O custo total dos estádios que já são elefantes brancos é inacreditavelmente alto.
Esse é um custo que será pago por todos os brasileiros, especialmente pelos cidadãos de Brasília, do Mato Grosso e do Amazonas, durante anos e anos, sem qualquer benefício social da construção desses monstros inúteis.
Compreendem os custos as despesas com a construção, propriamente ditas, e sobretudo a corrupção, que no Brasil foi e continua sendo inacreditavelmente alta, no reino dos companheiros.
Tudo é inacreditável no Brasil dos companheiros e no entanto existe...
Paulo Roberto de Almeida
Depois da ressaca no futebol, chegará a ressaca financeira
Rui Peres Jornal
Jornal Negócios, 14/07/2014
O Brasil é o país que nos últimos 20 anos mais investiu num Mundial. Construiu também o estádio mais caro e que será um dos menos utilizados: a ressaca financeira parece inevitável. Portugal sabe bem o que isso é.
Há muito em comum entre Portugal e o Brasil no mundial de futebol que terminou no domingo. Não é apenas a língua, ou o facto de o seleccionador brasileiro ter sido o mesmo que liderou a equipa das quinas, quando Portugal perdeu em casa o Euro 2004. Nem tão pouco a goleada histórica que um e outro sofreram agora frente à Alemanha.
Quando olhamos para os países irmãos e para os campeonatos que organizaram concluímos que também o Brasil, à semelhança de Portugal, se prepara para uma ressaca financeira e vários elefantes brancos.
Segundo as estimativas oficiais, o Brasil gastou até agora 2.928 milhões de euros nos 12 estádios do
mundial, um custo que deverá continua a crescer: há já estimativas que apontam para 3,4 mil milhões de euros, uma duplicação das estimativas de custos iniciais.Trata-se do valor mais elevado suportado por apenas um país (Japão e Coreia, em 2002 investiram 3,6 milmilhões em 19 estádios, mas repartiram entre si). O Brasil conta também com o estádio mais caro de um mundial dos últimos 20 anos (Mané Garrincha, em Brasília: cerca de 500 milhões de euros, em linha com o Nissan Stadium
no Japão) e pela edificação de vários recintos que serão pouco utilizados.
Usando dados de espectadores em estádio de 2011, Victor Matheson, especialista norte-americano em eventos desportivos, calcula que seriam necessários cinco anos para conseguir encher umavez os 71 mil lugares do Mané Garrincha. Pior só os estádios de Manaus (Amazónia) e Cuiabá (Pantanal) que levariam dez anos.
(...)
“Os estádios de Brasília, Manaus e Cuiabá vão ser certamente elefantes brancos. Esta foi uma escolha política para levar a copa para todo o País”, explica ao Negócios Marcos Mendes, economista e consultor do Senado brasileiro, que tem analisado as escolhas de investimento no País, e não esconde apreensão. “Já houve a ressaca do futebol, agora virá a ressaca financeira”, afirma, evidenciando o dinheiro público que será necessário para manter estádios quase sem espectadores, uma realidade bem conhecida de municípios portugueses como Leiria ou Aveiro.
(...)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 15 de julho de 2014
Depois da ressaca no futebol, chegara a ressaca financeira - Marcos Mendes (Jornal de Negocios, Portugal)
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