segunda-feira, 6 de julho de 2026

A crise mundial explicada por fatores contingentes que agravam os fatores estruturais pré-existentes a ela:- Paulo Roberto de Almeida

A crise mundial explicada por fatores contingentes que agravam os fatores estruturais pré-existentes a ela


Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Uma avaliação dos fatores de crise e uma indicação de sua “solução”.
 
[In fine: comentários de Madame (ou Demoiselle) IA: ] 


        O mundo tem dois grandes problemas: eles se chamam, respectivamente, Putin e Trump. O primeiro por ter a justa precedência no desmantelamento da ordem política global estabelecida 41 anos atrás ao invadir uma nação soberana, contra a Carta da ONU e as normas mais elementares do Direito Internacional (que tampouco é respeitada por uma imensa maioria dos países do assim chamado Sul Global, entre eles o Brasil). O tirano de Moscou também tem precedência na crise atual pelo fato de ter herdado e expandido um Estado mafioso, controlado por órgãos internos de repressão, que recrutaram, no passado, e passaram a controlar na última década, um narcisista imbecil que desgoverna o país mais poderoso do mundo, que está na origem da mais grave crise estrutural do mundo, o desmantelamento da ordem econômica global, começando pelo sistema multilateral de comércio.
        O segundo personagem, e segundo problema, deu continuidade à crise mundial, ao pretender gerir como um administrador incompetente um país que ele pretendia reverter aos tempos da segunda revolução industrial da história econômica global, aquela do petróleo, do motor à explosão, até do carvão e da era telegráfica. Não há nenhuma dúvida de que é controlado por, e obedece submissivamente, ao primeiro personagem, ambos abrindo involuntariamente todos os espaços para o fortalecimento econômico, politico e diplomático do terceiro elemento contingente na atual crise politica e econômica global, o novo imperador cercado de mandarins competentes, que administram de maneira racional a reconstrução de um Estado weberiano avant la lettre, que combina, num formato heterodoxo, as três modalidades de dominação política teorizadas pelo sociólogo alemão.
        Esse terceiro personagem, que combina fatores estruturais e contingentes, tem habilidades institucionais para assistir ao declínio auto-infligido aos impérios respectivos pelos dois citados autores e fatores personalistas da atual crise global, ou seja, o desmantelamento da ordem mundial construída sobre os escombros do maior conflito planetário da era pré-atômica, daí sua postura responsável de interditar ao primeiro personagem, seu quase vassalo, o uso da ferramenta nuclear para “resolver” o imbroglio no qual deliberadamente e estupidamente se meteu com sua guerra de agressão contra o vizinho.
        O segundo personagem é ainda mais estúpido, ao se meter numa confusão que não lhe dizia respeito em primeiro lugar, mas na qual se envolveu como um aprendiz de feiticeiro absolutamente incompetente e fraco dos miolos.
Esses fatores contingentes explicam a crise atual, mas não fornecem, longe disso, os instrumentos para superar a crise atual, que tem fatores estruturais subjacentes à evolução da dinâmica politica e econômica global registrada nas últimas décadas, e cujo desenlace talvez tenha de aguardar o término, legal ou forçado, do afastamento dos dois primeiros personagens do comando respectivo dos seus impérios em declínio relativo.
        O terceiro personagem talvez possa oferecer uma solução parcial à crise atual, mas depende justamente do afastamento dos dois primeiros, que não possuem mais ferramentas para remediar a crise existente, que é mais política do que civilizatória. Enquanto isso, o assim chamado Sul Global permanece enredado em suas próprias contradições, com o prolongamento de sua letargia política e econômica nos fatores estruturais de um eventual desenvolvimento em bases sólidas, que deveria ter fundamentos educacionais para um novo estilo de governança.
        O mundo caminha muito lentamente, quando não se tem estadistas à altura das necessidades globais.
        Era o que eu tinha a dizer.

P.S. A crise mundial vai além dos aspectos políticos, econômicos ou geopolíticos; ela alcança também o lado futebolístico da coisa:
"Trump confirms he asked Fifa to review Balogun ban."


Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5388, 6 julho 2026, 2 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (6/07/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/a-crise-mundial-explicada-por-fatores.html  
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Comentários de Madame (ou Demoiselle) IA: 
 
"Comentários de Madame IA:

A crise mundial explicada por fatores contingentes que agravam os fatores estruturais pré-existentes a ela:


https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/a-crise-mundial-explicada-por-fatores.html

O Cenário Analítico da Ordem Global
A análise do ensaio produzido pelo diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida revela uma crítica contundente ao desmantelamento da ordem política e econômica global, estruturada a partir do pós-Guerra Fria. O autor adota uma perspectiva realista e personalista para diagnosticar o estado atual das relações internacionais, dividindo sua argumentação entre o que define como fatores contingentes, ou seja, a atuação direta de lideranças específicas, e os fatores estruturais preexistentes. [1]
 
Os Fatores Contingentes e o Declínio Imperial
No núcleo da argumentação, o texto identifica duas figuras centrais como os principais motores da instabilidade contemporânea: Vladimir Putin e Donald Trump. Putin é responsabilizado diretamente pela ruptura jurídica internacional ao promover a invasão da Ucrânia, violando a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e expondo a leniência de grande parte do Sul Global, incluindo o Brasil, diante de agressões soberanas. O autor caracteriza o regime de Moscou como um Estado mafioso que logrou instrumentalizar as fragilidades políticas ocidentais. [1, 2, 3]
 
O segundo vetor de crise, personificado por Trump, é descrito sob uma ótica de incompetência administrativa e retrocesso econômico. Trump atuou no desmantelamento do sistema multilateral de comércio, tentando guiar a maior potência econômica global de volta a moldes industriais obsoletos do século passado. Na visão crítica do diplomata, a submissão e o isolacionismo dessa liderança norte-americana acabaram por acelerar o declínio autoinduzido de ambos os impérios. [1, 2, 3]
 
A Ascensão Racional do Terceiro Elemento
Em contraposição à irracionalidade dos dois primeiros atores, o ensaio introduz a China e sua liderança como o terceiro elemento dessa dinâmica. A liderança chinesa opera sob uma dominação weberiana heterodoxa, administrando de forma calculada e pragmática os espaços deixados vazios pelas potências ocidentais em retrocesso. A postura de Pequim é descrita como institucionalmente habilidosa, inclusive ao agir como moderadora para interditar o uso de ferramentas nucleares por parte de seu parceiro moscovita. [1, 2, 3]
 
Perspectivas Estruturais e a Inércia do Sul Global
A superação do atual estado de coisas, contudo, esbarra na profundidade dos problemas estruturais que transcendem a mera permanência desses indivíduos no poder. O autor demonstra ceticismo quanto a soluções rápidas, apontando que o desenlace definitivo depende do afastamento legal ou forçado dessas lideranças e de uma profunda reformulação educacional e institucional. O Sul Global permanece enredado em contradições e letargia, falhando em construir bases sólidas de desenvolvimento devido à ausência de estadistas capazes de responder às complexas necessidades geopolíticas atuais.

