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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Heranças malditas: 2003 ou 2027? Editorial do Estadao e cartas indignadas; Edulcorando o petismo, por Marcelo Guterman

Edulcorando o petismo

Essa me escapou do noticiário, mas o editorial do Estadão recuperou: parece que o dublê de ministro da Fazenda e ponta de lança do petismo na Faria Lima, Dario Durigan, expressou seu desejo de encontrar-se com os tucanos Pedro Malan e Arminio Fraga para, supostamente, colher sugestões de como enfrentar o descalabro fiscal deixado pelo governo que o ministro representa.

Basta as eleições se aproximarem, e os petistas se convertem, tornando-se evangélicos e fiscalistas, fazendo sacrifícios pingentes aos deuses de Jerusalém e da Faria Lima. Tudo para ganhar as eleições e, no dia seguinte, voltarem alegremente ao seu paganismo religioso e econômico, fazendo troça dos crentes.

Os tucanos não existem mais como partido, mas apenas como uma ideia platônica de justiça social com base na racionalidade econômica. Na prática, no entanto, servem (ou melhor, escolheram servir) para edulcorar o petismo para consumo externo. Assim, tivemos o aperto de mão infame de FHC e Lula, e Geraldo Alckmin no ticket do petismo. Uma reunião de Durigan com Malan e Armínio, com direito a uma foto bem bonita, cumpriria a mesma missão.

Durante um certo tempo, coube a Fernando Haddad, conhecido como “o mais tucano dos petistas”, esse papel de edulcorar o petismo no ministério da Fazenda. Depois de 4 anos, todos vimos que a coisa era só para tucano ver, e a política econômica foi o desastre que vimos. Agora, Durigan quer chamar tucanos de verdade para tirar uma foto e continuar a enganar os trouxas. E é bem capaz de os economistas tucanos toparem a pantomima. 

Blog do Marcelo Guterman é uma publicação apoiada pelos leitores.

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Malan : Malan avaliou o programa Nova Indústria Brasil e constatou que “o pensamento de 15 anos atrás” perdurava. Alertou, no texto, que uma política fiscal insustentável impediria o desenvolvimento econômico e social sustentado no longo prazo.

Armínio : disse recentemente que a política fiscal do governo Lula é fraca, não facilita em nada a vida do Banco Central e cria fragilidades que afetam a saúde das empresas e do próprio Estado brasileiro. Segundo ele, o quadro é desastroso, e o País caminha para uma crise semelhante à que gerou a recessão econômica do governo de Dilma Rousseff.

  


Opinião do Estadão

Cinismo petista

Para ajudar Lula a seduzir o eleitor de centro, Durigan diz que quer se reunir com Arminio e Malan. Será útil se conversarem sobre a ‘herança maldita’ que Lula legará ao sucessor


Por Notas & Informações

25/08/2026 | 03h02


Notícia de presente

O ministro Dario Durigan informou que quer se reunir com os economistas Pedro Malan e Arminio Fraga para discutir a agenda fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual quarto mandato. Chega a ser comovente a tentativa dos petistas de revestir de racionalidade e sensatez uma candidatura, a de Lula, fundada na demagogia e na presunção de que dinheiro público brota em árvore – nada mais distante, aliás, da prudente condução da economia por Malan e Arminio, respectivamente ministro da Fazenda e presidente do Banco Central nos governos de FHC.

Na hipótese de que esse encontro realmente ocorra, seria muitíssimo interessante e útil se Durigan se dispusesse a discutir a “herança maldita” – não aquela que Lula levianamente disse ter recebido de Fernando Henrique Cardoso quando chegou ao poder, em 2003, mas sim a “herança maldita” real, aquela que Lula legará a si mesmo, caso vença a eleição e permaneça mais quatro anos no poder.

Os números falam por si. A dívida bruta do governo geral – dado do Banco Central que inclui os governos federal, estaduais e municipais, além do INSS – aumentou nada menos que dez pontos porcentuais ao longo do terceiro mandato do petista, saindo de 71,38% do Produto Interno Bruto (PIB), em janeiro de 2023, para 81,9% do PIB em junho, o maior patamar dos últimos cinco anos.

