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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Autobiografia de um fora-da-lei, 7: O Barão em todos os seus estados - Paulo Roberto de Almeida (revista Será?)

 Madame IA examina o mais recente artigo da série "Autobiografia de um fora-da-lei, 7", uma biografia sincera do Estado brasileiro, destacando a atuação do Barão, e outros aspectos da política externa e da política econômica brasileira, do Império à República Velha.

O artigo pode ser encontrado aqui: 

Revista Será? (ano xiv, n. 723, 7 de agosto de 2026; 

link: https://revistasera.info/2026/08/autobiografia-de-um-fora-da-lei-7-o-barao-em-todos-os-seus-estados/ 

divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/autobiografia-de-um-fora-da-lei-7-o.html  Relação de Originais n. 5396.

   
 
O texto analisado é Fato, tratando-se de um ensaio histórico-literário legítimo publicado pelo diplomata Paulo Roberto de Almeida na revista Será? e reproduzido em seu blog pessoal. Sob uma técnica de personificação, o autor fala em nome do próprio Estado brasileiro para repassar marcos da história diplomática nacional.
 
Análise Crítica e Multifacetada
🏛 Perspectiva Política e de Governança
O texto utiliza a alegoria do Estado absolutista ("o Estado sou eu") para analisar de forma crítica os governantes que geriram o Brasil ao longo dos séculos. O autor expõe o constante conflito entre a perenidade das instituições nacionais e a volatilidade de líderes temporários, tecendo duras críticas a figuras como o Marechal Hermes da Fonseca ("mula fardada") e Artur Bernardes, apontando como decisões personalistas e o caudilhismo historicamente sabotaram o potencial geopolítico do país.
 
🌍 Perspectiva Geopolítica e Histórica
O ensaio traça com precisão cirúrgica a consolidação das fronteiras brasileiras, destacando a transição do Império para a República. A narrativa exalta as vitórias jurídicas e cartográficas do Barão do Rio Branco nas disputas de limites com Argentina (Missões), França (Oiapoque) e Reino Unido (Guiana), demonstrando como a diplomacia baseada no conhecimento técnico e histórico substituiu o recurso à força militar para garantir a integridade territorial do Brasil na América do Sul.
 
📉 Perspectiva Econômica e Financeira
Sob a ótica econômica, a crônica desnuda as fragilidades estruturais e os vícios fiscais do Brasil desde o século XIX. O autor faz menção crítica aos mecanismos de funding loans e à descentralização excessiva da Constituição de 1891, que permitiu a estados e municípios contraírem dívidas externas de forma irresponsável e sem lastro da União, gerando crises de endividamento crônicas e submissão aos fluxos de capitais britânicos (padrão-ouro).
 
⚖ Perspectiva Jurisdicional e Institucional
O texto aborda o processo de amadurecimento institucional por meio de suas rupturas e das lutas por direitos essenciais. São celebradas as atuações de Luiz Gama e Joaquim Nabuco na abolição da escravidão, rotulada como a instituição mais nefasta da história nacional. No campo das relações externas, aponta as consequências desastrosas do isolamento institucional provocado pela retirada do Brasil da Liga das Nações sob o governo Bernardes, evidenciando o perigo do afastamento das esferas multilaterais de direito internacional.
 
🧠 Perspectiva Filosófica e Intelectual
Filosoficamente, a obra discute o papel do intelectual na formação da consciência nacional. Ao eleger Hipólito da Costa como o primeiro estadista legítimo pelo seu papel pedagógico no Correio Braziliense, o autor defende que a verdadeira soberania e a construção de uma pátria livre emanam do livre debate de ideias, do conhecimento crítico e da racionalidade jornalística, sobrepondo o poder das luzes e da inteligência às amarras do autoritarismo ou do dogmatismo repressor de sua época.
 