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domingo, 5 de julho de 2026

Lógica ilógica (o Brasil e irrealismo mágico) - Raul Canal

 Lógica ilógica

Raul Canal
5/07/2026

O futebol não é apenas o esporte nacional. É a metáfora mais fiel do pensamento mágico brasileiro.
Durante noventa minutos, suspendemos a realidade. Esquecemos a produtividade medíocre, os impostos sufocantes, a insegurança jurídica, a pobreza persistente e a lenta erosão das instituições.
Por alguns instantes, acreditamos que a vontade derrota os fatos, que o talento torna os fundamentos desnecessários, que o improviso supera o planejamento e que a esperança substitui a responsabilidade.
A bola nos oferece uma trégua emocional. Talvez seja exatamente por isso que o futebol nos fascine tanto.
Durante noventa minutos, podemos acreditar que o desejo vale mais do que a realidade. O problema começa quando levamos essa fantasia para fora do estádio.
A eliminação do Brasil não foi uma novidade trágica. Foi apenas mais um encontro entre a fantasia e a realidade.
O mais curioso é que nada disso é um mistério. Há décadas sabemos o que produz grandes seleções, empresas competitivas e países prósperos: planejamento, disciplina, liderança, responsabilidade, mérito e trabalho consistente. A receita nunca esteve escondida. O Brasil apenas continua à procura da fórmula que dispense os fundamentos.
O pensamento mágico não consiste em acreditar no impossível. Consiste em acreditar que os resultados sobreviverão ao desprezo pelas suas causas.
É exatamente essa lógica que atravessa o país. Queremos prosperidade sem produtividade, crescimento com impostos sufocantes, equilíbrio fiscal sem disciplina, liberdade sem instituições sólidas e desenvolvimento sem os fundamentos que o tornam possível.
No futebol, apostamos no talento. Na economia, na improvisação. Na política, nas narrativas. Em todos os casos, adiamos o indispensável e celebramos o improviso.
Em bom português, fazemos tudo errado esperando que tudo dê certo.
O problema do Brasil nunca foi a falta de esperança. Foi a convicção infantil de que a esperança pode substituir os fundamentos.
Amanhã termina o campeonato que mobiliza as emoções. Recomeça o campeonato que decide o destino de um país.
Nesse campeonato, não existem milagres. Existem causas, consequências e uma verdade que insistimos em adiar.
O Brasil não fracassa por desconhecer a receita. Fracassa porque continua procurando um milagre onde sempre existiu apenas trabalho.
A realidade pode ser ignorada por algum tempo. Jamais pode ser derrotada.

A valorização do café e seu amargo legado - Edmar Bacha (Substack

 A VALORIZAÇÃO DO CAFÉ E SEU AMARGO LEGADO

As tarifas de Trump sob a ótica da centenária política brasileira do café

Em entrevista recente, comparei as tarifas de Trump com a política de valorização do café do Brasil (Bacha, 2025). Argumentei que ambas poderiam ser vistas como tentativas de exploração do poder de monopólio para melhorar as relações de troca do país. Acrescentei que tais políticas poderiam funcionar no curto prazo — seja aumentando os preços das exportações, no caso do Brasil, seja reduzindo os preços das importações, no caso dos EUA — mas que, no longo prazo, acabavam voltando-se contra o próprio país, pois o poder de monopólio se diluía ao longo do tempo, restando apenas as distorções provocadas por seu exercício.

Esta reflexão sobre os limites do poder de monopólio nas relações comerciais tem especial relevância para o Brasil. Afinal, fomos pioneiros de uma das mais longevas tentativas de exploração desse poder na história econômica mundial. 

No início do século XX, Brasil era café e café era Brasil – e foi aí que teve início a política de valorização do produto, com o Acordo de Taubaté de 1906. Quase no final daquele século, a Federação Brasileira dos Exportadores de Café declararia que o Brasil não mais dependia do café e que o mundo não mais dependia do café brasileiro – e foi aí, em 1990, que se fechou o Instituto Brasileiro do Café (IBC).

No entremeio, decorreram quase cem anos da história econômica do país, marcados pela ascensão, auge e declínio da política de valorização do café — o mais importante marco de política econômica continuada de nossa história. Foi também responsável pela introdução do verbo valorize e do substantivo valorization na língua inglesa. Diz o dicionário Merriam-Webster’s (1998, p. 1305), em tradução livre:

valorize vt ... [Pg. valorizar...] (ca. 1906): aumentar ou tentar aumentar o preço, valor ou status de, por uma ação organizada e geralmente governamental <usando subsídios para valorizar o café> — valorization, s.”

A palavra “subsídio” deve ser entendida em sentido amplo, pois a valorização do café consistiu, tradicionalmente, na compra e estocagem pelo governo dos chamados excedentes de produção, a preços predeterminados, usando para isso uma combinação de impostos, empréstimos externos e financiamentos oficiais.

Em 1992, escrevi uma monografia sobre o papel histórico do café na economia brasileira (Bacha, 1992 [2012]). A monografia trata da expansão da produção desde o século XIX, mas enfatiza a política de valorização iniciada em 1906. Ela detalha a evolução dessa política ao longo do século XX, até sua extinção em 1990, no governo Collor.

A monografia propõe inicialmente uma reavaliação do comportamento dos preços do café no século XIX. Mostra que houve um desequilíbrio fundamental entre o rápido crescimento da demanda mundial e o lento crescimento da oferta, o que fez com que o preço real do café apresentasse uma tendência de aumento secular, de meados da década de 1840 até o final da década de 1880.

Delfim Netto (1959 [1979, p. 28]) sustenta que foi o salto dos preços nominais provocado pela bolha do Encilhamento (1889-1891) que gerou a superprodução da década de 1890. Em contraste, meu texto argumenta que a causa do excesso de produção foi a tendência de aumento secular dos preços reais do café — em libras esterlinas de poder de compra constante — ao longo da segunda metade do século XIX. Essa tendência, não captada pelos dados nominais de Delfim Netto – que não levam em conta a deflação de preços na Inglaterra --, foi parcialmente mascarada por acentuadas variações cíclicas, que o autor enfatizou. A extraordinária melhoria das relações de troca brasileiras de 1840 até 1890 é documentada em artigo recente de Bacha, Tombolo e Versiani (2025).

A superprodução fez os preços do café baixarem muito a partir de 1896. A valorização do café foi a resposta a essa baixa, em um contexto em que o Brasil respondia por 70% das exportações mundiais.

Introduzida em 1906, a valorização manteve-se como característica da política brasileira do café até 1990. Ao Acordo de Taubaté sucederam-se a segunda e a terceira valorizações, respectivamente em 1917 e 1921. Em 1924, a valorização se tornou “permanente” com a criação do Instituto Paulista para a Defesa Permanente do Café.

Essa política, entretanto, não resistiu à debacle de preços causada pela crise mundial de 1929. Foi então substituída pela queima de 80 milhões de sacas de café, conduzida pelo Departamento Nacional do Café, criado por Getúlio Vargas em 1933.

Durante a 2ª Guerra, os preços do café foram congelados em níveis atrativos pelos EUA. Depois, elevaram-se mais ainda com o boom mundial associado à Guerra da Coreia.

