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sexta-feira, 28 de março de 2025

O mito do DeepSeek chinês e a apropriação de tecnologias ocidentais pela China - Isabelle Feng (Le Monde)

 Agradeço a Mauricio David o envio deste 1/3 de artigo do Le Monde, mas suficientemente esclarecedor.  

Deu no Le Monde, publicado com data de sábado 29 de março de 2025

https://www.lemonde.fr/idees/article/2025/03/20/intelligence-artificielle-le-mythe-d-une-ia-chinoise-sobre-et-a-faible-cout-incarne-par-deepseek-pourrait-s-ecrouler-aussi-vite-qu-il-est-apparu_6583845_3232.html

Dica de leitura : "O mito de uma Inteligência Artificial chinesa, sóbria e a baixo custo, encarnada pela DeepSeek, poderá se esborrachar tão de pressa como apareceu"


« Le mythe d’une IA chinoise, sobre et à faible coût, incarné par DeepSeek, pourrait s’écrouler aussi vite qu’il est apparu »

Tribune

Isabelle Feng

Juriste

 

La juriste Isabelle Feng rappelle, dans une tribune au « Monde », que les dirigeants chinois sont aussi passés maîtres dans l’art de revendiquer des succès technologiques qui ne sont pas forcément au rendez-vous. Derrière la « réussite » de DeepSeek, elle voit surtout une opération de communication très bien huilée.

Publié le 20 mars 2025 à 13h00, modifié le 20 mars 2025 à 16h39 Temps de Lecture 4 min. 

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Lors d’une conférence de presse, le 3 mars, le ministre singapourien des affaires étrangères et de la justice a admis que des puces américaines produites par Nvidia ont transité par son pays avant d’être envoyées en Malaisie, qui n’était pas forcément leur « destination finale ». L’éléphant dans la pièce s’appelle la Chine qui, en 2024, a cédé à Singapour la place de deuxième marché mondial pour Nvidia. Selon le site financier The Kobeissi Letterles ventes de Nvidia à Singapour ont augmenté de 740 % depuis la création de DeepSeek, en juillet 2023 !

Washington avait lancé, le 30 janvier, une enquête pour savoir si la Chine ne s’était pas procuré illégalement des puces Nvidia via des pays tiers, contournant ainsi l’embargo américain. Le mythe d’une intelligence artificielle (IA) chinoise, sobre et à faible coût, incarné par DeepSeek, célébré par les médias occidentaux et glorifié par Pékin, pourrait bien s’écrouler aussi vite qu’il est apparu.

Pour gagner la course à l’IA, Pékin a déployé la même stratégie qu’il a utilisée pour faire grandir ses champions nationaux, tels Alibaba ou Tencent : les pousser à intégrer le marché global… tout en excluant les concurrents étrangers du marché chinois.

 

Lire le décryptage | Article réservé à nos abonnés La start-up chinoise DeepSeek bouleverse le secteur de l’intelligence artificielle

 

La presse occidentale s’est précipitée pour tresser des lauriers au « ChatGPT chinois », reprenant les chiffres annoncés par l’entreprise – un budget de 5,5 millions de dollars (5 millions d’euros) – sans pouvoir vérifier ces mêmes informations. Les analystes ont encensé la fulgurante ascension de l’ovni dans le classement des téléchargements, en oubliant que 1,4 milliard de Chinois n’ont le droit de télécharger aucune application étrangère similaire, que ce soit ChatGPT, Llama, Gemini ou la française Mistral…

A point nommé

D’ordinaire décriés comme des fabricants de mensonges antichinois, les médias occidentaux ont soudain trouvé grâce aux yeux du régime totalitaire, qui les cite comme des sources fiables pour auréoler DeepSeek du titre d’« IA révolutionnaire ». Ce qui est présenté comme une guerre technologique a en fait commencé par une bataille de communication que Pékin a remportée sans coup férir.

