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sábado, 23 de março de 2019

Política externa brasileira: passado, presente e futuro (UnB, 1/04/2019)

Convido a todos:
Sob o lulopetismo, tínhamos o que se poderia chamar de "diplomacia partidária". A política externa companheira fez o Brasil alinhar-se com as ditaduras mais execráveis do planeta, o que finalmente veio a cabo com o impeachment de Madame Pasadena. Hoje, dizem alguns críticos temos uma "Dilma de saias", e a política externa parecer ter se convertido em uma "diplomacia familiar". Mas ela é mais do que isso: tem a influência nefasta daquele a quem já chamei de "sofista da Virgínia" e "Rasputin de subúrbio", que por sua vez expande sua desorientação sobre alguns membros do clã e por um sujeitinho inepto chamado de Robespirralho.
Examinaremos algumas dessas questões num debate já marcado para o dia 1o. de abril (não é mentira) na UnB.

Todos os interessados na política externa brasileira poderão colocar suas questões aos membros da mesa: um distinguido analista da realidade latino-americana para a principal instituição espanhola de relações internacionais (currículo abaixo), um diplomata proscrito (eu mesmo), e o professor emérito da UnB, autor, com Clodoaldo Bueno, do livro História da Política Exterior do Brasil (várias edições), num debate coordenado pelo prof. Pio Penna Filho, diretor do IRel-UnB.
Sejam bem vindos.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 23 de março de 2019


Carlos Malamud

Investigador principal do Real Instituto Elcano (España)


Carlos Malamud es investigador principal del Real Instituto Elcano y catedrático de Historia de América en la Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED). Miembro de la Academia Nacional de la Historia de Argentina, ha sido seleccionado como uno de los “50 intelectuales iberoamericanos más influyentes” según Esglobal. Ha sido Senior Associate Member (SAM) en el Saint Antony’s College, Universidad de Oxford (1992/93), e investigador visitante en la Universidad de los Andes (Cátedra Corona, 2003) y la Universidad Di Tella. Entre 1996 y 2002 fue subdirector del Instituto Universitario Ortega y Gasset, y director de su programa de América Latina. De 2000 a 2002 fue director del Observatorio de Seguridad y Defensa en América Latina del mismo instituto y subdirector del Observatorio Electoral de América Latina de Nueva Mayoría. Doctor en Historia de América por la Universidad Complutense de Madrid, comenzó su carrera académica investigándo sobre la historia económica del período colonial de España y América Latina, y luego se especializó en la historia política de América Latina de los siglos XIX y XX. Ha sido profesor en la Universidad Complutense de Madrid y el San Pablo CEU. Miembro del Consejo Asesor del Instituto de Cultura de la Fundación MAPFRE. Actualmente combina su trabajo como historiador con el de analista político y de las Relaciones Internacionales de América Latina.

Áreas de investigación: Historia de América, relaciones internacionales en América Latina, procesos de integración regional, relaciones España – América Latina y Unión Europea – América Latina.

Publicaciones destacadas: entre sus publicaciones más recientes hay que mencionar Populismos latinoamericanos. Los tópicos de ayer, de  hoy y de siempre (Ed. Nobel, Oviedo, 2010); Sin marina, sin tesoro y casi sin soldados.  La financiación de la reconquista de América, 1810-1826 (Centro de Estudios  Bicentenario, Santiago de Chile, 2007); Historia  de América(Alianza, Madrid, 2010), segunda edición ampliada; Cádiz y Saint Malo en el comercio colonial  peruano (1698-1725) (Cádiz, 1986); América  Latina. Siglo XX. La búsqueda de la democracia(Madrid, 1992); Partidos políticos y elecciones en la  Argentina: la Liga del Sur (1908-1916)(Madrid, 1997); El Estado en crisis (1920-1950), vol. IV de Historia contemporánea de América Latina (Madrid, 2003). También ha sido editor de numerosos trabajos, incluidos Ruptura y reconciliación. España y el reconocimiento de las  independencias latinoamericanas (Taurus-Fundación  Mapfre, Madrid, 2012); El caso Pinochet. Un debate sobre los límites de la impunidad (Madrid, 2000); Legitimidad, representación y alternancia en España y América Latina: las reformas electorales (1880-1930) (México, 2000); con Elizabeth Joyce, Latin  America and the Multinational Drug Trade (Londres, 1998); y con Eduardo  Posada Carbó, The Financing of Politics:  Latin American and European Perspectivas (Londres, 2005).