Diante desse descalabro, tanto Malan quanto Arminio já manifestaram preocupação. Em artigo publicado no Estadão por ocasião dos 400 dias deste governo Lula, Malan avaliou o programa Nova Indústria Brasil e constatou que “o pensamento de 15 anos atrás” perdurava. Alertou, no texto, que uma política fiscal insustentável impediria o desenvolvimento econômico e social sustentado no longo prazo.

Fraga, por sua vez, disse recentemente que a política fiscal do governo Lula é fraca, não facilita em nada a vida do Banco Central e cria fragilidades que afetam a saúde das empresas e do próprio Estado brasileiro. Segundo ele, o quadro é desastroso, e o País caminha para uma crise semelhante à que gerou a recessão econômica do governo de Dilma Rousseff.

É improvável que Durigan, uma espécie de estagiário ambicioso que ora ocupa a Fazenda, se abale com essas observações. Nada parece capaz de desviá-lo do objetivo de agradar ao chefe, na ânsia de ficar no cargo caso Lula vença, razão pela qual não vale um pequi roído sua tentativa de espalhar por aí que o próximo mandato do petista, caso venha, será de ajuste fiscal. É apenas a reciclagem preguiçosa da conhecida farsa de Lula para engabelar eleitores de centro.

Que ninguém se deixe enganar. Lula foi desonesto em relação a Malan, Arminio e Fernando Henrique Cardoso desde seu primeiro dia no poder. Em abril de 2004, por exemplo, declarou que recebeu da gestão tucana uma herança “pra lá de maldita”, numa referência à crise cambial e à alta da dívida pública legadas por FHC. O que Lula não disse é que boa parte dessa turbulência resultou do chamado “risco Lula”, isto é, do temor dos mercados com a perspectiva de vitória do petista. A verdadeira herança de FHC para Lula, jamais reconhecida pelo petista, foram o controle da inflação, o superávit primário consolidado e a cultura da responsabilidade fiscal, materializada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000. Sem isso, Lula jamais teria condições de implementar sua agenda social, por meio da qual pretende ser consagrado pela História.

Mas Malan e Arminio são dois democratas, genuinamente interessados no bem do País. Por essa razão, é possível até que aceitem conversar com Durigan, ocasião em que poderiam explicar ao voluntarioso ministro que ele está simplesmente errado, por exemplo, ao dizer que a dívida pública sobe porque os juros são elevados – tentativa nada sutil de livrar o perdulário governo Lula de responsabilidade pelas escorchantes taxas. Nessa aula, Malan e Arminio poderiam ensinar a Durigan que os juros são altos porque o mercado cobra cada vez mais caro para financiar um governo que sistematicamente gasta mais do que arrecada e não demonstra compromisso com o equilíbrio fiscal.


99 Comentários


Antonio Bratos

9,5 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

Esse Duran é péssimo, é muito claro que ele é o tipo de gente que acredita em terraplanismo economico, não entende nada de economia geral, o que piora a loucura heterodoxa dele... Essa questão da herança maldita, óbvia, eu fico sinceramente divido e curioso, o que o PT vai fazer no próximo mandato? Como referência temos seu último governo, que foi muito parecido até agora, o Dilma1 foi pé no acelerador e destruição do fiscal do país, terminou com a foto boa e o filme ruim, como agora estamos. O Lula 4 será um governo de problemas, de precisar por o fiscal nos trilhos, mas será que ele vai fazer? Ou vai tentar empurrar com a barriga 4 anos? É seu último mandato, será que Lula, no adeus vai fazer governo de ajuste? É difícil acreditar... E é isso que me divide, seria melhor o PT ganhar e lidar com sua bagunça? Porque o outro filme já conhecemos, PT destroi o fiscal, oposição assume, arruma, e PT volta com tudo arrumado, para destruir novamente... Eu não sei.