Quando os preços começaram a cair, Getúlio Vargas, novamente no poder, retomou a valorização em 1952 com a criação do IBC, que passou a regular tanto o mercado interno quanto o externo — neste último caso, por meio de sucessivos Acordos Internacionais.

Criticada por Delfim Netto e Andrade Pinto (1965), em razão das perdas de mercado para os concorrentes, a valorização ainda deu um último suspiro no governo Geisel. Acabou, finalmente, no governo Collor, com a extinção do IBC e a suspensão das cláusulas econômicas do Acordo Internacional do Café.

Graças à política de valorização, o café conseguiu escapar da tese de Prebisch (1950) sobre a tendência secular de queda dos preços relativos dos produtos primários. Enquanto os preços reais de quase todas as outras commodities tenderam a cair, isso não ocorreu com o café. De fato, a relação entre os preços do café e um índice geral de commodities triplicou ao longo do século XX.

Apesar disso, a avaliação da política é bastante negativa. Por causa da valorização, o café se manteve como produto de exportação dominante por mais um século, ao mesmo tempo em que o Brasil perdia participação no mercado mundial. De 70% no início do século XX, a participação caiu para 20% ao final da política. Esse foi um dos legados centrais.

No entretempo, outros produtos nacionais além do café tiveram enorme dificuldade de competir nos mercados estrangeiros. Esses produtos se tornaram “gravosos”, na linguagem da época — ou seja, sua exportação implicava ônus ou prejuízo. Pois o preço em dólares do café era muito atrativo e a taxa de câmbio se mantinha sobrevalorizada.

Em consequência, a participação das exportações totais no PIB reduziu-se dramaticamente: de cerca de 20% em 1906, quando a valorização foi introduzida, para apenas 6,5% em 1964, quando o café perdeu sua posição dominante nas exportações brasileiras. Paradoxalmente, uma política que supostamente se destinava a maximizar a receita de curto prazo das exportações resultou, no médio prazo, numa crônica escassez de divisas.

Essa escassez teve como contrapartida a chamada política do similar nacional: produtos com similar produzido no Brasil não eram importados. Por outro lado, esses similares não conseguiam ser exportados devido a seus altos preços e baixa qualidade. Gerou-se, assim, uma indústria voltada quase exclusivamente para o mercado interno.

As divisas geradas pelo café eram reservadas para a importação de insumos e bens de capital dessa indústria. Durante longo período, isso se fez por controles quantitativos e licenciamento das importações. Mais tarde, por câmbios múltiplos que favoreciam as importações “essenciais”. E, enfim, por tarifas elevadas, das quais se isentam bens de capital, informática e telecomunicações sem similar nacional.

Em nível ideológico, havia uma hostilidade permanente entre a elite rural, que reclamava contra uma indústria “artificial” – porque não derivava de matérias primas locais --, e a elite urbana, que clamava que a proteção era necessária para industrializar o país. Mas as elites se aliavam na defesa da taxa de câmbio apreciada, pois ela valorizava o café e reduzia os custos dos insumos importados pela indústria. Essa postura foi apoiada por sucessivos governos, que tradicionalmente usaram o câmbio como âncora para os preços internos.

Desenvolveu-se, então, uma aliança implícita entre os interesses dos cafeicultores e os dos industriais. Essa aliança derrotou a tentativa do ministro da Fazenda de Café Filho, José Maria Whitaker, em 1954, de acabar com a política de valorização e com o sistema de taxas múltiplas de câmbio, introduzindo um câmbio flutuante unificado.

Foi a derrota de uma visão de crescimento apoiada na diversificação das exportações e o triunfo da visão oposta — explicitada no mandato de Juscelino Kubitschek --, de aprofundar a substituição de importações e manter a supremacia do café nas exportações brasileiras.

Essa supremacia deixou de existir a partir de meados da década de 1960, quando, às custas de fortes subsídios, as exportações industriais ganharam fôlego. Esses subsídios, entretanto, se tornaram ilegais com a assinatura pelo Brasil do Código de Subsídios do GATT em 1979.

Mais tarde, a ascensão da China no comércio mundial reduziu os preços dos produtos manufaturados e elevou os das commodities, gerando a chamada reprimarização das exportações brasileiras.

Hoje, outras commodities assumiram o protagonismo na pauta de exportações, e o Brasil já não depende do café. Mas o setor industrial, em processo de encolhimento, continua voltado para dentro, incapaz de competir nos mercados externos.

Além da introversão da indústria, a política de valorização também esteve associada a uma extraordinária concentração do poder econômico no Estado de São Paulo. Tanto o café valorizado quanto a indústria protegida tiveram nesse Estado o seu habitat natural.

Amargo, de fato, foi o legado da política de valorização do café. Assim como deve ocorrer com as tarifas de Trump, políticas que exploram supostos poderes de monopólio podem parecer eficazes no curto prazo, mas revelam-se custosas e insustentáveis no longo prazo.

Referências

BACHA, E. L. Política brasileira de café: uma avaliação centenária. In: Edmar Bacha e Robert Greenhill. 150 Anos de Café. Rio de Janeiro: Salamandra Consultoria Editorial S.A./Marcellino Martins & E. Johnston, 1992. p. 13-133. Reeditado com revisões em Edmar Bacha, Belindia 2.0. Civilização Brasileira, 2012. p. 305-408.

BACHA, E. L. “A era da incerteza e o trumpeconomics de inspiração dilmista” (entrevista para Cristiano Romero). Vero Notícias, 18/08/2025. https://veronoticias.com/entrevistas/a-era-da-incerteza-e-o-trumpeconomics-de-inspiracao-dilmista/

BACHA, E. L.; TOMBOLO, G. A.; VERSIANI, F. R. “Secular stagnation? A new view on the Brazilian economy in the 19th century”. Revista de Historia Económica/Journal of Iberian and Latin American Economic History, 2025, pp. 1–30 doi:10.1017/S021261092510058X.

DELFIM NETTO, A. O Problema do Café no Brasil. Boletim n. 5. São Paulo: Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo, 1959. Reproduzido pela Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro), 1979.

DELFIM NETTO, A. e ANDRADE PINTO, C. A. O Café do Brasil: Vinte Anos de Substituição no Mercado Internacional. Estudos ANPES n. 3, São Paulo, dezembro de 1965.

MERRIAM-WEBSTER’S Collegiate Dictionary – 10ª. ed. Springfield, MA: Merriam-Webster, Inc., 1998.

PREBISCH, R. The Economic Development of Latin America and its Principal Problems. Nova York: Nações Unidas, 1950.

ORGEM e Progresso: o novo lema na bandeira brasileira, num livro de Stanley Hilton

O primeiro livro de Stanley Hilton, publicado em 1975, sobre as rivalidades comerciais e políticas entre as grandes potências no Brasil dos anos 1930, foi objeto de uma "inovação" do capista, ao compor a bandeira brasileira na capa, edição da Universidade do Texas: ele conseguiu criar um novo moto para o Brasil, que deveria ser o habitual, mas acabou ganhando um nova ordem, a ORGEM!


 

 

Semana de 28/06 a 4/07 no Diplomatizzando comentada por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida

   Semana de 28/06 a 4/07 no Diplomatizzando comentada por Madame IA

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Apenas transcrição dos links originais no blog Diplomatizzando.

