sábado, 15 de novembro de 2025

Mercosul e Brasil em face dos "acordos" comerciais trumpistas - Paulo Roberto de Almeida

Mercosul e Brasil em face dos "acordos" comerciais trumpistas
Paulo Roberto de Almeida

Uma opinião mal-informada (PRA):
Não sei ainda o que foi exatamente estabelecido no "acordo comercial" dos EUA (Trump) com a Argentina (Milei), justamente devido ao conteúdo personalista desse estranho "acordo".
Só pressinto, mas sem ter elementos fiáveis de informação, que suas consequências práticas afetarão não apenas o Brasil, mas igualmente o Mercosul, que está cada vez mais esvaziado.
Lamento, não como diplomata, mas como simples observador do comércio exterior do Brasil, a "implosão" do Mercosul - o mais importante projeto estratégico da diplomacia do Brasil no último meio século.
Trump implodiu, se não destruiu, a cláusula de nação mais favorecida, o que não é geral, pois a maioria dos países continua aderente a esse esteio básico do sistema multilateral de comércio, mas esses "acordos", impostos por Trump, acabam por simplesmente destruir outros compromissos bilaterais e plurilaterais (como o do Mercosul) com terceiros países. Como os EUA mantém – a despeito da atual preeminência da China no comércio internacional – um espectro praticamente mundial nas relações econômicaos (ou seja, não apenas comerciais) com uma ampla gama de países, os EUA de Trump são capazes de desmantelar cadeias de valor e fluxos tradicionais de comércio em setores específicos, o que afeta o planejamento microeconômico.

Do ponto de vista do Brasil, o que afeta realmente nosso planejamento diplomático, não é tanto a ruptura dos fluxos comerciais, mas a incerteza derivada das políticas demenciais de Trump (e de associados subservientes como Milei), que nos impedem de planejar nosso futuro comercial e o destino (se por acaso existe algum) do Mercosul.  

Nenhum comentário:

Postagem em destaque

Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado? Paulo Roberto de Almeida

  Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado?     Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.   Com vistas a responder possí...