Desde o início do governo tenho ouvido algumas frases extremamente interessantes quanto à vontade presidencial (desculpem se não me dobro à regra do gênero aplicada ao personagem em questão, que encontro sumamente ridícula):
Antes foram estas as manchetes:
"Presidente diz que não tolerará inflação alta".
"Presidente diz que não aprovará aumento da gasolina"
Hoje, 12/04/2011, a manchete do Estadão online é esta:
"[Presidente] diz que pretende derrubar o juro ao longo do seu governo."
Muito bem: eu me pergunto se um governo funciona à base de retórica, de declarações, de vontades, ainda que presidenciais.
Gostaria de ver, sentir, experimentar, medidas efetivas em função da inflação e dos juros, por exemplo.
Não creio, por outro lado, que seja função de presidentes, de qualquer país, em qualquer tempo e lugar, ficar brigando com preços de mercado, ou determinando a empresas, que devem funcionar com base em preços de mercado, que fixem este ou aquele preço para qualquer produto que seja. Presidentes devem ter coisas mais importantes a fazer do que ficar vigiando preços do setor produtivo.
Talvez, em relação aos índices de inflação e aos juros, coubesse, por exemplo, parar com os níveis elevados de gastos públicos, que visivelmente vem pressionando a inflação e os preços, e que se refletem nos atuais índices de inflação, extremamente elevados tendo em vista as metas de inflação e as expectativas da sociedade.
Se o governo fizesse pelo menos isso, ou seja, parar de gastar muito, em vez de ficar fazendo declarações inócuas, já seria uma grande coisa...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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terça-feira, 12 de abril de 2011
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