Neofitos da política externa se envolvem em política domestica (OESP)


Assessor de Bolsonaro pede apoio contra ‘velha política’

Filipe Martins diz que ação é necessária para defender grupo ‘anti-establishment’

Renata Agostini, Naira Trindade e Julia Lindner,
O Estado de S.Paulo, 22 de março de 2019 | 14h10

BRASÍLIA - O assessor especial do presidente Jair Bolsonaro para assuntos internacionais, Filipe Martins, usou o Twitter nesta sexta-feira, 22, para defender que alas do governo se unam e articulem uma mobilização popular para proteger a Lava Jato, promover reformas econômicas e quebrar “a velha política”.
Em uma série de postagens na rede social e sem citar nomes, Martins afirmou que “há uma flagrante tentativa de isolar” o grupo “anti-establishment” do governo, no qual ele se insere.

Segundo ele, é “ilusão” acreditar que será possível avançar sem “romper com a forma convencional de fazer política no Brasil”. Por isso, em sua avaliação, é preciso que o governo trabalhe para aquecer seu eleitorado. “A única forma de ativar a lógica da sobrevivência política é por meio da pressão popular, por meio da mesma força que converteu a campanha eleitoral do PR Bolsonaro em um movimento cívico e tornou possível sua vitória. É necessário, em suma, mostrar que o povo manda no País”, escreveu. 
As publicações foram feitas no momento em que a relação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o Executivo ficou estremecida por causa de ataques ao deputado postados nas redes sociais por partidários do presidente.
Considerado um discípulo do escritor Olavo de Carvalho e ligado ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), Martins se tornou um dos principais auxiliares e uma espécie de conselheiro de Jair Bolsonaro. As mensagens foram publicadas por ele enquanto estava no Chile acompanhando o presidente em missão oficial.
Na postagem, ele alerta que há em curso uma tentativa de isolar sua ala com o objetivo de torná-la “tóxica e mal vista” pelos demais grupos. “A situação revela a urgência de uma coordenação efetiva entre as diferentes alas do governo para trazer o apoio popular para dentro da equação, de modo que o povo tenha um papel ativo na proteção da Lava Jato, na promoção das reformas econômicas e na quebra da velha política.”
Martins não nomeou quais seriam esses grupos, mas fez menção direta à equipe econômica, comandada pelo ministro Paulo Guedes, e à equipe do Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandada pelo ministro Sérgio Moro. Segundo ele, “tentam vender” a esses dois grupos que o caminho mais adequado é o que passa pelo diálogo e pela negociação política – o que ele considera um erro.
A declaração contribuiu para aumentar a cizânia entre governo e Maia. “Uma pessoa que afronta a democracia brasileira nas redes sociais, você me desculpa, ou ele é autoritário, ou ele tem algum problema. E nós não podemos aceitar. A gente não pode brincar com a democracia no Brasil”, disse Maia ao Estado ao ser questionado sobre a publicação.
“É por isso que o Twitter é tão importante para eles. Essa disputa do mal contra o bem, do sim contra o não, do quente contra o frio é o que alimenta a relação deles com parte da sociedade. Só que agora eles venceram as eleições. Num país democrático, não é essa ruptura proposta que vai resolver o problema”, completou Maia.
As mensagens também repercutiram mal no Congresso. Deputados cobraram do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, explicações sobre o conteúdo publicado por Martins.
O Palácio do Planalto tentou minimizar o impacto da mensagem. Segundo um integrante do governo, a publicação feita no momento em que o governo tenta debelar uma crise com o Congresso “não ajudou”, mas não vai modificar a estratégia da articulação política. Essa fonte afirmou que “a grande força da natureza”, capaz de moldar decisões do governo, chama-se Carlos Bolsonaro. Martins, argumentou essa fonte, tem maior influência em assuntos internacionais e não internos.
Interlocutores do assessor afirmaram que o intuito com as mensagens não foi criticar membros do Congresso, mas questionar a estratégia de comunicação do próprio Bolsonaro. A ideia é defender que o presidente use o seu “diferencial” da campanha, com forte atuação e mobilização na internet, e não aceite o discurso de que apenas a articulação política pode viabilizar a aprovação de reformas e outras medidas relevantes para o governo.
Martins é hoje um dos funcionários civis no terceiro andar do Palácio do Planalto com mais acesso a Bolsonaro. Atualmente, a maioria das salas próximas ao gabinete presidencial é reservada a militares que compõem o governo. Ele e Bolsonaro mantêm clima amistoso.
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