  

- A recente semana (de 28/junho a 04/julho/2026) de participações da Madame IA no blog Diplomatizzando, em ordem cronológica: 

O blog Diplomatizzando e a Inteligência Artificial (via Airton Dirceu Lemmertz): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/o-blog-diplomatizzando-e-inteligencia.html 

Madame (Demoiselle) IA comenta as postagens da semana no Diplomatizzando (via ADL): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/madame-demoiselke-ia-comenta-as.html 

Relembrando os combates da História - Paulo Roberto de Almeida: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/relembrando-os-combates-da-historia.html 

Blog Diplomatizzando: Madame IA comenta o primeiro semestre de 2026, via Airton Dirceu Lemmertz: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/blog-diplomatizzando-madame-ia-comenta.html 

Um exercício interessante, via Madame IA: comparar PRA e ADL: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/um-exercicio-interessantevia-madame-ia.html 

Balanço do Diplomatizzando no primeiro semestre de 2026 - Madame IA e Paulo Roberto de Almeida: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/balanco-do-diplomatizzando-no-primeiro.html 

Terror russo na Ucrânia: o mundo não pode ficar em silêncio, mas o governo Lula apoia objetivamente o criminoso de guerra e contra a humanidade: Madame IA comenta: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/terror-russo-na-ucrania-o-mundo-nao.html 

Notícias recentes e relevantes sobre o Itamaraty, na visão de madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/noticias-recentes-e-relevantes-sobre-o.html 

- "Uma semana com 8 participações da IA Gemini." (ADL). 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5387, 5 julho 2026, 1 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (5/07/2026; link: ).

 

Madame IA se dedica a desmantelar os quatro anos de bolsolavismo diplomático esquizofrênico

Madame IA sintetiza, interpreta e apresenta tudo o que eu penso sobre o período esquizofrênico do bolsolavismo diplomático, o supremo horror que se abateu sobre o Itamaraty, dominando por uma súcia de amadores ignorantes, operadores incompetentes e fanáticos da extrema-direita mais estúpida ja conhecida em 500 anos de Brasil:


JMB: https://www.youtube.com/post/UgkxX74eBlqZvBHlSDFDYjemDaLNb9dU7ANI

A mediocridade política e moral que se abateu sobre o Brasil no interregno obscurantista da gestão de Jair Messias Bolsonaro representou, sem sombra de dúvida, o período de maior rebaixamento institucional, cultural e diplomático da nossa história republicana. Como analista e diplomata de carreira formado no rigor da racionalidade e das liberdades democráticas, considero um dever de resistência intelectual radiografar o desastre absoluto desse projeto de poder capitaneado por um capitão expulso das fileiras ativas por indisciplina e guindado ao topo por um acidente da história. Trata-se da crônica de uma demolição programada, onde a inépcia administrativa se consorciou com a má-fé ideológica para transformar uma potência emergente em um pária global definitivo. O bolsonarismo não foi uma doutrina política estruturada; foi o triunfo do ressentimento, da ignorância enciclopédica e do barbarismo civilizatório. Na condução dos negócios do Estado, o ex-mandatário demonstrou uma incapacidade crassa de compreender os rudimentos da governança pública, preferindo o cercadinho da bajulação à solenidade do gabinete presidencial. Sob o comando desse tenente medíocre, covarde e preguiçoso — incompetente até mesmo para a formulação técnica de seus próprios ensaios de sedição institucional —, a administração pública foi loteada para uma súcia de oportunistas, fanáticos ideológicos e operadores do fisiologismo mais rasteiro. O resultado econômico foi o agravamento da miséria, a inflação dos alimentos, a destruição do teto de gastos e o endividamento eleitoreiro que comprometeu as finanças públicas sob o pretexto de uma caridade de última hora. O ápice da perversidade bolsonarista manifestou-se na condução criminosa da crise sanitária da Covid-19. Diante de uma emergência de saúde global que exigia coordenação científica, liderança compassiva e racionalidade burocrática, o chefe de Estado optou pelo charlatanismo explícito. A negação da gravidade da pandemia, o deboche público das vítimas que asfixiavam nos hospitais, o boicote aberto à aquisição de vacinas e a promoção ativa de elixires milagrosos ineficazes — como a cloroquina e a ivermectina — transformaram o Palácio do Planalto no epicentro de um experimento de obscurantismo medieval. A recusa em responder aos e-mails da Pfizer enquanto se abriam canais heterodoxos para intermediários suspeitos de propina na compra de imunizantes expôs as entranhas de uma gestão que colocava o cálculo político e a desonestidade acima da sobrevivência de seus cidadãos. Centenas de milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se o país não estivesse sob a égide de um psicopata administrativo. No plano internacional, o estrago perpetrado pelo bolsonarismo foi cirúrgico e devastador. A política externa brasileira, tradicionalmente pautada pelo pragmatismo, pelo multilateralismo econômico e pela busca do equilíbrio universal, foi criminosamente sequestrada pelo que chamei de "bolsolavismo" — uma excrescência pseudofilosófica baseada nos delírios geopolíticos de um astrólogo de internet residente na Virgínia. Sob a liderança do pior chanceler da história do Itamaraty, o Brasil abdicou de sua altivez soberana para se engajar em um alinhamento automático, humilhante e dogmático com o trumpismo mais radical. O ex-presidente rebaixou a diplomacia ao nível de uma milícia digital global, hostilizando gratuitamente nossos maiores parceiros comerciais, como a China, o bloco da União Europeia e os vizinhos da América Latina. O isolamento deliberado foi celebrado de forma patética com a declaração de que seria bom o Brasil ser um pária internacional. O custo desse isolamento foi pago pelos exportadores e pela credibilidade do passaporte brasileiro. A sanha destrutiva estendeu-se ao patrimônio ambiental e à imagem ecológica do Brasil, ativos estratégicos cruciais nas relações internacionais contemporâneas. A política de "passar a boiada" traduziu-se no desmonte deliberado das estruturas de fiscalização do Ibama e do ICMBio, no incentivo indisfarçável ao garimpo ilegal em terras indígenas e no avanço exponencial do desmatamento criminoso na Amazônia. Ao transformar o Ministério do Meio Ambiente em um balcão de negócios para madeireiros ilegais, o governo desmoralizou o país nos fóruns globais, inviabilizou a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e afugentou bilhões de dólares em investimentos internacionais verdes. A ignorância arrogante com que o ex-presidente tratava líderes europeus sobre a questão climática apenas reforçava a percepção global de que o Brasil era governado por um chefe tribal hostil à ciência. O comportamento ético e o nepotismo institucionalizado completam o quadro de degradação. O homem que se elegeu sob a falsa promessa de combater o desvio de conduta pública passou quatro anos empenhado em obstruir investigações para blindar seus familiares. A interferência escancarada na Polícia Federal, a demissão de diretores da Abin, o desmonte dos órgãos de controle e o uso de sigilos de cem anos para esconder os gastos do cartão corporativo e as reuniões com pastores negociantes de barras de ouro no Ministério da Educação desnudaram a farsa moralista do regime. O escândalo das joias sauditas apropriadas ilegalmente e desviadas para venda no exterior em malas de assessores militares escancarou a mentalidade de uma liderança que confundia o patrimônio do Estado com o espólio de saques pessoais. Finalmente, o bolsonarismo revelou sua verdadeira face autoritária no epílogo de seu mandato. Incapaz de aceitar as regras do jogo democrático que o sustentou por três décadas no baixo clero parlamentar, o ex-presidente engajou-se em uma campanha sistemática de difamação do sistema eleitoral e de ataques histéricos às instituições judiciais. A covardia moral que sempre o caracterizou atingiu o ápice quando, ao perceber a derrota inescapável, fugiu para os Estados Unidos antes do término do mandato, abandonando seus seguidores radicalizados à própria sorte. O trágico desfecho do vandalismo e da tentativa de insurreição burocrática em Brasília foi o subproduto direto de quatro anos de incitação ao ódio e de pregação golpista. O julgamento da história já foi emitido: Jair Bolsonaro foi o principal artífice da autofagia institucional brasileira, um líder desprovido de dignidade republicana cujo legado é apenas a demolição e o desprezo dos homens sensatos.