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VALDEMAR BASTOS BATISTA

4 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

Que Lula vença, de maneira lícita ou ilícita, a próxima eleição e as próximas que virão. Tudo irá mudar pra melhor somente depois que seus súditos, a exemplo de Luís XVI , o decaptarem. Isto ainda levará um certo tempo, ocorrerá quando o preço da comida estiver inacessível, não tendo mais de onde tirar dinheiro com impostos e empréstimos para distribuir em forma de auxílio social. Os grandes agiotas externo estão enxergando isto, tanto que estão optando pelos 2% e 4,5% da Europa e EUA, respectivamente, aos 8% prometidos pelo governo.

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Joao Carmo

945 pontos

Debatedor dedicado

há 5 horas

 

Os editores do Estadão em mais um surto de desonestidade intelectual. As elites econômicas lavam as mãos. Mas na real, têm seu passivo na dívida pública. 1. Contenciosos jurídicos fajutos 2. Isenções fiscais como a que o próprio Estadão tem. 3. Calotes puro e simples, como os 52 bilhões da refinaria de Manguinhos. Esses desvios têm um preço: perto de 1 trilhão de reais. Suficientes para ajustar as contas. E acabarr com a desonestidade das elites econômicas. Né não, seus ateus?!?🧐

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JOSE CARLOS Soares Costa

1,9 mil pontos

Debatedor dedicado

há 3 horas

 

Acho que a critica quando é generica não vai na raiz do problema, o aumento da divida teria que separar os estados e muniicpios devedores que protelam ou aumentam esta divida. E o que dizer dos poderes legislativos e judiciario com suas emendas PIX e seus penduricalhos? Não se trata de achar que este governo não tenha suas mazelas, mas é uma visao que parte da sociedade concorda, é preciso mais gasto em saude e educação, e para isto precisaria reduzir despesa na gastança de subsidios criados pelo congresso e as emendas fantasmas para os amigos... ja o INSS talvez queiram que se reduzam as aposentadorias, ou quem sabe excluam alguns beneficios dos mais carentes, é preciso incluir todos os que não contribuem com a mesma parte como os militares, e ter um teto para todos , olhem so o gasto do legislativo com previdencia e plano de saude do congresso...

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RONALD BAPTISTA

8 mil pontos

Debatedor dedicado

há 4 horas

 

Mais uma vez, o Estadão recorre ao seu roteiro econômico favorito. Transformar qualquer política que não coloque a austeridade fiscal acima de tudo em prenúncio de catástrofe. Responsabilidade fiscal é, evidentemente, importante. O problema é tratá-la como dogma e ignorar que governar exige equilibrar contas públicas, crescimento, emprego, inflação e bem-estar da população. O editorial simplifica uma questão complexa ao sugerir que aumento da dívida significa, por si só, caminho inevitável para uma crise. Todos os países, inclusive os mais ricos, enfrentam dilemas fiscais. Ajustar as contas é necessário, mas não a ponto de sufocar a economia e produzir um problema maior que o que se pretendia resolver. O próprio histórico do jornal recomenda alguma cautela com previsões apocalípticas. Quando o governo interveio para conter a alta dos combustíveis, não faltaram previsões de desastre para a Petrobras. A realidade mostrou que a medida ajudou a conter pressões inflacionárias, enquanto a empresa continuou altamente lucrativa, chegando a registrar mais de R$ 50 bilhões de lucro. Isso não transforma toda intervenção em acerto, mas mostra que economia não funciona por fórmulas simplistas. Também é exagero tratar a iniciativa de Dario Durigan de conversar com Malan e Arminio como mera encenação eleitoral. Pode haver interesse político, claro, mas ouvir quem pensa diferente também pode ser simplesmente uma tentativa legítima de encontrar caminhos. Lula e o PT têm erros graves e merecem críticas duras. O que não ajuda é substituir análise por caricatura. O editorial parece enxergar apenas duas opções. Austeridade nos moldes defendidos pelo mercado ou irresponsabilidade. A economia é mais complexa. Governar também.

