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sexta-feira, 27 de março de 2026

A morte do livreiro - Ruy Castro (Folha de S. Paulo)

 Uma despedida sentimental: a morte de um livreiro. Vivam todos os livreiros! _RA


A morte do livreiro
Ruy Castro
Folha de S. Paulo, 27/-3/2026

        O melhor amigo de um leitor é um bom livreiro. Aquele que não só conhece o livro que você procura, mas, na falta deste, sabe indicar alternativas do mesmo autor ou de outro. Não que tenha lido esses livros, mas o convívio com tantos deles faz com que, pelos títulos, capas ou editoras, se torne um profissional à altura do produto com que trabalha. Entre esses profissionais, há um que admiro mais: o livreiro de sebo.
        O livreiro comum conhece os livros que estão saindo. O de sebo conhece livros de todas as épocas, que costuma receber aos milhares de uma vez, do filho ou viúva de um colecionador. Aceita todos, não escolhe, e, no dia seguinte, já recebe outro lote igual. Catalogá-los, dar-lhes preço e botá-los nos escaninhos deveria ser o trabalho de uma equipe. Quase sempre ele o faz sozinho.
        Tenho amigos entre esses livreiros por toda parte. Mas, nos últimos dez anos, um foi especial: Luiz Carlos Araújo, do sebo Mar de Histórias, em Copacabana. Para escrever meu livro "Metrópole à Beira-Mar", sobre o Rio moderno dos anos 1920, decidi que precisava ler a obra completa dos autores daquele tempo que, em minha opinião, já eram modernos — ou seja, escreviam de forma clara, adulta, objetiva, sem as firulas parnasianas ou os maneirismos modernistas. O problema é que, exceto por João do Rio e Manuel Bandeira, todos eram autores perdidos: Theo-Filho. Ronald de Carvalho, Carmen Dolores, Chrisanthème, Orestes Barbosa, Adelino Magalhães, Elysio de Carvalho, Agrippino Grieco. Pois, nos quatro anos que o trabalho me tomou, até 2019, Luiz Carlos encontrou-os um a um. Fez o mesmo com o material dos anos 1940 sobre a Segunda Guerra no Rio, que resultou em meu livro "Trincheira Tropical", de 2025.
        Nesta segunda-feira (23), um enfarte levou Luiz Carlos, aos 66 anos. Não fomos apenas nós, seus clientes e amigos, que o perdemos. Quando morre um livreiro, são os livros os que mais perdem.
        Na sexta, eu lhe escrevera desculpando-me por estar alugando-o a respeito de mais um livro impossível. Ele respondeu: "Deixa comigo, Ruy. Estamos juntos. Estamos vivos".

Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Panorama Editorial: Câmara Brasileira do Livro O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim é eleito Livro do Ano no Prêmio Jabuti 2025

Panorama Editorial: Câmara Brasileira do Livro

O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim é eleito Livro do Ano
no Prêmio Jabuti 2025

Em seu ano como Capital Mundial do Livro, o Rio de Janeiro recebeu,
no Theatro Municipal, a maior premiação literária do país, que laureou
23 categorias e homenageou Ana Maria Machado


O Prêmio Jabuti, principal premiação literária do Brasil, anunciou nesta noite, dia 27 de outubro, os grandes vencedores da 67ª edição. O evento, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), foi realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e reconheceu Ruy Castro com a obra “O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim” (Ed. Companhia das Letras), como o Livro do Ano de 2025. Confira aqui a lista completa dos vencedores.

Além de receber a estatueta dourada, Ruy Castro foi contemplado com um prêmio especial de R$ 70 mil, e uma viagem à Feira do Livro de Londres, que em 2026 celebra o Ano da Cultura Brasil–Reino Unido. A CBL organizará uma agenda exclusiva de encontros, palestras e ações de divulgação.

Com um total de 4.530 obras inscritas, a edição de 2025 premiou também vencedores em 23 categorias, distribuídas nos quatro eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.

Destaque também para a novidade “Categoria Especial - Fomento à Leitura”, dedicada a projetos realizados na cidade do Rio de Janeiro. O ganhador foi o projeto Rio Capital Mundial do Livro, um programa público que fortalece políticas estruturantes do livro e das bibliotecas (como Bibliotecas do Amanhã e Paixão de Ler) e alcance em diferentes territórios.

Os laureados de cada categoria receberam a tradicional estatueta do Jabuti e um prêmio de R$ 5 mil.