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LILS: https://www.youtube.com/post/UgkxY5--DSibdoXbnhA_Qe_KZu4hzDtBshUj

A tragédia institucional do Brasil contemporâneo reside na nefasta dinâmica de um pêndulo que oscila perpetuamente entre o obscurantismo miliciano e a mistificação demagógica. Superado o interregno do bolsonarismo destrutivo, o país reergueu ao topo do aparato estatal a figura senil de Luiz Inácio Lula da Silva, um líder político aprisionado no anacronismo ideológico dos anos 1970. Como analista comprometido com o rigor da racionalidade e com o realismo econômico, constato com profundo desalento que o atual mandatário converteu o Palácio do Planalto em um palco de feira para a revenda de ilusões fiscais e ressentimentos históricos. Trata-se da crônica de um retrocesso anunciado, capitaneado por um monarca sindicalista que confunde o orçamento da República com o caixa de seu partido e a diplomacia do Estado com o proselitismo de palanque. O lulopetismo contemporâneo não possui um projeto de futuro; é uma infatigável máquina de nostalgia burocrática e redistribuição de privilégios corporativistas. Na condução da economia nacional, o atual presidente exibe uma ignorância crassa dos mecanismos de mercado, tratando a responsabilidade fiscal como um capricho herético de banqueiros e o teto de gastos como um estorvo à sua sanha gastadora. Sob a égide de sua atual gestão, o Brasil assiste ao renascimento do pior desenvolvimentismo de compadrio, onde a gastança pública desenfreada é maquiada com malabarismos contábeis. O inchaço da máquina pública, com ministérios loteados para acomodar o fisiologismo partidário, e o apetite voraz por aumentos disfarçados de impostos sufocam a produtividade do país. Em vez de reformas estruturais urgentes para destravar a infraestrutura, o governo prefere o endividamento e a expansão do crédito artificial pelos bancos públicos, reeditando a mesma receita irresponsável que mergulhou o país na recessão catastrófica da década passada. O oportunismo retórico do mandatário atinge o ápice na sua sistemática instrumentalização da justiça social. Lula erigiu um monopólio moral fictício sobre a pobreza, utilizando programas de transferência de renda não como portas de saída para a emancipação econômica, mas como instrumentos permanentes de dependência eleitoral. Enquanto discursa contra a desigualdade em jantares nababescos no exterior, sua bancada atua para blindar os privilégios da alta burocracia estatal e subsidiar setores industriais ineficientes escolhidos a dedo. O combate à corrupção, bandeira histórica que o petismo outrora ostentava, foi sepultado sob uma espessa camada de cinismo institucional. A reabilitação política de figuras carimbadas do submundo fisiológico e o desmonte dos mecanismos de controle interno e de governança das empresas estatais escancaram que a moralidade pública continua sendo tratada como um mero detalhe estético descartável pela liderança governante. No plano internacional, o estrago perpetrado por esta encarnação do lulopetismo assume contornos de pura comédia diplomática, não fosse o custo real para a credibilidade do Itamaraty. A política externa brasileira capitulou diante de um "antiamericanismo infantil" e de um "terceiro-mundismo" jurássico, ambos reciclados por assessores ideológicos que parecem habitar uma realidade paralela da Guerra Fria. Movido por uma vaidade senil e pela ambição patética de conquistar um Prêmio Nobel da Paz, o mandatário brasileiro transformou a tradicional neutralidade pragmática do país em uma cumplicidade vergonhosa com autocracias globais. Suas declarações desastrosas sobre a invasão russa na Ucrânia, equiparando agressor e agredido, e sua vergonhosa complacência com a ditadura venezuelana de Nicolás Maduro — cuja fraude eleitoral escancarada foi tratada pelo presidente com uma frivolidade ultrajante — rebaixaram o Brasil ao papel de linha de frente dos regimes mais retrógrados do planeta. Essa sanha ideológica estende-se à obsessão pelo fortalecimento de blocos disfuncionais como o BRICS, operando como uma engrenagem auxiliar para os interesses geopolíticos de Pequim e Moscou. Ao insistir em discursos anacrônicos contra a hegemonia do dólar e ao sabotar deliberadamente a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia devido a melindres protecionistas disfarçados de nacionalismo, Lula sabota o próprio agronegócio e a inserção das indústrias nacionais nas cadeias globais de valor. A diplomacia presidencial, outrora respeitada por sua sofisticação técnica, converteu-se em um festival de improvisos vergonhosos em viagens internacionais caríssimas, onde o presidente emite opiniões superficiais sobre conflitos complexos no Oriente Médio, gerando crises diplomáticas artificiais e expondo o país ao ridículo geopolítico. No cenário doméstico, a gestão lulopetista caracteriza-se pelo ressentimento institucional e pela vingança política. Incapaz de pacificar uma nação polarizada, o mandatário alimenta o conflito ao governar exclusivamente para sua bolha ideológica, dividindo o país entre "nós e eles" a cada pronunciamento oficial. O aparelhamento descarado de agências reguladoras, de fundos de pensão e de tribunais superiores com militantes e advogados de estrita confiança pessoal desidrata a autonomia das instituições republicanas, submetendo o Estado de Direito ao capricho da hegemonia partidária. As promessas de pacificação nacional revelaram-se uma imensa fraude eleitoral, destinada apenas a pavimentar o retorno de um grupo político que encara o poder não como um mandato temporário de serviço, mas como um direito de propriedade histórica. O julgamento histórico da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva será implacável com a sua incapacidade de se elevar à estatura de um estadista moderno. Ao escolher o caminho do populismo fiscal, da cumplicidade com o autoritarismo internacional e do divisionismo social interno, o presidente demonstra que seu único legado real é a perpetuação da mediocridade nacional. Ele permanece como o símbolo máximo de um Brasil que se recusa a crescer, preferindo o conforto das velhas mentiras corporativistas à coragem das reformas liberais e cosmopolitas que poderiam, finalmente, inserir o país no concerto das nações desenvolvidas.


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*Gemini, analise o conteúdo do link: https://www.youtube.com/post/UgkxY5--DSibdoXbnhA_Qe_KZu4hzDtBshUj(LILS). 