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EDUARDO S

5,9 mil pontos

Debatedor dedicado

há 5 horas

 

O pessoal da esquerda tem mania de crucificar a Faria Lima. Sim, o Brasil seria melhor sem ela, né? De onde viria o $ para investimentos, empreendimentos, etc? Dos funcionários públicos, que só destroem o País? Dos políticos, que só roubam? Das elites nordestinas protegidas pelo PT, que não ajudam em nada? Não apoio os Bostonaros nem qualquer vagabundo da política nacional, mas o fato é que o Lula quebrou o Brasil com sua estupidez e seu populismo voltado à massa ignorante. Só uma revolução, uma Bastilha tem chance de mudar as coisas. Já chegamos ao ponto em que apenas reações drásticas nos salvarão.

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PAULO AUGUSTO

18,5 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

QUEM PODERIA IMAGINAR QUE O PT DESTRUIRIA A ECONOMIA NOVAMENTE? O histórico das gestões do PT na economia federal é marcado por profundos desequilíbrios fiscais e crises estruturais. Nos primeiros mandatos de Lula, o cenário internacional favorável pelo boom das commodities impulsionou o crescimento, mas mascarou o aumento rígido dos gastos públicos estruturais. Posteriormente, no governo Dilma Rousseff, a implementação da chamada "Nova Matriz Econômica" intensificou o intervencionismo estatal na economia. Essa estratégia baseou-se em subsídios de crédito via bancos públicos, controle artificial de tarifas e desonerações fiscais seletivas para setores específicos. O resultado dessa política foi o desajuste das contas públicas e o represamento inflacionário, culminando na recessão de 2014-2016. Esse período registrou uma forte contração do PIB, disparada do desemprego e perda do grau de investimento do país. O uso de manobras contábeis fiscais, conhecidas como "pedaladas", comprometeu a credibilidade das estatísticas oficiais da época. No retorno do partido ao poder a partir de 2023, o foco macroeconômico voltou a priorizar a expansão de gastos e a busca pelo aumento da arrecadação via tributos, em detrimento do corte de despesas. A resistência em adotar reformas administrativas profundas mantém a trajetória de crescimento da dívida pública em relação ao PIB. A persistência em discursos contra a autonomia do Banco Central e o teto de gastos gera volatilidade no mercado de câmbio e mantém os juros em patamares elevados para conter riscos inflacionários. Assim, as gestões do PT deixam um legado maldito de instabilidade fiscal e baixo crescimento de longo prazo. Além disso tudo, o DESGOVERNO LULA produziu um novo rombo bilionário nas contas das empresas estatais federais, o que reflete um histórico de fragilidade institucional e forte ingerência política. Na década passada, esquemas sistemáticos de corrupção petista foram desmascarados pela Operação Lava Jato. Os desvios e superfaturamento de obras causaram prejuízos astronômicos a gigantes como a Petrobras. A recente flexibilização das regras de governança reabriu espaço para indicações políticas e o loteamento de cargos estratégicos nas estatais. Em 2024, o deficit dessas empresas atingiu R$ 6,73 bilhões, e o primeiro semestre de 2026 bateu o recorde histórico de R$ 7,8 bilhões em perdas, impulsionado por companhias como os Correios. O retorno de práticas do PT de aparelhamento infla os custos operacionais e destrói a eficiência dessas corporações, transferindo o prejuízo diretamente ao contribuinte, que precisa financiar os aportes do Tesouro para cobrir os rombos fiscais do PT.