As obras vencedoras terão maior visibilidade em eventos nacionais e internacionais, como, por exemplo, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Feira do Livro de Frankfurt, entre outras. Os livros premiados enviados pelas editoras serão destaque em ações de promoção e exposição nos estandes da instituição.

“Realizar esta cerimônia no Rio teve um significado singular. No ano em que a cidade detém o título de Capital Mundial do Livro pela UNESCO, celebramos aqui a indústria do livro, a diversidade da produção nacional, a inovação e a excelência editorial”, comemora Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

“Realizar o Jabuti no Rio foi uma forma de reconhecer a cidade como um centro da cultura. O Theatro Municipal, com sua história e grandiosidade, amplificou as vozes da nossa literatura. Nesta edição, recebemos um grande volume de inscrições de obras, o que demonstra a vitalidade da produção literária brasileira e a importância do Jabuti, que também tem expandido seu papel na internacionalização da literatura brasileira. Ao premiar obras brasileiras publicadas fora do país, a premiação reconhece o esforço de editoras estrangeiras e nacionais que trabalham na exportação dos direitos autorais. O Jabuti está sempre se reinventando e buscando novos espaços de internacionalização”, ressalta o curador do prêmio, Hubert Alquéres.

Os mestres de cerimônia deste ano foram Marisa Orth e Silvio Guindane. A cerimônia, exclusiva para convidados, foi transmitida ao vivo para todo o Brasil pelo canal da CBL no YouTube.

Homenagem do Ano

Ana Maria Machado foi a escolhida como a Personalidade Literária da 67ª edição do Prêmio Jabuti. A honraria consagra figuras da literatura nacional, que contribuíram de forma decisiva para o fortalecimento da cultura brasileira e a formação de gerações de leitores.

A escritora homenageada construiu uma trajetória marcada pela versatilidade, pelo diálogo com diferentes públicos e pelo reconhecimento internacional. Autora de mais de cem títulos publicados, entre romances, ensaios, contos e uma vasta produção infantojuvenil, tem obras traduzidas em diversos idiomas e publicadas em mais de 20 países.

Ana Maria expressou emoção ao receber a homenagem durante a cerimônia: “Fiquei com medo de me emocionar, mas me emocionei, sim. Receber a homenagem de Personalidade Literária do Prêmio Jabuti 2025 foi uma linda surpresa, que me encheu de alegria e gratidão. Todo mundo merece ter seu trabalho reconhecido, mas quando isso acontece de forma totalmente inesperada, é ainda mais especial. A emoção é dupla, porque é um reconhecimento que vem do povo do livro. Ainda mais em um ano em que a festa acontece na minha cidade, nesse local que vi pela primeira vez aos quatro anos e onde vivi memórias inesquecíveis. Tudo se soma para a alegria deste momento de celebração. Agradeço a todos que vêm me acompanhando nesses anos, Brasil adentro e afora, leitores, amigos, colegas escritores e minha família, que sempre soube me respeitar e apoiar. Sabem que hoje a festa é deles também.”

Sobre o autor do Livro do Ano:

Ruy Castro é jornalista e escritor, nascido em 1948 em Caratinga (MG). Começou sua carreira como repórter em 1967 e, a partir de 1990, focou-se na escrita de livros, tornando-se conhecido por biografias detalhadas de figuras como Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda. Suas obras também incluem reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio de Janeiro dos anos 1920. Ruy Castro foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2022 e já ganhou prêmios como o Machado de Assis e o Jabuti.

Sinopse:

"O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim" é uma coletânea de 99 crônicas escrita por Ruy Castro que compõe um perfil biográfico fragmentado e detalhado de Tom Jobim, revelando seu lado humano, crítico e muitas vezes inesperado.

O livro explora a profunda conexão de Jobim com o Brasil, sua genialidade, seu compromisso com a natureza e oferece histórias de bastidores e fatos inéditos da cena musical dos anos 1950 e 1960.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Existe uma ameaça de uma Internacional fascista? - Ruy Castro e Paulo Roberto de Almeida

O Comintern (1918-1943) tinha um centro diretor: o partido bolchevique em Moscou. A atual “Internacional” da extrema-direita não possui um centro diretor, mas líderes, partidos e movimentos convergentes. Parece ser uma ameaça, mas falta um comando único dotado de uma estratégia unificada. Ainda é um aglomerado de alucinados, que só tem sucesso porque a esquerda e o centro são inoperantes, em alguns casos muito burros.

Paulo Roberto de Almeida 

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