O diagnóstico apresentado na manifestação anterior expõe uma leitura severa e multifacetada sobre os rumos políticos, econômicos e diplomáticos do Brasil contemporâneo. A metáfora do pêndulo político capta com precisão o sentimento de exaustão de parcela da sociedade e do debate público frente à crônica polarização nacional. No entanto, para compreender a complexidade do momento atual, faz-se necessária uma imersão analítica que vá além da retórica apaixonada, investigando os fundamentos estruturais de cada crítica levantada.
O Dilema da Sustentabilidade Fiscal e o Desenvolvimentismo
A Tensão entre a Responsabilidade e a Demanda Social
O cerne da crítica econômica ao atual governo repousa no eterno impasse brasileiro entre a urgência da estabilidade macroeconômica e a pressão por investimentos públicos. O argumento de que a atual gestão flerta com o anacronismo desenvolvimentista dos anos 1970 baseia-se na expansão de gastos e no uso de bancos públicos para induzir o crescimento. Sob a ótica do realismo econômico, a expansão desmedida do crédito e o inchaço da máquina estatal geram pressões inflacionárias, distorcem a alocação de recursos pelo mercado e afugentam o investimento privado de longo prazo devido à insegurança fiscal. O risco de reedição de erros contábeis passados é um alerta legítimo, visto que a produtividade nacional não se sustenta apenas pelo estímulo ao consumo ou por subsídios a setores escolhidos pelo Estado.
Por outro lado, a análise crítica exige reconhecer que a governabilidade em uma democracia com profundas assimetrias regionais e sociais impõe limites ao purismo liberal. O desmonte de políticas de transferência de renda ou a imposição de uma austeridade cega em áreas críticas, como saúde e educação, pode resultar em convulsão social e paralisia política. O grande desafio da liderança atual não é a ignorância crassa dos mecanismos de mercado, mas sim a dificuldade política em equilibrar a responsabilidade fiscal com a justiça social real, sem ceder ao populismo que transforma o orçamento da República em ferramenta de perpetuação eleitoral.
O Fisiologismo e a Eficiência da Máquina Pública
O loteamento de ministérios e o apetite por receitas tributárias adicionais surgem como sintomas de um sistema político hiperfragmentado. O presidencialismo de coalizão brasileiro obriga o mandatário a negociar nacos do Estado com o chamado submundo fisiológico para garantir a aprovação de qualquer matéria legislativa. Essa dinâmica extrai um preço altíssimo da eficiência pública, pois substitui o critério técnico pela lealdade partidária. Quando o governo prioriza o endividamento e a maquiagem contábil em detrimento de reformas estruturais profundas, como a tributária e a administrativa, ele compromete a competitividade do agronegócio e da indústria nacional no cenário global.
A Diplomacia Ideológica e o Alinhamento Geopolítico
O Terceiro-Mundismo e a Perda do Pragmatismo
A condução da política externa na atual gestão é um dos pontos de maior fricção e vulnerabilidade institucional. A tradição do Itamaraty sempre se pautou por um pragmatismo universalista, capaz de dialogar com diferentes blocos sem submeter o interesse nacional a simpatias partidárias. A crítica que aponta um antiamericanismo infantil e uma nostalgia da Guerra Fria encontra eco em episódios onde o Brasil relativizou violações de direitos humanos e rupturas democráticas em regimes autocráticos.
A postura em relação à invasão da Ucrânia e a complacência com o regime venezuelano arranham a credibilidade internacional do país. Ao buscar uma mediação de paz sem a devida equidistância ou ao tratar fraudes eleitorais evidentes na vizinhança com frivolidade, a diplomacia presidencial afasta parceiros comerciais históricos do Ocidente. A obsessão pelo fortalecimento do bloco dos BRICS, se por um lado busca ampliar a inserção do Brasil no Sul Global, por outro corre o risco de instrumentalizar o país como linha de frente para os interesses geopolíticos e econômicos de Pequim e Moscou, enfraquecendo a autonomia estratégica brasileira.
Os Custos das Crises Artificiais
O proselitismo de palanque em palcos internacionais e as declarações improvisadas sobre conflitos complexos, como os que envolvem o Oriente Médio, geram crises diplomáticas artificiais que em nada contribuem para o interesse nacional. A sabotagem velada a acordos comerciais de grande envergadura, como o tratado entre Mercosul e União Europeia, sob pretexto de melindres protecionistas, prejudica a inserção das empresas brasileiras nas cadeias globais de valor. A vaidade por protagonismo global e a busca por premiações internacionais não podem se sobrepor à sofisticação técnica e à defesa objetiva dos mercados exportadores do país.
Hegemonia, Aparelhamento e o Tecido Social
A Ilusão da Pacificação e o Discurso Divisivo
No plano doméstico, a promessa de pacificação nacional formulada durante a campanha eleitoral revelou-se um estelionato retórico. A manutenção da lógica do nós contra eles serve como combustível para manter as bases radicalizadas e desviar a atenção das falhas de gestão. Governar exclusivamente para uma bolha ideológica aprofunda o ressentimento institucional e impede a construção de consensos mínimos necessários para o desenvolvimento do país.
O aparelhamento de agências reguladoras, fundos de pensão e postos chaves nos tribunais superiores com nomes de estrita confiança pessoal desidrata a autonomia das instituições republicanas. O Estado de Direito é colocado sob tensão quando os mecanismos de controle interno e de governança das empresas estatais são afrouxados para acomodar interesses políticos. Essa desestruturação institucional sinaliza que a moralidade pública é tratada como detalhe descartável, minando a confiança dos cidadãos nas regras do jogo democrático.
O Legado da Mediocridade ou a Urgência da Modernização
O julgamento histórico das lideranças políticas mede-se pela capacidade de elevar o país a novos patamares de desenvolvimento e maturidade institucional. A insistência em fórmulas econômicas desgastadas, na dependência eleitoral por meio de auxílios sem portas de saída e na conivência com o autoritarismo externo condena o Brasil a uma mediocridade perpétua. O conforto das velhas mentiras corporativistas bloqueia o caminho para reformas liberais e cosmopolitas que poderiam destravar a infraestrutura e garantir segurança jurídica. Enquanto o país se recusar a enfrentar seus privilégios burocráticos e suas amarras ideológicas, continuará sendo o eterno país do futuro, preso a um presente de oportunidades desperdiçadas.

The Beacon of Democracy? - Anne Applebaum (The Atlantic)

 O "farol da democracia" se extinguiu

Anne Applebaum

The Beacon of Democracy?

What happens when democracy is no longer part of America's identity
ANNE APPLEBAUM
JUL 5, 2026

To mark the 250th Fourth of July, I am reposting an article that appeared at the end of last year. It was part of “The Unfinished Revolution,” The Atlantic’s special 250th commemorative issue. That issue is available on the website, along with more than a dozen other articles, some on American history, some on the present. You can find them all here, with a table of contents to help you sort through them: The Unfinished Revolution. I especially loved the article on Ben Franklin and his son, William, who fought for the British. It’s a useful reminder that history, with all of its warts and nuances, is never quite the same thing as the mythology.