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PAULO AUGUSTO

18,5 mil pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

O DESGOVERNO LULA ESTÁ QUEBRANDO O BRASIL A atual conjuntura da economia brasileira enfrenta uma série de graves problemas estruturais e macroeconômicos que afetam diretamente o poder de compra da população e a estabilidade do país. Entre as principais dificuldades destacam-se a inflação persistentemente desancorada, a desaceleração contínua do Produto Interno Bruto (PIB) e os juros básicos excessivamente elevados. Além disso, o país lida com um endividamento alarmante das famílias, um rombo crescente nas contas das empresas estatais e a severa desvalorização do real frente ao dólar, o que encarece o custo de vida e afasta investidores globais. Essa crise generalizada está diretamente vinculada à má gestão do desgoverno Lula, caracterizada pelo descontrole fiscal crônico e pela ausência de responsabilidade orçamentária. Ao priorizar gastos puramente eleitoreiros e expandir de forma desenfreada a máquina pública, a atual administração levou a dívida pública a patamares insustentáveis, aproximando o país de um rombo equivalente a 100% do PIB. A incapacidade do governo de gerar superávits e sua postura hostil ao mercado geram uma profunda desconfiança fiscal, forçando a manutenção de juros altos para conter a inflação provocada pelos próprios excessos estatais. Diante desse cenário de deterioração acelerada dos fundamentos econômicos, o futuro do país está seriamente ameaçado. Caso o atual presidente seja reeleito, a insistência no modelo de endividamento, aumento de impostos e intervencionismo estatal tornará a crise fiscal irreversível. O alerta de especialistas e instituições financeiras é claro: sem uma mudança radical de rumo, o Brasil vai quebrar inevitavelmente, sepultando qualquer chance de crescimento sustentável e arrastando a população para a falência institucional.

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Priscila Ferro

691 pontos

Debatedor dedicado

há 2 horas

 

"Legado ao sucessor"?? Estadão, está admitindo publicamente que está a favor de Flávio?? "vendendo a alma" a interesses espúrios e inconfessáveis? Apoiando o que há de mais nocivo e prejudicial ao país em nome de quem?? O desserviço ao leitor é imenso, sórdido, perverso, ignóbil, asqueroso, vergonhoso... Arminio Fraga e Pedro Malan são os "país do Real" que trouxe estabilidade econômica e melhor desenvolvimento ao pais; economistas respeitados e reconhecidos, principalmente na Faria Lima. Ambos APOIARAM Lula na eleição passada pois sabiam o que os Bolsonaro & seus asseclas / apoiadores representavam ( e continuam representando ) o que havia de PIOR PARA O BRASIL principalmente politicamente. E vocês, da grande mídia jornalística corporativa, são os GRANDES CULPADOS pela polarização que o Brasil se encontra atualmente, impedindo inclusive o crescimento de uma alternativa política/econômica a estes candidatos. Mas a busca incessante pelos likes e engajamento não mede consequências...

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Ademir Dias

279 pontos

Debatedor dedicado

há 25 minutos

 

O ruim de ficar velho e manter a memória, é ver sempre os mesmos atores agindo da mesma forma. O Estadão é um ótimo jornal mas tem opiniões que não tem lógica. Foi censurado e defende a extrema direita, viu o fracasso econômico da ditadura (com seus ministros liberais) e insiste em não reconhecer políticas melhores atuais, depende de consumo das pessoas e defende reformas que cortam direitos e renda... dá pra continuar mas é só estranho essa coisa. Parece a empresa estatal que abre capital, nem atende o povo nem agrada o acionista pois não tem uma linha e sofre com dupla personalidade. Sou de centro esquerda, do bom e antigo MDB que originou o bom PSDB, destruído por dentro por direitistas e liberais como Doria. Agora, restou apenas o PT frente ao obscurantismo de direita. Logo, por falta de oponentes, teremos uma sequência de governos de direita como os 21 anos de ditadura. O que ocorrerá? Mais concentração de renda, pessoas se culpando por não prosperarem mesmo seguindo o pastor ou o coach pois a culpa é delas, salários caindo sem nenhum direito social pois o Estado é mal, escolas piores, aposentadorias arrochadas e, certamente, SUS sucateado pra benefício dos planos de saúde e setores inteiros da economia entregues a investidores dos EUA. Tudo isso é o passado e o futuro. Guardem pra daqui a 10 anos. Foi assim e será assim. Puro resultado de uma forma de pensar que nasceu na colônia e que insistimos a não largar.


