Não, não vou participar do próximo conclave anual do Fórum Social Mundial, a realizar-se em Belém, no final de janeiro de 2009. Tampouco participei de qualquer uma das edições anteriores, a partir de Porto Alegre, em 2001, e depois em várias capitais alternativas ao longo dos anos.
O que nunca me impediu de acompanhar atentamente suas promessas (muitas) e resultados (poucos, if any). Geralmente o faço com um olho crítico, como compete a qualquer pessoa de bom senso, ou minimamente dotada de alguns neurônios, que pretende encarar a realidade não através de slogans simplistas e redutores, mas por uma reflexão ponderada sobre o que é realista ou não nesses encontros onde existe mais transpiração do que propriamente inspiração.
Abaixo meu mais recente ensaio sobre a questão (mas apenas o começo), publicado no site Mundorama deste sábado, 27.12.2009.
Acredito que os promotores do evento e seus acadêmicos mais festivos não vão gostar do que eu escrevo, e suponho assim que eles tampouco irão me convidar para as próximas edições (o que tampouco me impedirá de continuar acompanhando os seus desvarios.).
Divirtam-se...
Fórum Surreal Mundial: Pequena visita aos desvarios dos antiglobalizadores
Paulo Roberto de Almeida
1. Globalizados contra a globalização: reação freudiana?
Os participantes do próximo conclave do Fórum Social Mundial, a realizar-se em Belém, de 27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009, podem congratular-se por serem os mais globalizados do planeta: eles desfrutam, provavelmente, de 100% de inclusão digital por meio da internet (sem considerar celulares e outros gadgets do mundo moderno), ou seja, fazem uma utilização plena das possibilidades abertas pela atual sociedade da informação. Todo o processo de informação preliminar sobre o FSM, de convocação e de mobilização preventivas, assim como o registro simultâneo e instantaneamente disseminado de suas ruidosas reuniões, colocadas (escusado dizer) sob o signo da anti-globalização, todo ele terá sido assegurado e efetivamente realizado 100% online, isto é, sob o signo do mundo virtual, que é praticamente um sinônimo da globalização.
E, no entanto, os alegres participantes do piquenique anual da antiglobalização se reunirão para, entre outros objetivos, conspurcar, atacar e combater os próprios mecanismos que possibilitaram, viabilizaram e permitiram todas essas facilidades de informação, de comunicação e de interação recíproca. Não é contraditório? Aliás, não parece completamente estapafúrdia essa revolta irracional contra os seus meios de expressão? Eu - como não pretendo usufruir de minha cota permitida de ilogismo e de irracionalidade - respondo imediatamente que SIM.
Para ler o resto, clique neste link.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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3 comentários:
Concordo com algumas críticas, só não entendo como nunca participou e fala com tanta propriedade.
João,
Não precisa participar para acompanhar os resultados (que são, aliás, muito poucos, magros, inconsistentes). Basta ler os documentos do próprio FSM ou as declarações de seus principais porta-vozes para saber o que estão pensando os antiglobalizadores. A partir daí, creio que bastam dois neurônios para reagir a essas declarações.
Eu tento ser fiel à missao de todo academico que se respeite: sempre analisar os fatos e os processos com base nas evidencias, nao nos slogans e nas ideologias ou interesses criados em torno desses fatos ou processos.
O trabalho de analise intelectual deve ser isento e apoiar-se em evidencias.
Independencia de espirito tambem é recomendavel.
O abraco do
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Paulo Roberto de Almeida
Gostei de suas declaração, pois entendo que os resultados se concretizam somente naquele momento para os ouvintes das palestras. Aqui em Belém(Pa) estou presenciando um momento "histórico" vejo homens da Guarda Nacional, mais policiais estaduais nas ruas, melhorou um pouco a organização no trânsito , e a limpeza pelo menos perto dos centros de Palestras foi realizada.
E quando acabar o Forum ?
Tudo voltará a normalidade ?
Acho que deveriam fazer um forum "mundial" social para discutir e solucionar os imensos problemas sociais de Belém-Pa e outras cidades do Brasil.
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