Mal comparando, McKinley e Trump, 130 depois
Em defesa da renda dos carroceiros, e do lucro das cooperativas de entrega de leite por carroças, que haviam investido milhões na compra de cavalos e de carroças, o presidente McKinley queria evitar que a nova tecnologia de entrega destruísse empregos e renda, acarretando ademais incômodos sonoros nas cidades servidas pelos simpáticos carroceiros e seus galopantes veículos de entrega.
Mutatis mutandis, é mais ou menos o que propõe o seu sucessor, admirador e imitador, na questão das tarifas, Donald Trump, que quer que o Brasil desista do sistema PIX de pagamentos porque ele está dando prejuízo às grandes companhias americanas de cartões de crédito, que investiram pesadamente na "nova" tecnologia meio século atrás.
Trump é um McKinley mal sucedido, mesmo que esse tenha tido sorte na guerra hispano-americana, ao vencer a Espanha e começar sua tutela sobre Cuba, depois sobre o Haiti, a América Central e tentativamente sobre o resto do Hemisfério, mais ou menos como pretende atualmente seu sucessor fascinado com a conquista fácil da Venezuela.
Mas ele corre o risco de sair chamuscado dessa sua ofensiva contra o Pix do Brasil (que poderia fornecer sua tecnologia de pagamentos bancários ao público americano), assim como se arrisca a sair politicamente "obliterado" do seu atual conflito com o Irã. O "corolário" Trump à doutrina McKinley vai custar muito caro ao presidente que ignora história, diplomacia e, sobretudo, as artes da guerra.
Xi Jinping está sorrindo à toa, pensando num pensador chinês de 2500 anos atrás, Sun Tzu, que dizia que nunca se deve perturbar um adversário quando ele estiver cometendo um erro. Esses chineses não deixam de ser inspiradores...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7 abril 2026
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