustas.”



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