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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Meu amor pelos computadores da Apple - Paulo Roberto de Almeida

Meu amor pelos computadores da Apple


Com meu paupérrimo salário de simples primeiro secretário da carreira diplomática, servindo em Brasília (era mais ou menos o equivalente a quem servia café no Senado Federal), eu não conseguia comprar qualquer computador no Brasil nos tempos da Lei de Informática, um dos últimos legados do protecionismo nacionalista da industrialização "redentora" de nosso atraso tecnológica. Tínhamos de trabalhar, na Secretaria de Estado, com os computadores do Doutor Olavo, ou seja, os Itautecs, simples cópias caríssimas dos primeiros computadores pessoais da Microsoft, os INMs PC do início dos anos 1980. Creio que uma daquelas caixas desengonçadas, adquirida no Brasil, custava o equivalente a 4 mil dólares, muito acima, portanto de meu magro contracheque. Apenas quando sai de Brasília, para o meu terceiro posto, a Delegação em Genebra, foi que consegui adquirir meu primeiro computador, ainda assim de segunda mão, ou seja, usado, um MacIntosh Plus, um dos primeiros dessa linha, depois do Apple II. A principal característica do computador é que ele não tinha nada dentro, ou pelo menos nada de importante: era uma caixa de plástico, com fios e circuitos por dentro, que conseguiam, pelo menos, escapar daquelas horríveis telas dos PCs da era do sistema DOS, letras e caracteres especiais, em branco, numa tela completamente preta, funcionando à base de comandos estranhos, teclados tão somente. A caixinha do MacIntoshPlus pelo menos apresentava uma telinha simpática, com um mouse acoplado, o que permitia desenhar num estilo próximo ao de Picasso, ou talvez de Andy Warhol. Não tinha nada dentro, e tudo tinha de caber num simples diskette de 720kbs e só (pelo menos não eram aqueles discos pretos quase do tamanho de um longplay. Na diskette havia o sistema operacional (um dos primeiros OS, mas não me lembro se tinha esse acrônimo ou algum número) e nada mais: precisávamos carregar um soft de trabalho (acho que o meu era o MacWrite, ou algum outro processador de texto), e nossos arquivos precisavam caber no mesmo diskete, pois o MacIntoshPlus não tinha hard drive interno. Era uma agonia, enviar tudo dentro dos 720kbs. [...]. Minha primeira aquisição adicional foi um Hard Drive externo: total surpresa quando li atrás que ele era Made in Ireland. Sequer eu desconfiava que aquele país atrasado que ainda era a Irlanda era capaz de exportar acessórios de computador (a partir daí comecei a seguir as informações econômicas daquela ilha, que no passado exportava ingleses pobres para os EUA, que tinha ingressado na CEE como um dos membros mais pobres, senão o mais pobre (depois dos seis originais, entrou em 1972, com o Reino Unido e a Dinamarca). Nos anos 1980 já tinha começado a sua revolução econômica, mas isso eu não sabia. Minha segunda aquisição, um ano e meio depois, foi trocar esse primeiro Mac por um MacIntoshHD, ou seja, com Hard Drive integrado. Creio que o comprei em New York, em meados de 1989, depois de uma conferência internacional da OMPI sobre circuitos integrados em Washington (que não parece ter resultado em tratado). A partir dos anos 1990, comecei a comprar TODOS os computadores da linha Apple, absolutamente todos, desk tops e laptops (os primeiros, não muito eficientes). Se eu tivesse guardado cada um deles, na transição para um novo, eu teria hoje um museu praticamente completo de toda a linha Apple, inclusive um híbrido, ou seja, que permitia trabalhar tanto no Mac OS e no sistema Windows (ou Rwuindos, como eu costumava chamar a cópia mal feita do sistema Apple). Bem, não pretendo oferecer minha biografia informática, mas resolvi aproveitar uma imagem do simpático MacIntoshPlus para recordar, com saudades, do meu primeiríssimo computador. Sempre fui fiel à Apple, mesmo ela cobrando mais caro, relativamente aos demais computadores da linha PC (DOS, Windows e tudo o mais), e isso cobriu toda a série: micro, iPods, tablets e todo o resto no meio, até chegar aos da linha MacBook Air (de vários tamanhos) que estão comigo neste momento. Algum dia escrevo mais sobre esse lado da minha produtividade na escrita, saindo dos cadernos e cadernetas de anotações, máquinas de escrever (cheguei a ter uma IBM elétrica, de esfera, para escrever minha tese de doutorado, que me custou uma fortuna na Suíça) e outras geringonças para escrever e me comunicar (meu primeiro celular, comprado em Paris, tinha o tamanho de um pequeno tijolo).