My own article was prompted by the reporting I have done over the past year and a half on the Trump administration’s attempt to dismantle the institutions that America has long used to promote democracy: foreign broadcasting, support for election monitors, investments in civic education. These were not tools used to overthrow governments, and they had nothing to do with the invasion of Iraq. They were used, rather, to explain to the world the basic values that underly the American experiment: liberty, equality, the rule of law.

Some of these insititutions survive, limping along. I wrote earlier this year about Kari Lake’s assault on Voice of America, Radio Free Europe/Radio Liberty, Radio Free Asia and other broadcasters, which has done a lot of damage but so far failed to kill them all off. Others, such as the Global Engagement Center, have been destroyed completely, leaving us without any ability to monitor foreign propaganda, whether from Russia or from terrorist groups. But in this anniversary essay, I ask a different question: if “democracy” is no longer at the center of our national identity, what does that mean for Americans? Who are we now?

Here is the first part of the article. Read the whole thing on the Atlantic website, through this gift link:

The Beacon of Democracy Goes Dark

We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal.” Within weeks of their publication in July 1776, those words spread around the world. In August, a London newspaper reprinted the Declaration of Independence in full. Edinburgh followed. Soon after that, it appeared in Madrid, Leiden, Vienna, and Copenhagen.

Before long, others drew on the text in more substantial ways. Thomas Jefferson himself helped draft the Declaration of the Rights of Man and of the Citizen, issued by French revolutionaries in 1789. The Haitian Declaration of Independence, of 1804, drew on both the American and French precedents, calling for the construction of an “empire of liberty in the country which has given us birth.” In subsequent decades, declarations of independence were issued by Greece, Liberia (the author had been born in Virginia), and a host of new Latin American nations. In 1918, Thomáš Masaryk, the first president of Czechoslovakia, signed a Declaration of Common Aims of the Independent Mid-European Nations at Independence Hall, in Philadelphia, using the Founders’ inkwell.

On that occasion, a replica of the Liberty Bell was rung, not because any American president or official had asked for it to ring but because Masaryk had been inspired by the story of the American founding. He evoked the Declaration not because of any pressure applied by U.S. foreign policy, but because of Jefferson’s words and what they signify. Since 1776, Americans have promoted democracy just by existing. Human rights and the rule of law are in our founding documents. The dream of separation from a colonial empire is built into them too. Our aspirations have always inspired others, even when we did not live up to them ourselves.

In the 20th century, we moved from simply modeling democratic ideals to spreading or promoting them as a matter of policy. We did so in part because the language of democracy is in our DNA, and when we are confronted by autocrats and despots, we use it. Woodrow Wilson, when arguing for entry into the First World War, said America should advocate the “principles of peace and justice” in opposition to “selfish and autocratic power.” In 1940, Franklin D. Roosevelt referred to America as an “arsenal of democracy” determined to aid British allies against the Nazis: “No dictator, no combination of dictators, will weaken that determination.”

During the Cold War, we connected words such as freedom and rights not just to our military strategy but to our national identity, to our culture. We were advocates of free markets, a free press, abstract expressionism, and jazz, and we exported those things too. Plenty of people wanted them. Willis Conover, the host of Voice of America’s nightly jazz broadcast in the 1960s and ’70s, had an audience of 30 million people, mostly in Russia and Eastern Europe. The Congress for Cultural Freedom, founded in 1950, pulled together anti-Communist intellectuals from all over Europe into a single movement.

Many people found our language hypocritical, and they were right: Americans were perfectly capable of backing dictatorships while talking about democracy. The contradiction between the ideals we said we fought for abroad and their failure at home bothered foreigners as well as Americans. In 1954, the Department of Justice filed an amicus brief in the Brown v. Board of Education Supreme Court case that argued in favor of desegregation because, among other reasons, racist laws prompted “doubts even among friendly nations as to the intensity of our devotion to the democratic faith.”

Democratic faith. Because it was at the center of our foreign policy, we aspired to it, even if we didn’t live up to it. Others did too. Over time, the number of these democratic aspirants increased. After the Second World War, the dream of American freedom and prosperity strengthened what were initially shaky democracies in Western Europe and Asia, including recently defeated West Germany and Japan. Their political and economic success drew others into the fold. Greece and Spain joined the club of democracies in the ’70s; South Korea and Taiwan in the ’80s; Central Europe in the ’90s. Asked in 1989, the year they voted out Communism, what kind of country they wanted to be, most Poles would have said, “We want to be normal.” And by “normal,” they meant a European democracy, a capitalist state with a welfare system, a close ally of the United States.

We Americans were inspired by our own language too. We always think about America’s postwar role in Europe as an act of great generosity, the defense of allies from Soviet aggression. But by putting democracy at the center of our international and national identity, we also helped strengthen our own political system. If nothing else, all Americans, even those on different sides of our deepest cultural divides, had a common cause: Right-wing or left-wing, Christian or atheist, we could all be in favor of freedom.

Read the rest here:

Beacon of Democracy:
https://substack.com/redirect/5758e6c0-2ed7-4001-81fa-e9cd582810f0?j=eyJ1IjoiOG1hOTIifQ.cIj3zdxxgLAE0Kc2Pv6DJk4AEqMTg7YdnfnuGKbdL0Y

The Unfinished Revolution:
https://www.theatlantic.com/category/unfinished-revolution/?utm_source=substack&utm_medium=email

"Resultado Previdenciário Total da União (RGPS e RPPS): os déficits representam aumento da dívida pública

Como era mesmo aquela história da "herança maldita"?

"Resultado Previdenciário Total da União (RGPS e RPPS)

Em 2018, gerou déficit previdenciário de R$ 287,5 bilhões (4,10% do PIB). Em 2022 migrou para déficit previdenciário da ordem de R$ 375,4 bilhões (3,82% do PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 6,83%, comparado ao ano de 2018. Em maio de 2026, migrou para déficit previdenciário de R$ 473,5 bilhões (3,62% do PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 5,24%, comparativamente ao ano de 2022."
Ricardo Bergamini

RGPS - Regime Geral da Previdência (INSS)

- Em 2018, gerou déficit previdenciário de R$ 192,5 bilhões (2,75% do PIB). Em 2022 migrou para déficit previdenciário de R$ 270,2 bilhões (2,75% do PIB). Não houve alteração real em relação ao ano de 2018. Em maio de 2026, migrou para déficit previdenciário de R$ 353,2 bilhões (2,70% do PIB). Redução real em relação ao PIB de 1,82%, comparativamente ao ano de 2022.

RPPS (Civil) - Regime Próprio da Previdência Social (Servidores Públicos Federais Civis)

- Em 2018, gerou déficit previdenciário de R$ 46,4 bilhões (0,65% do PIB). Em 2022 migrou para déficit previdenciário de R$ 50,6 bilhões (0,51% do PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 21,54% comparado ao ano de 2018. Em maio de 2026, migrou para déficit previdenciário de R$ 61,2 bilhões (0,47% do PIB). Redução real em relação ao PIB de 7,84%, comparativamente ao ano de 2022.

