As recomendações abaixo são extraídas de um artigo do jornalista Bob Woodward, do Washington Post, e foram republicadas no jornal O Estado de São paulo, deste domingo, 18.01.2009 (p. J3), no artigo reproduzido sob o título "Dez lições de Bush para Obama".
Trata-se de um conjunto de lições que Woodward recupera da presidencia de George W. Bush, que se encerra melancolicamente nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2009, mas que ele pretende contenha alguns ensinamentos para o seu sucessor, Barack Hussein Obama.
Como tal, esse conjunto de ensinamentos são extraídos de episódios dramáticos ou definidores da administração Bush, e o artigo vem com comentários extensos, mostrando exemplos concretos de como cada uma das lições se referem a episódios ou processos efetivamente ocorridos nessa administração.
Não vou transcrever todo o artigo (que pode ser lido neste link), que é relativamente longo, mas vou transcrever apenas as lições, que possuem um caráter quase universal, pelo seu conteúdo genérico, suscetíveis de serem aplicadas, portanto, a todo e qualquer presidente envolvido em processos democráticos de tomada de decisões e de implementação dessas decisões. Elas não valem, assim, para ditadores ou mesmo para regimes parlamentares.
Em todo caso, vale ler e refletir.
Dez lições para os presidentes
1. Os presidentes definem o tom do relacionamento entre os membros da sua equipe. Não se pode ser passivo nem tolerar divisões virulentas.
2. O presidente deve insistir para que todos se pronunciem abertamente uns diante dos outros, mesmo que haja - ou especialmente quando houver - discordâncias veementes.
3. Um presidente precisa fazer a lição de casa para dominar as ideias e conceitos fundamentais por trás das medidas que adota.
4. Os presidentes precisam fazer com que as pessoas exponham seus pontos de vista e se certificar de que as más notícias cheguem ao Salão Oval.
5. Os presidentes precisam fomentar uma cultura de ceticismo e dúvidas.
6. Os presidentes recebem dados contraditórios e precisam confrontá-los com rigor.
7. Os presidentes precisam contar a verdade nua e crua ao público, mesmo que isso signifique dar notícias muito ruins.
8. Motivos justos não bastam para garantir eficácia política.
9. Os presidentes precisam insistir em pensamento estratégico.
10. Os presidentes devem abraçar a transparência.
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Se ouso acrescentar um comentário, seria este: presidentes que atuam em ambientes democráticos e que se guiam por estas lições, ou ensinamentos, nem por isso serão grandes estadistas ou sequer bons presidentes. É preciso um mínimo de qualidades individuais, fundadas não apenas no conhecimento mas sobretudo no caráter, para ficar na história como grandes líderes. Poucos passam pelo teste, obviamente.
Ouso afirmar que, na história do Brasil, poucos passaram por esse teste.
A história costuma julgá-los severamente, mas a história também é construída pelos nossos conceitos e preconceitos.
Voltarei ao assunto.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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