domingo, 16 de agosto de 2026

Um país NÃO SE DESENVOLVE pela assistência pública, mas petistas e populistas não concordam - Marcelo Guterman e Paulo Roberto de Almeida

Um país NÃO SE DESENVOLVE pela assistência pública, mas petistas e populistas não concordam - Marcelo Guterman e Paulo Roberto de Almeida  

Introdução PRA: Vindos da pobreza, minha família e eu, junto com meus irmãos, nos alçamos pelo trabalho duro, por vezes mais duro do que muitos podem imaginar. Sempre achei isso, e atuei em conformidade com essa postura. Estudei, trabalhei e venci, como alguns poderiam dizer, ou seja, me alcei a uma posição de classe média, pelo estudo e pelo trabalho, e passei a integrar – como ressaltado por essas estatísticas da Oxfam – a minoria dos privilegiados, aqueles que possuem "renda alta", mas alta apenas em relação à miséria miserável da renda média da população brasileira, que é reconhecidamente muito baixa, ainda assim figurando entre os países de "renda média superior" (mas apenas porque existem alguns bilhões de miseráveis mundo afora). 

Eles não são pobres ou miseráveis por culpa dos ricos e milionários gananciosos, como acredita a Oxfam, ou pela falta de assistência pública dada por um Estado generoso, como acreditam os petistas e os esquerdistas. São pobres porque não tiveram educação e trabalho dignos, e isso não é culpa dos países ricos, ainda que estes tenham sido colonialistas e imperialistas no passado (vários ainda o são). Só é colonialista, imperialista, dominador, explorador QUEM PODE, não quem quer. A capacitação tecnológica (e militar) é uma condição prévia a qualquer dominação, sobre o meio e sobre as pessoas. Mas ela não veio do céu, ou dada por outros, generosos e desinteressados. Só existe pela própria sociedade, pelas suas instituições, cultura, governos. Povos ricos tendem a produzir ricos, eventualmente dominadores. 

O Brasil, por formação, foi colonizado por um país atrasado, mas empreendedor: Portugal dos Descobrimentos. Mas Portugal manteve analfabetos até meados do século XX, como meus avós de Trás os Montes, que vieram analfabetos ao Brasil mais de cem anos atrás, para simplesmente substituir os escravos nas fazendas de café. Minhas duas avós  – os avôs já tinham morrido ou desaparecido antes de eu nascer –, a portuguesa e a italiana, morreram analfabetas, mas tinham orgulho de meus estudos, com razão, pois cedo eu me tornei um rato de biblioteca. Foi isso que me retirou de uma profissão manual e me permitiu ingressar na diplomacia, um dos exames de ingresso na burocracia estatal mais difíceis que existem no Brasil.

Muitos anos atrás, ostracizado no regime Lula 1 para trabalhar na Secretaria de Estado, acabei trabalhando  no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, por contraditório que isso possa parecer. Acompanhei todos os "planejamentos" do governo, inclusive a famosa reconstrução do Bolsa Família a partir de programas dispersos da era FHC. Sempre me pronunciei contrariamente a esses programas de assistência pública, enquanto o NAE preparava um programa de desenvolvimento com mais de 50 prioridades. Eu preconizava apenas um programa modesto, de apenas 5 prioridades, todas elas concentradas na eduçação de base e profissional, apenas isso. Claro que fui execrado pelos "assistencialistas" mais extremados. Eu tinha certeza, então e agora, que o Brasil NÃO se desenvolveria pela via da assistência pública, mas foi o que mais cresceu, de 6 milhões de famílias, para mais de 12 milhões atualmente, ou 1/4 da população total do Brasil toda ela no cartão salvador e em vários outros programas complementares. 

O artigo abaixo de Marcelo Guterman apenas confirma minhas percepções de várias décadas, mas infelizmente também reproduz certas crenças inabaláveis na esquerda econômica. O Brasil padece de excesso de estatismo, de assistencialismo, de intervencionismo, de nacionalismo e de outros ismos nefastos, mas carece do mais simples, que começa na escola primária e termina na adolescência (ou deveria): uma educação de qualidade,  faria com que as pessoas trabalhassem, produzissem, inovassem e enriquecessem.