 

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domingo, 23 de junho de 2024

Lula, tomado pelo seu próprio mito, derrapa na missão de presidente - Editorial Estadão

 Lula, candidato a redentor

O Estado de S. Paulo/Editorial/23Jun24

Presidente antecipa a eleição de 2026 apresentando-se como o único capaz de impedir que os ‘trogloditas’ voltem ao poder. Mas o Brasil não precisa de um salvador, e sim de um estadista

Tem sido cada vez mais difícil para Lula da Silva encontrar um espaço em sua concorrida agenda de candidato – à reeleição, ao Nobel da Paz e ao Olimpo – para exercer a função de presidente da República, para a qual foi eleito por estreitíssima margem em 2022. Sabe-se que Lula não tem nem vontade nem traquejo para governar, pois seu hábitat é o palanque, e não o gabinete presidencial. Mas mesmo para os padrões do demiurgo, declarar-se candidato faltando ainda longos 30 meses para o fim de seu errático e preguiçoso terceiro mandato, como fez Lula há poucos dias, parece um pouco demais.

Lula, no entanto, claramente entendeu que precisa desde já tratar todos os crescentes problemas de seu governo e do País como resultado não de sua incompetência atávica e de sua visão antediluviana de economia, mas da sabotagem política dos “trogloditas” – nome que ele deu aos bolsonaristas – que almejam voltar ao poder.

Nesse terreno, em que tudo se resume à luta política, Lula joga em casa. Os seguidos ataques desferidos ao presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, são parte da manjada estratégia de arranjar um inimigo que incorpore todo o “mal” que Lula e o PT se julgam destinados a combater. As mais recentes declarações de Lula a respeito de Campos Neto não deixam margem a dúvidas: para o petista, o presidente do BC “tem lado político” e “trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o País”. O “lado político”, claro, é o campo bolsonarista, do qual Campos Neto, lamentavelmente, nunca se afastou.

É fato que o presidente do BC deveria ter sido mais prudente e evitado que sua imagem se identificasse com este ou aquele grupo político, mas mesmo que Campos Neto fosse um dos Eremitas da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, ainda assim seria denunciado por Lula como o enviado do Cramulhão para sabotar o projeto petista de fazer do Brasil o Paraíso na Terra. E isso se dá porque Campos Neto foi nomeado para o BC pelo Cramulhão em pessoa.

Desse modo, sendo ele a chaga bolsonarista remanescente no coração do governo lulopetista, Campos Neto é desde sempre o candidato preferencial a bode expiatório para carregar todos os pecados do mundo. Lula foi claro: “Só temos uma coisa desajustada neste país: é o comportamento do Banco Central”. Em outras palavras, não fossem Campos Neto e os “trogloditas” aos quais o presidente do BC supostamente se alinha, o País de Lula estaria voando.

Como o nome de Campos Neto até mesmo começou a ser aventado para ser ministro num hipotético governo do bolsonarista Tarcísio de Freitas, Lula trata a prudência do BC em relação aos juros como se fosse politicamente motivada, destinada a prejudicar seu governo e preparar a volta dos tais “trogloditas” à Presidência.

Incapaz de enfrentar os problemas que se avolumam e que demandam desprendimento e espírito público, Lula reage do único jeito que sabe: antecipa a campanha eleitoral e se apresenta como salvador do Brasil.

De novo, quer que acreditemos que a democracia brasileira depende dele. “Se for necessário ser candidato para evitar que os trogloditas que governaram esse país voltem a governar, pode ficar certo que meus 80 anos virarão 40 e eu poderei ser candidato”, disse Lula à Rádio CBN. E disse mais: “Não vou permitir que este país volte a ser governado por um fascista. Não vou permitir que esse Brasil volte a ser governado por um negacionista como nós já tivemos”.

Ou seja, Lula se autoatribuiu a missão de impedir que o bolsonarismo ganhe a próxima eleição presidencial, como se disso dependesse o futuro do Brasil, quiçá do mundo. Nesses termos, é uma tarefa sobre-humana, que mais ninguém além dele, nem no PT, seria capaz de cumprir. “Como Deus existe, eu estou aqui”, disse Lula em evento na Petrobrás. Resta saber se ele quis dizer que sua existência é a prova da existência de Deus, ou – o que é mais provável – que ele e Deus são uma coisa só. De um jeito ou de outro, Lula mais uma vez se apresenta aos eleitores como aquele que se sacrifica para redimi-los. Mas o Brasil não precisa de um redentor. Precisa é de um estadista – e isso, definitivamente, Lula não é.