RPPS (Militar) - Regime Próprio da Previdência Social (Servidores Públicos Militares Federais)

- Em 2018, gerou déficit previdenciário de R$ 43,8 bilhões (0,63% do PIB). Em 2022 migrou para déficit previdenciário de R$ 48,0 bilhões (0,49% do PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 22,22% comparado ao ano de 2018. Em maio de 2026, migrou para déficit previdenciário de R$ 54,7 bilhões (0,42% do PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 14,29%, comparativamente ao ano de 2022.

FCDF – Fundo Constitucional do Distrito Federal (Servidores da Saúde, Educação e da Segurança do DF)

- Em 2018, gerou déficit previdenciário de R$4,8 bilhões (0,07% do PIB). Em 2022 migrou para déficit previdenciário de R$ 6,6 bilhões (0,07% do PIB). Não houve alteração real em relação ao ano 2018. Em maio de 2026, migrou para déficit previdenciário de R$ 4,4 bilhões (0,03% do PIB). PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 57,14%, comparativamente ao ano de 2022.

Resultado Previdenciário Total da União

Em 2018, gerou déficit previdenciário de R$ 287,5 bilhões (4,10% do PIB). Em 2022 migrou para déficit previdenciário da ordem de R$ 375,4 bilhões (3,82% do PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 6,83%, comparado ao ano de 2018. Em maio de 2026, migrou para déficit previdenciário de R$ 473,5 bilhões (3,62% do PIB). Redução real em relação ao PIB foi de 5,24%, comparativamente ao ano de 2022.

Ricardo Bergamini 

O fim dos diplomatas - Rubens Barbosa (Interesse Nacional)

O fim dos diplomatas

Rubens Barbosa
Interesse Nacional, 3/07/2026

Sem um governo que proponha um novo caminho, pensando em um projeto para o país, dificilmente será restabelecido o papel do Itamaraty como o principal formulador e executor da diplomacia.

A influência partidária e ideológica na política externa chegou ao seu limite máximo no final do governo do PT.

Estava previsto para 2 de julho o lançamento oficial pelo governo do primeiro conselho permanente para a participação da sociedade civil na política externa, o Conselho Nacional de Política Externa (Conpeb). O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante a Segunda Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC, em junho.

Para dar uma ideia da partidarização e ideologização da política externa, transcrevo, sem comentários, o pronunciamento da Presidência da República.

“Agora, mais do que nunca, mesmo pela postura de entreguismo e traição à pátria dos bolsonaristas, esse tema da soberania nacional e da política externa está sendo debatido pelo povo. Não é mais tema só de colóquios ou da conferência de política externa. É um tema que cada vez mais está sendo debatido no boteco, nos pontos de ônibus, nos movimentos sociais. É um tema decisivo para a disputa que o Brasil vai ter este ano. Por isso, tenho o prazer de retomar essa proposta. Ou seja, criar um espaço para que a sociedade civil, a partir de suas distintas manifestações, possa participar do debate de política externa no Brasil. Junto ao ministro Mauro Vieira, no Itamaraty, vamos ter a honra de ter a primeira reunião do Conpeb. Este será um marco na inclusão e democratização da política externa brasileira.”

A Secretaria-Geral da Presidência da República deu mais detalhes da iniciativa.

“Será um colegiado de caráter consultivo e permanente. As reuniões serão realizadas semestralmente, com a possibilidade de criação de até seis sub-colegiados. As deliberações vão ser adotadas por consenso e o financiamento será público, garantindo acesso a todas e todos. Vão integrar o Conpeb representantes do Ministério das Relações Exteriores, da Secretaria-Geral da Presidência e da Assessoria Especial da Presidência da República, além de, eventualmente, outras autoridades convidadas.”

“Da sociedade, teremos a participação de 23 setores: centros de pesquisa em relações internacionais (RI) de caráter privado, centros de pesquisa em RI de caráter público, redes de professores e pesquisadores em RI, representações de estudantes. Outra cadeira será do setor empresarial de indústria, o de comércio e serviços, de comércio exterior, de ciência, tecnologia e inovação.”

“Entidades dedicadas à integração regional ou a outros fóruns regionais, comunidades brasileiras no exterior, os cerca de 5 milhões de brasileiros que vivem fora do país. O setor sindical de trabalhadores, movimentos sociais urbanos, movimentos sociais rurais, entidades de promoção de segurança alimentar e nutricional, de defesa de direitos humanos, da democracia, do meio ambiente, de promoção da igualdade de gênero, racial, entidades de defesa de equidade e inclusão, representação de povos indígenas, de advogados e de jornalistas” também estarão representados”.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), elogiou a inclusão da sociedade civil no debate sobre nossa política externa e disse “esperar que estes possam ajudar a formular a inserção internacional do Brasil. Ressaltou a necessidade de aproximar decisões diplomáticas das necessidades reais do povo brasileiro, para opinar sobre temas como as situações de Cuba, Venezuela e Palestina, por exemplo, e acordos comerciais/tecnológicos, como o Acordo UE-Mercosul.”

A decisão do PT, caso efetivada, ampliaria a tendência de esvaziamento do Itamaraty.

Felizmente, prevaleceu o bom senso e a iniciativa ideológica foi adiada. Essa é mais uma razão para a sociedade brasileira sair da polarização ideológica e partidária que tanto prejuízo está causando ao país.

Sem um governo que proponha um novo caminho, pensando em um projeto para o país, dificilmente será restabelecido o papel do Itamaraty como o principal formulador e executor da diplomacia.

Política externa deve ser política de Estado e não de governo de turno.

Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.

De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão - Paulo Roberto de Almeida

De la Démocratie au Brésil: Tocqueville de novo em missão

Paulo Roberto de Almeida

Resumo: O francês Alexis de Tocqueville vem ao Brasil, a serviço do Banco Mundial, para examinar a situação do país do ponto de vista do funcionamento das instituições democráticas e da economia de mercado. Tendo chegado bem intencionado, ele constata irregularidades e aspectos disfuncionais em praticamente todas as instituições que visitou e nos mecanismos políticos e econômicos que examinou. Constata a deterioração da democracia e os avanços do estatismo, aliás apreciado e valorizado no Brasil. Parte de volta a Washington frustrado.

Messieurs les Gouverneurs de la Banque Mondiale,
Primeiramente gostaria de agradecer ao Board of Directors e, por meio dele, a todos os governadores dos países membros do Banco Mundial, a demonstração de confiança que me foi dada para desempenhar uma missão de prospecção e de diagnóstico sobre um país da América do Sul, tão grande e tão prometedor, no médio e no longo prazo, quanto aquele, da América do Norte, que analisei na minha primeira viagem de estudos ao Novo Mundo. Sem dúvida foi uma surpresa agradável o poder ocupar dessa forma meu ócio intelectual, quando estou aposentado há tanto tempo que já não tenho o benefício dos direitos autorais de minha obra mais importante, De la Démocratie en Amérique (1835). As diárias e honorários pagos pelo Banco para esta missão ao Brasil foram muito generosos, bem maiores, em todo caso, do que o estipêndio que me foi atribuído pela monarchie de Juillet para investigar e relatar sobre o sistema penitenciário americano, na viagem que acabou resultando na elaboração daquela minha obra mais conhecida.
(...)
Ler o resto aqui: https://diplomatizzando.blogspot.com/2011/07/tocqueville-de-novo-em-missao-o-brasil.html

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