Infelizmente, a esquerda econômica, estilo Piketty e outros, acham que a função dos economistas é a de empobrecer os mais ricos, não a de enriquecer os mais pobres. Estamos nisso e parece que vamos continuar, pois isso não é privilégio da esquerda: todos os oligarcas, geralmente de direita, também acreditam no populismo assistencialista, no papel do Estado, e acabam produzindo a perpetuação da pobreza.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 16/08/2026 

 

 

A mitologia completa de Lula
MARCELO GUTERMAN
AGO 16, 2026

Sérgio Fausto, presidente da Fundação FHC, em linha com a inspiração ideológica de seu patrono, não consegue largar das bolas de Lula. Crente da Igreja do Ajuste Fiscal Inevitável, está à espera desse profeta mítico, o Lula Pragmático, que, finalmente, colocará as contas públicas em ordem.

Mas antes de comentar esse ponto, não podia deixar de falar sobre outro ser mítico, igualmente adorado pelos filopetistas: o “Lula Redentor dos Pobres”. Segundo essa crença, Lula teria tirado um sem número de brasileiros da pobreza, em linha com as suas mais profundas convicções. Lamento dizer, mas não passa de mais uma mistificação, em que só caem aqueles mesmerizados pela pregação petista. Vejamos.

Há duas formas de tirar pessoas da pobreza: de maneira relativa, através da melhora da distribuição de renda, e de maneira absoluta, através do aumento do PIB/capita.

Em relação à distribuição de renda, de acordo com dados do Banco Mundial, de fato o Brasil melhorou desde que o PT chegou ao poder. Em 2002, o Brasil tinha um índice de Gini de 58,1 e em 2024 (último dado disponível), o Gini estava em 50,3. Lembrando que, quanto menor o Gini, melhor a distribuição de renda de um país. Então, de fato, houve uma melhora significativa da distribuição de renda nos últimos quase 25 anos.

Mas vejamos o que aconteceu em países similares (o primeiro número representa o Gini de 2002 e o segundo, o Gini de 2024):

África do Sul: 65,0 / 54,1
Argentina: 53,8 / 42,4
México: 50,6 / 43,5

Observamos, nestes países, também quedas significativas do Gini. A não ser que Lula tenha também implementado políticas públicas nesses países, devemos concluir que esse fenômeno de melhora na distribuição de renda foi universal, e o Brasil apenas embarcou nessa nau. Nossa melhora foi, inclusive, menor do que a dos países citados, o que pode nos levar à conclusão que as políticas adotadas por Lula, na verdade, atrapalharam a tendência global.

Com relação ao crescimento do PIB/capita, o Brasil saiu de um PIB/capita de US$ 14,2 mil em 2002 para US$ 19,9 mil em 2025 (conceito Purchase Power Parity). Melhorou, sem dúvida. Mas observando-se o que aconteceu no resto do mundo, a fotografia não parece tão bonita. Segundo dados do FMI, a renda/capita global em 2002 era de US$ 8,7 mil, tendo subido para US$ 25,2 mil em 2025. Ou seja, em 2002, a renda/capita do brasileiro era 60% maior que a média global. Em 2025, é 20% menor.

Então, sim, Lula tirou muitos brasileiros da pobreza. Mas a pergunta é: não teria sido ainda melhor se tivéssemos outras políticas econômicas? Se ao menos tivéssemos acompanhado o aumento do PIB global, seríamos hoje duas vezes mais ricos do que somos. Mesmo tirando a China dessa conta, hoje seríamos 75% mais ricos. Teríamos ainda menos pobres, certo?

Mas, de todas as evidências dessa fraude intelectual, a que eu realmente prefiro é o número de beneficiários do bolsa família: temos hoje quase 50 milhões de brasileiros dependendo desse programa governamental, ou quase 25% da população. E isso porque, segundo Sérgio Fausto, “com Lula na presidência, a pobreza se reduziu de maneira importante”. Imagine se não tivesse se reduzido!

