Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sábado, 19 de outubro de 2024
Uma dúvida que não é só diplomática - Paulo Roberto de Almeida
Uma dúvida que não é só diplomática
Paulo Roberto de Almeida
A política, desde Platão e Aristóteles, se destina, entre outras coisas, a facilitar a convivência pacífica entre pessoas, súditos ou cidadãos de uma mesma comunidade, de cidades-Estados, de nações organizadas em monarquias, repúblicas, fazendo com que partidos, movimentos, governos, Estados possam interagir entre si da melhor maneira possível, isto é, pacificamente, civilmente, construtivamente, para o bem de todos.
Já é estranho, portanto, que existam partidos, movimentos, governos e Estados que desejem a eliminação completa, o desaparecimento de seus contrapartes, outros partidos, movimentos, governos ou Estados, como objetivo prioritário.
Este é o caso, por exemplo, de movimentos como o Hamas, de partidos como o Hezbollah, de governos e Estados como a teocracia fundamentalista do Irã, cujos objetivos principais, senão exclusivos, são a eliminação de todo um Estado, no caso Israel.
Mais estranho ainda é que um governo supostamente democrático, de um Estado dotado de tradições, princípios e valores comprometidos com a ordem democrática, a convivência pacífica entre as nações (como está em nossa Constituição), que se pauta, em suas diretrizes diplomáticas, pelo estrito respeito do Direito Internacional, consubstanciada na Carta das Nações Unidas, é estranho, portanto, que um governo reppresentando o Brasil da CF-1988 e de toda a história diplomática de convivência pacífica com todos os demais Estados da comunidade internacional, desde mais de 200 anos, aceite conviver, no mesmo grupo, bloco, foro ou movimento convergente de interesses com outros partidos, movimentos ou Estados que tenham, entre seus objetivos constitutivos, suas diretrizes nacionais a ELIMINAÇÃO de outros Estados, partidos, governos, movimentos, etnias ou povos, como é o caso do Brics, que abriga o Irã, e como é o caso do atual governo brasileiro, que aceita conviver normalmente com partidos e movimentos terroristas como são o Hamas, o Hezbollah e outros do mesmo grupo, sendo que alguns desses terroristas são Estados perfeitamente constituídos.
Brasília, 19/10/2024
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Por que o Itamaraty não faz uma nota sequer sobre os crimes de guerra russos na Ucrânia? - Paulo Roberto de Almeida sobre um relato de prisioneiro
Um horror perpetrado por um Estado aliado da atual diplomacia lulopetista não é um horror: apenas casos a serem desprezados e ignorados. Cr...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
FAQ do Candidato a Diplomata por Renato Domith Godinho TEMAS: Concurso do Instituto Rio Branco, Itamaraty, Carreira Diplomática, MRE, Diplom...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
Nota preliminar ulterior (se isso não é contradição, não sei o que é): Coloquei aqui uma aparente matéria de -- digo aparente pois foi dessa...
-
Tá explicado! O texto é de 2009, e se refere a matéria ainda mais antiga, mas certas coisas moldam o caráter, não é mesmo? Paulo Roberto de ...
-
O primeiro debate eleitoral de 2026 entre os candidatos à Presidência do Brasil - Band TV (análise completa, via Airton Dirceu Lemmertz, com...
-
Autocracy Inc. de Anne Applebaum Inteligência Democrática , 4/08/2024 Reproduzimos abaixo, numa tradução automática do ChatGPT4, a intr...
-
Já se sabia que Trump & Cia. representavam um perigo geopolítico ao mundo político da ONU. Agora o qua aparece é um imenso perigo GEOE...
-
Meu texto-guia: 5434. “ Política Externa do quinquênio JK: a Operação Pan-Americana”, Brasília, 20 agosto 2026, 20 p. Ensaio preliminar para...
Um comentário:
Caro Mestre Paulo Roberto de Almeida. Sou Márcio Zabaleta, Diretor da Revista do Clube Militar e gostaria de publicar este artigo "Uma dúvida que não é só diplomática" em nossa revista digital. Ocorre que no parágrafo iniciado por "Mais estranho ainda é..." não consegui compreender seu enfoque, assim, pediria, gentilmente, se possível, me ajudar no entendimento. Antecipadamente agradeço e parabenizo por este e outros artigos excelentes para externar o difícil momento que nosso país está atravessa. Atenciosamente, Márcio Zabaleta
Postar um comentário