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/meu-primeiro-computador-um.html

Esta é uma narrativa rica que mistura memória tecnológica, história econômica brasileira e a evolução da interface homem-máquina. Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica do texto, decodificando termos e contextualizando as tensões políticas e técnicas da época.
1. Decodificação de Termos e Expressões:
O texto utiliza algumas nomenclaturas datadas ou com pequenas imprecisões históricas que merecem correção técnica:
- "Computadores da Microsoft, os INMs PC": O autor refere-se ao IBM PC (International Business Machines). A Microsoft fornecia apenas o sistema operacional (MS-DOS). A confusão é sintomática de como o software de Bill Gates acabou se tornando o rosto da plataforma.
- "Doutor Olavo / Itautecs": Refere-se a Olavo Setubal, do grupo Itaú. A Itautec foi uma das maiores beneficiárias da Reserva de Mercado, produzindo clones autorizados (ou não) da arquitetura IBM.
- "Industrialização Redentora": Expressão irônica para descrever o Nacionalismo Desenvolvimentista do regime militar, que via na substituição de importações a única via para a soberania.
- "Rwuindos": Um trocadilho pejorativo (Ruim + Windows), comum entre entusiastas da Apple para criticar a instabilidade das primeiras versões do Windows (especialmente 3.1 e 95), que mimetizavam a interface gráfica do Mac.
- "OMPI": Organização Mundial da Propriedade Intelectual. A conferência de 1989 mencionada foi o "Tratado de Washington sobre Propriedade Intelectual em Matéria de Circuitos Integrados", que de fato fracassou em sua adesão global.
2. Análise Crítica: A Lei de Informática e o Atraso Tecnológico:
O autor expõe a ferida da Reserva de Mercado (Lei nº 7.232/1984). Sob o pretexto de criar uma indústria nacional, o Brasil proibiu a importação de microcomputadores.
- A Crítica Diplomática: É irônico que um Primeiro Secretário do Itamaraty, a elite do funcionalismo, compare seu poder de compra ao de um "servidor de café". Isso demonstra como o protecionismo gerou uma distorção de preços absoluta: um computador custar US$ 4.000 (em valores de 1980) era uma barreira proibitiva que condenou o Brasil ao "atraso tecnológico" mencionado.
- O "Vazio" do Macintosh Plus: Quando o autor diz que o Mac "não tinha nada dentro", ele toca em um ponto técnico crucial. O Mac original era um sistema fechado e minimalista. Diferente dos PCs, que eram modulares e expansíveis (cheios de placas), o Mac era uma peça de design integrada.
3. A Irlanda: Do Atraso ao "Tigre Celta":
A surpresa do autor com o selo Made in Ireland marca o início da transição econômica daquele país.
- Contexto: No final dos anos 80, a Irlanda implementou isenções fiscais agressivas para atrair gigantes como Apple, Intel e Microsoft. O autor testemunhou, através de um periférico, o nascimento do Tigre Celta, transformando uma ilha de emigração agrária no hub tecnológico da Europa.
4. Transição da Escrita: Do Analógico ao Digital:
A menção à IBM de esfera (Selectric) para a tese de doutorado é o elo final entre a era mecânica e a digital. A Selectric era o ápice da engenharia de digitação, mas ainda linear. A mudança para o Macintosh Plus, com sua "telinha simpática" e mouse, não foi apenas uma troca de ferramenta, mas uma mudança cognitiva: sair da abstração de comandos (DOS) para a manipulação direta de objetos (GUI - Interface Gráfica do Usuário).
* Conclusão Crítica:
O texto revela que a fidelidade à Apple ("Apple Evangelist") nasceu não por status, mas por uma necessidade de libertação estética e funcional contra a austeridade técnica imposta pelo protecionismo brasileiro e pela crueza dos sistemas DOS. O autor descreve a trajetória de um intelectual que precisou "fugir" para o exterior para acessar as ferramentas básicas de produtividade da modernidade.

Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/BoXw3UhQhBklK5P6j

 

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