Fausto, depois dessa hagiografia de Lula, afirma que o ajuste fiscal é necessário justamente para manter essas políticas públicas que beneficiam os mais pobres. Mas esse é justamente o raciocínio dos “neoliberais”. Os petistas, Lula incluído, execram esse tipo de racional. Isso aí não passaria de uma versão requentada do Consenso de Washington, que condenaria os países subdesenvolvidos à pobreza e dependência eternas. Bom mesmo são programas sociais, incentivos ao crédito, manipulação do câmbio, fechamento do mercado nacional e subsídios a indústrias ineficientes.

O problema fundamental de Sérgio Fausto e de todos os filopetistas racionais que pensam como ele, é achar que Lula concorda com o diagnóstico de que contas públicas equilibradas são fundamentais para que o Estado tenha capacidade para ajudar os mais pobres. Esse tipo de premissa é totalmente estranha ao modo petista de pensar e governar. Para os petistas, o “mercado” precisa ser domado, como confessou, em um momento de sincericídio, o coordenador do programa de governo de Lula, Sérgio Gabrielli.

Fausto, assim como todos os tucanos da velha guarda, acham que os petistas são tucanos que vestem vermelho. Não, os petistas não são como os tucanos. Os petistas são… petistas. E sempre agirão como petistas.

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Contradição em termos - Marcelo Guterman

 Contradição em termos

O economista Felipe Salto foi um dos agraciados com o ar puro de Lisboa. Bateu ponto no Gilmarpalooza e nos brindou com um artigo sobre a palestra do Nobel de economia Joel Mokyr.

Salto certamente não notou a profunda contradição em termos que seu artigo representa. Mokyr ganhou o seu prêmio Nobel pela sua análise da interação entre ciência e inovação tecnológica como propulsor do crescimento econômico, e do papel das instituições de um país para que esse processo ocorra. Segundo Mokyr, não foi acaso a Revolução Industrial ter ocorrido inicialmente na Inglaterra, primeiro lugar em que o Rule of Law, e não o Rule of King, encontrou lugar. Segundo Salto, “é o progresso técnico, aliado a estruturas democráticas e confiáveis, sob instituições à altura, o caminho para elevar o crescimento ao longo prazo”. Perfeito, não estivesse Salto em um evento que representa a antítese desse conceito.

O economista não consegue perceber que Gilmar Mendes não é somente “uma mente privilegiada, cujo espírito público é gigantesco”. Ele é o mais influente ministro da mais alta Corte do país, com poder de vida e morte sobre cidadãos e empresas. Uma pessoa em sua posição deveria resguardar-se de qualquer suspeita de conflitos de interesses, o justo oposto do que esse festival de Lisboa representa. Nunca vamos saber se a presença de empresários brasileiros é motivada pela pura busca por conhecimento (como certamente é o caso do articulista), ou há outros interesses envolvidos. Afinal, Gilmar tem uma caneta poderosa, e não é possível separar uma coisa da outra.

Não para por aí. Gilmar Mendes é o principal responsável, na Corte, pelo fim da Lava Jato, a primeira operação policial que realmente chegou aos próceres da República. Por um breve período, sentimos a gostosa sensação de vivermos nesse país de Mokyr, onde as instituições garantem o Rule of Law, e não a proteção de quem domina a máquina do Estado. Juntar os termos “Gilmar Mendes” e “instituições” no mesmo artigo chega a ser um insulto à inteligência.

O fato de o Gilmarpalooza ocorrer em Lisboa e não em São Paulo ou Brasília é somente pitoresco. Não há noção do quão ridículo que é juntar brasileiros para discutir o Brasil na capital do colonizador. Ou até há, mas é vencida pela tentação de ter um bom motivo para viajar para a Europa em classe executiva. Salto acha isso tudo muito normal, até louvável, mas não percebe que é a mais pura tradução do patrimonialismo jeca que nos define como nação, e que verdadeiramente impede o nosso desenvolvimento econômico.

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