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sexta-feira, 10 de abril de 2026

A indefectível CORRUPÇÃO de nossas elites

 É impagável a dívida do candidato Flávio Bolsonaro com o ministro do STF Dias Toffoli. Em julho de 2019, quando o primeiro era filho do presidente da República e o segundo presidente do Supremo, Toffoli suspendeu todas as investigações sobre corrupção de Flávio Bolsonaro baseadas em dados sigilosos compartilhados pelo Coaf e pela Receita Federal com o Ministério Público sem autorização prévia da Justiça. Até aquele momento, não havia essa exigência. Quatro meses depois, o ministro Gilmar Mendes usou o argumento de Toffoli para anular os relatórios do Coaf que embasaram a denúncia contra Flávio Bolsonaro, porque não haviam sido autorizados antes pela Justiça. Pela intervenção direta de Toffoli, Flávio Bolsonaro não deve nada à Justiça.

Desconhecido fora do Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro ganhou manchetes pela primeira vez na vida em dezembro de 2018, às vésperas da posse de Jair Bolsonaro como presidente. Apurando suspeitas de lavagem de dinheiro de vários deputados estaduais do Rio de Janeiro, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão nas contas do ex-policial Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro como deputado estadual. O Ministério Público descobriu que Queiroz e Flávio Bolsonaro comandavam um esquema de “rachadinha”, o mais antigo esquema de corrupção da política brasileira. Consiste em contratar assessores — que trabalham ou não trabalham — para que eles devolvam parte ou todo o salário ao parlamentar que os contratou.

Queiroz é um velho amigo de Jair Bolsonaro, que o colocou no gabinete do filho. As investigações mostraram que Queiroz recolhia parte do salário dos assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro, alguns deles seus parentes. Os assessores depositavam dinheiro nas contas de Queiroz. Os dados do Coaf mostraram não só as entradas, mas também as saídas. Entre elas estava um cheque de R$ 24 mil de Queiroz para a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Em abril de 2020, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, deixou o cargo acusando o presidente de tentar interferir na investigação da Polícia Federal para proteger Flávio Bolsonaro. Em outubro de 2020, o Ministério Público do Rio denunciou Flávio Bolsonaro, Queiroz e mais 15 pessoas pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A investigação do esquema mostrou uma preferência dos Bolsonaros por dinheiro vivo. Flávio Bolsonaro era sócio de uma franquia de chocolates da Kopenhagen no shopping Via Parque, no Rio. O Ministério Público descobriu que a loja recebia grandes volumes de depósito em dinheiro em datas coincidentes com o pagamento dos assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro. Em vários meses, esses depósitos eram maiores que o faturamento da loja. Chamou a atenção que os depósitos não cresciam na temporada da Páscoa, como ocorre em todas as lojas de chocolate do resto do mundo.

Durante a investigação, o MP descobriu que Flávio comprou dois apartamentos em Copacabana em 2012 por R$ 310 mil, pagos em cheque, e registrados em cartório por esse valor. Contudo, o MP descobriu também que, no dia da compra, o vendedor dos imóveis depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo numa agência bancária perto do cartório.

Em 2021, Flávio comprou uma casa de 936m², num terreno de 2.400m², no Setor de Mansões Dom Bosco, em Brasília, por R$ 5,97 milhões. Pagou R$ 2,8 milhões e financiou R$ 3,1 milhões no BRB por 30 anos, com juros anuais de 3,7% mais IPCA. Além de os juros estarem abaixo dos praticados no mercado, a renda declarada de Flávio Bolsonaro à época, apenas como senador, não permitia financiar valor tão alto. Mas o empréstimo foi feito no BRB na gestão de Ibaneis Rocha, aliado dos Bolsonaro. Flávio Bolsonaro quitou o imóvel em 2024.

Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça acolheu um recurso da defesa de Flávio com base no argumento de que a investigação no Rio deveria ter sido conduzida por desembargadores do Tribunal de Justiça, não por um juiz de primeira instância.

As decisões encerraram o caso.

Toffoli tem uma relação de amizade com Jair Bolsonaro. Os dois se conheceram em viagens para a Amazônia no começo do século, quando o ministro era assessor parlamentar do PT e Bolsonaro um deputado de quarto escalão. Nos dois anos como presidente do STF, Toffoli foi o líder do governo na Corte e durante as tensas eleições de 2022 era um dos raros ministros que seguia frequentando o Palácio do Alvorada. Flávio Bolsonaro herdou a boa relação e deu sinais contraditórios sobre o envolvimento de Toffoli no escândalo Master.

Pressionado pelo PL, Flávio Bolsonaro assinou o pedido de impeachment de Toffoli, mas logo depois alertou aos autores do projeto, os senadores Magno Malta, Eduardo Girão e Damares Alves, que um impeachment agora daria ao PT mais uma vaga no STF. Flávio Bolsonaro também assinou a CPI do Master, mas ato contínuo afirmou que a CPI seria um “ato de covardia ou conveniência” contra o STF e negou que sua assinatura significasse apoio à estrutura original da investigação.

A última postagem de Flávio Bolsonaro na plataforma X sobre Dias Toffoli é de maio 2020. É um agradecimento.

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