 

sábado, 13 de setembro de 2025

O Barão em todos os seus estados, formatos e valores - Elisa Breternitz e Paulo Roberto de Almeida

A propósito do Barão e de uma homenagem que lhe é prestada pelo órgão do patrimônio material e imaterial do Itamaraty 

Primeiro, meu largo comentário, depois a homenagem postada no Linkedin:

Se algum diplomata, ou mesmo um paisano ilustrado, falar do, ou escrever “Barão”, assim, com B maiúsculo e ênfase na voz, não precisa dizer mais nada: Barão só tem um, apesar de outros barões na diplomacia, todos com b minúsculo, mas sem qualquer demérito para eles. Barão só tem um, e já é santo, está sentado à direita de Deus Padre, no céu, pronto para lhe assessorar em qualquer matéria diplomática ou geopolítica. Só tem um, mas ele esteve em todas as cédulas ou moedas de todos os oito regimes monetários que tivemos desde a segunda década do século XX, em TODOS, o que é um exemplo raro na história monetária mundial. Mas o pobre do Barão já teve valores mais expressivos, e hoje está miseravelmente reduzido a uma moedinha de 50 centavos, que não vai aguentar mais 10 anos de inflação (sim, também fomos campeões mundiais em inflação, junto com outros países exemplares: a Alemanha da República de Weimar, a Hungria pré-socialista, a República da China de Chiang Kaishek, o Zimbabue de Robert Mugabe, a Venezuela de Maduro).

O Barão é eterno e não há quem fale mal dele na diplomacia (embora os historiadores o maldigam, pois interrompeu sem explicações a maravilhosa série dos Relatórios anuais do Ministério das Relações Exteriores, os dos Negócios Estrangeiros do Império sempre foram superiores aos burocráticos da República).

Barão, ó Barão, vc tem de passar um sabão ou soltar um raio jupiteriano contra alguns dos seus sucessores dos últimos tempos, pois já são muitas as trapalhadas acumuladas e estão usando o seu santo nome em vão…

Paulo Roberto de Almeida

(um analista crítico do Barão)

Brasília, 13/09/2025

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Eis a postagem original, de autoria da Elisa Breternitz, Coordenadora-Geral do Patrimônio Histórico do Ministério das Relações Exteriores:

Você já chamou R$1 de "um barão"?

Eu já havia comentado, por aqui (https://lnkd.in/dYYmN_CB), que o designer, pintor, gravador, cenógrafo e figurinista pernambucano Aloísio Magalhães (1927-1982) havia criado, para o #Itamaraty, o logotipo RE - de Relações Exteriores - inspirado nos arcos da fachada do Palácio Itamaraty em Brasília. 

Na semana passada, descobri, por pesquisas feitas pela equipe da Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico do Ministry of Foreign Affairs of Brazil, que Magalhães também foi o responsável por outra obra de design gráfico ligada à diplomacia brasileira: a velha cédula de 1000 cruzeiros, estampada com a efígie do Barão do Rio Branco. Ministro das Relações Exteriores de 1902 a 1912, José Maria da Silva Paranhos Júnior teve papel determinante na consolidação pacífica das fronteiras brasileiras. Eu mesma me lembro dessa nota, muito antes de saber quem fora o Barão ou o que faz um(a) diplomata. E já chamei um Real de um Barão - é, veio daí a expressão, hoje meio em desuso. 

Quer saber mais sobre o Barão? A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) tem vários volumes para download gratuito, como José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco: Uma Biografia Fotográfica (https://lnkd.in/dKyhRR7s) e  O Barão do Rio Branco e a caricatura: coleção e memória (https://lnkd.in/djbU7VfH). 

Se preferir, acesse vídeo sobre o papel do Barão na definição das fronteiras brasileiras (https://lnkd.in/djkfgAYF), ou até mesmo vídeo do Itamaraty em 1912, no Rio de Janeiro, quando faleceu Rio Branco (https://lnkd.in/dYX8p-S2).



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